quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Amor que vale a pena

Uma imagem com rostos coloridos e idênticos

Há muito tempo que procurava pela resposta à grande angústia do meu sentimento. Não sei porquê: talvez educação, talvez meio, talvez genes, mas aprendi que para ser bem sucedida, para ser feliz, precisava de um homem na minha vida que me completasse, que me acarinhasse, que me valorizasse, que fizesse tudo por mim e comigo, e, acima de tudo, que estivesse pronto para passar o resto da vida comigo.

E isso tem sido missão impossível. Desde que comecei a me relacionar. Ainda me lembro do primeiro namorado. Aquele beijo roubado atrás da bancada das revistas da minha rua. O sol estava quente, e a minha mãe esperava por mim na porta de casa. Mas o Carlos puxou-me pela mão, encostou-me contra o vidro quente que tinha um qualquer cartaz com uma capa de revista, e deu-me um beijo.

Aquilo não se podia chamar um beijo, foi uma explosão, um cataclismo, uma bomba atómica. Naquela fracção de segundo, entre o “mas o que é que ele está a fazer” e o “oh meu deus, morri e fui para o céu.” E antes que pudesse perceber, pudesse ter vergonha, pudesse sentir qualquer outra coisa, já ele fugia rua a baixo. Senti-me perfeita, senti-me nas nuvens, como um mar de verão fresco e quente e limpo, que enche o corpo de frescura e alegria.

E depois veio tudo o resto, o encantamento, o pedido de namoro, o passear de mãos dadas, a vergonha do primeiro filme de cinema juntos, os beijos roubados, os beijos oferecidos, os amassos, os ciúmes, as dúvidas, a vergonha, a culpa, a insatisfação e o fim da relação. 

Não acho que seja especial ou diferente. A partir daí aconteceu o que acho que acontece às pessoas. Umas relações melhores, outras piores. Umas com fins bonitos, outras com fins trágicos. Mas sempre, sempre, sempre, com uma sensação absoluta de que faltava qualquer coisa. Que com cada fim vinha uma maior sensação de incompetência, de fracasso, de falhar como mulher, como pessoa.

Agora percebo isso, na altura não. Acabava sempre por ficar revoltada com eles. Porque me traíram, porque não se comprometiam, porque me enganavam, porque não estavam prontos, porque se foram embora. A culpa era dos homens, desses seres velhacos. Mas que tanto desejava na minha vida. Era a profunda dicotomia. Amá-los e odiá-los.

A princípio estava convencida que haveria um para mim. Não era como a minha amiga Sofia, que com o insucesso do seu primeiro amor tinha desistido de amar, ou a minha amiga Paula que se escondia num encadeamento de relações fáceis e vazias.  Eu acreditava que o meu tempo chegaria. 

Mas não chegava, o tempo passava e nada. NADA! Vinte, vinte e cinco, vinte e oito!!!! TRINTA!!!

E assim tomei uma decisão. Investir em mim, no que gostava e no que me fazia feliz. Independentemente de ter alguém a meu lado ou não. Sozinha construí uma casa, um trabalho, amigos e uma vida que me permitia sentir preenchida. Fui descobrindo quem era e montando a minha vida como um puzzle.

E assim passou muito tempo. A viver a minha vida sozinha. Feliz, dentro do que me era possível, mas a sentir que me tinha encontrado. A minha alma sorria. 

Mas o Pedro surgiu, meio bomba atómica, meio tempestade. Eu já não esperava ninguém, mas ele veio. E nesse momento senti-me completa. Preenchida, dentro daquele mar quente e fresco e intenso. Ele fazia-me sentir amada. Ele fazia-me sentir desejada. Ele era tudo. Eu estava de volta no princípio de tudo.

Queria tanto que pus tudo. Despejei o amor, o desejo, o medo, a saudade, a insegurança e tudo o que afinal tinha guardado na minha alma (e muitas das coisas que nem sabia ter guardado) nesta relação nova. E abdiquei de tudo: do trabalho que amava, dos amigos que me acompanhavam, dos exercícios que fazia e me davam tanta paz. Larguei tudo para ficar com ele. 

Eu puxava ele fugia, eu corria ele largava, eu sonhava ele não estava. E quanto mais queria e mais desejava, e mais me colocava nesse desejo ardente de ser dois mais estava sozinha nessa aventura. Quanto mais o queria, menos ele queria. Quanto mais o desejava, menos ele me queria. E tal como tinha vindo desapareceu. Foi. E no camião TIR levou tudo. A minha auto-estima, a minha descoberta, a minha alegria. 

Tinha falhado de novo. Tinha trinta anos e estava de novo sozinha. Sem NADA. Não tinha amor, não tinha relação, não tinha trabalho, não tinha nada. O que raio tinha acontecido? Eu que me sentia tão realizada e forte e segura de mim. Afinal não era nada. Nuvens de fumo onde me tinha sentado. Balões de sabão que rebentavam nas minhas mãos.

Afinal quem era sem a outra pessoa? Quem era sozinha sem relação, sem amor, sem partilha, sem companheiro?

Aterrei fundo no poço da miséria e da tristeza. E lá fiquei. Muito tempo. Zangada com os homens, com o mundo, com tudo. E ele ligava e lá ia. E ele ia embora e lá ficava. Ele era tudo. E sem ele eu nada. E não me conseguia libertar da convição que só ao lado dele seria feliz.

Mas nesse túnel escuro e sem fim apareceu uma pequena luz. Um vislumbre. Uma pergunta que dizia: para poder dar amor não tens de viver esse amor em ti?

A princípio parecia uma daquelas frases feitas. De anúncios de leite, ou de revistas baratas. A princípio a resposta parecia simples e evidente. Eu gosto de mim. Eu amo-me. 

Mas com o tempo, as dúvidas surgiam em mim. E se eu construísse uma vida que pudesse partilhar, uma vida que me enchesse, que me concretizasse, e que acima de tudo não abdicasse por ninguém?

E foi nesse instante que DECIDI! Que escolhi-me em primeiro lugar. "Vou me reencontrar. E nunca mais me vou sacrificar."

E assim foi. Reconstruí a vida, o trabalho, os amigos, a casa, os projectos, as orações, as experiências e continuei a minha aventura de auto-conhecimento. E re-encontrei a alegria de estar em paz. E nesse lugar maravilhoso acabei por criar espaço para outra pessoa.

E agora tenho um novo amor, um amor que me completa e que me faz feliz. Mas este amor não é a minha vida. Este amor é uma parte da minha vida. Que varia em importância dependente do tempo, do que tenho para fazer e de todos os factores que importam na minha vida.

Quando podemos estamos, quando podemos amamos, quando podemos vivemos, e quando não podemos continuamos a ser, a estar e amar. Apenas outras pessoas, outras coisas e outros momentos. 

E isso... Isso é que realmente me faz feliz!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Adversidade que vale a pena

Fotografia de um muro com uma cerca e com àrvores verdes por trás

O presidente americano Benjamim Franklin disse num discurso muito famoso: “Nada é certo excepto a morte e os impostos”. Brian Tracy completa a frase falando também da adversidade.

Não é certamente um tema novo, mas é sempre um tema pertinente: adversidade. 

Muitas pessoas passam a sua vida a evitá-la, a reclamar dela, a chorar por ela, a fugir dela. Mas como qualquer das outras duas constantes da vida esta também é inevitável. Faz parte da nossa condição de ser(mos) humano(s). Erguer, fazer, falhar, erguer de novo, fazer de novo, falhar… e repetir o ciclo até no fim nos depararmos com o sucesso. 

E até quando temos de tentar? Até conseguir. Até alcançar. 

É como com os amigos, com os filhos, com os pais, com aquilo que vale e importa. Não consigo, não entendo, não sou capaz. Até quando tenho de tentar? Até conseguir. Não desistimos do que importa para nós!

O estudo do desenvolvimento pessoal e da biografia de histórias de sucesso é esse factor diferenciador. O sucesso faz-se pela pessoa que não fica caída, mas que se ergue as vezes necessárias para o seu sucesso.

“A diferença entre o sucesso e o insucesso é pores-te de pé uma vez mais”

Então a sabedoria passa por identificar o que nos apaixona. O que nos motiva. O que aquece o nosso coração de maneira que consigamos sempre encontrar mais um pouco de força para nos erguermos de novo e sorrir perante a adversidade e dizer: Obrigado.

Porque também é nesses momentos secretos, nesses momentos de desilusão, de frustração que temos o poder e a capacidade mágica de construir o nosso futuro. 

E encontrar a alegria de saber que conseguimos. Que demos TODOS os passos necessários nessa jornada. E que assim estamos…

Pelo menos até aos próximos impostos, adversidade ou morte.

“Sabes quando já aprendeste tudo? Quando morreste. Até lá ainda tens coisas para aprender” diz um ditado oriental

domingo, 31 de agosto de 2014

O Mundo é das Crianças



Hoje olhava para um pai com dois filhos. Uma menina com cerca de nove anos, equipada com um fato de Kong Fu, e o rapaz com cerca de um ano a oscilar entre o colo dos dois.

Estava numa mesa de café ao lado deles. Num sábado preguiçoso.

Claramente a filha equipada para orgulhar o pai. O pai com ar de militar, ou lutador ou porteiro.

Claramente o pai ao telefone para tratar de negócios.

Imagino a alegria dos filhos em saírem com o pai. O esforço para serem vistos, para serem amados, para serem sentidos.

Mas o pai tem trabalho, tem negócios, tem compromissos. Bem... também tem filhos.

Talvez seja inveja minha. Talvez seja desconhecimento.

Mas hoje temos pouco tempo, pouco espaço, pouco de tudo. Então o tempo das crianças tem de ser o tempo delas. Tempo de ser!

Não há nada mais importante que as crianças e elas merecem o melhor. Regras, amor, disciplina, atenção, educação, responsabilidade.

Mas pelo que vejo todos os dias esse é um equilíbrio difícil.

Nada que um pouco de organização e vontade não resolvam. Agora estou ocupado. Agora deixo o telefone em casa. Agora sou pai em exclusividade. São só poucas horas. E essas horas valem décadas!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Metafísica de um olhar

Não há nada mais bonito e mais forte e mais importante do que o ver. E para ver é preciso olhar. Alberto Caeiro sabia-o bem.

Neste corre corre perdemos o sentido e a importância do ver. De ver quem somos, mas também de ver os outros.

Mas, como tantas outras coisas, este olhar profundo é uma arte. Algo que fazemos crescer e amadurecer na nossa vida. E com a nossa vida.

Admiro as pessoas que olham para mim para me ver. Sem julgamentos, sem preconceitos, sem opiniões e que nesse sincero olhar me amam pelo que sou. Admiro tanto essas pessoas que tento fazer isso constantemente na minha vida.

Faço isso sempre que posso. Olhar para o outro e tentar vê-lo. Sem mais, nem menos. Apenas com um olhar amoroso de quem sempre admira e se surpreende com a vida. Com as suas descobertas, com as suas cores e diferenças. 

Olho para as pessoas bem fundo. Às vezes até demais. Não é um olhar confortável. Para quem não se sente confortável. Mas é um olhar honesto.

Acho que tudo o que temos de aprender e descobrir está espelhado no mundo que nos rodeia. É uma forma gentil de podermos descobrir o que precisamos sobre nós. 

E por isso, quando olho fundo para dentro da outra pessoa, acabo sempre por me encontrar e rever. 

Para as pessoas, para as coisas, para os animais, para as ruas e o seu movimento. 

E gosto disso. Sou de ver. Quem me conhece sabe isso. Porque nos outros me vejo a mim, e porque em mim encontro sempre os olhos.

Agora nesta cidade a magia acontece. Porque esta cidade exige de mim um olhar diferente. E uma forma diferente de ver tudo o que acontece. 


Mas acima de tudo o fundamental é ver. E para ver é preciso olhar. E para olhar é preciso coragem. E para ter coragem é preciso estar vivo.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

À espera de chegar

Há muito tempo atrás ouvi uma história muito bonita. Um shaman ou um índio foi convidado para dar uma palestra numa qualquer grande cidade onde nunca tinha estado(gosto de pensar que foi em Nova Iorque). Ele nunca tinha andado de avião. Ao chegar à cidade, antes de ir para qualquer lado, pede ao motorista: "Leve-me para um parque qualquer. Agora tenho de esperar que a minha alma chegue."

Sinto-me assim há muito. Num perpétuo estado de espera pela chegada da minha alma. Primeiro foi uma casa, depois foi a outra, depois foi Luanda, depois foi Estoril, depois foi Luanda, depois foi Carcavelos, depois foi Lisboa, e agora é São Paulo.

Gosto do meu estado de perpétuo viajante. Desafia os meus limites, alarga os meus horizontes. Força um crescimento nesta criança que também teima em não crescer.

Este perpétuo movimento exige e estimula. Todos temos âncoras, todos temos a necessidade de nos prendermos a coisas que consideramos pertinentes, definidoras da nossa identidade, criadoras do nosso ser. No meu caso particular vou descobrindo que não posso depender de nada fora de mim. Essa âncora, essa chave do cadeado, essa corrente solificadora, no meu caso particular, tem de ser interior. 

Isso implica a coragem de abdicar de tudo, e a força para só depender do que temos dentro. E isso estimula mais desafios. Ainda mais quando o que temos por dentro não é claro nem límpido. Quando é apenas apaixonado, louco, intenso, amante, humano, infantil.

Agora pela primeira vez sinto que cheguei. Não propriamente a São Paulo, mas a mim próprio. E estes passos perdidos e confusos fazem parte de uma grande orquestra. Que não é fácil de gostar e de perceber. Mas todos temos a sua. Como aqueles concertos exóticos que vamos porque nos convidam. E que depois descobrimos que apesar da estranheza têm uma beleza imensa.

E agora que estou a chegar completo e inteiro estou pronto.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Parabéns ao mentor deste blog



Hoje é dia das Mentiras, mas é uma verdade verdadeira que hoje há 36 anos nasceu um homem maravilhoso a quem deram o nome de Bernardo.
Eu, pé ante pé, entrei aqui na sua casa, e hoje, quis de uma forma simbólica homenagear este aniversariante e um amigo de todos nós.
Tal como o nome do quadro de Ines S. Bongard, que ilustra este post, o Bernardo tem o dou de nos "tocar".

Acredito que se juntam a mim nesta mensagem de parabéns e votos de felicidade.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Distraídos

Para quem anda distraído e não percebeu todas as histórias sobre angola estão em www.bernardoramirez.com - vão lá ver...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Crónicas sobre Angola

Amigos e outros que tais.

Hoje consegui acesso à net pelo que publiquei duas crónicas sobre a minha vida e aventura em Luanda.

Podem ler mais em www.bernardoramirez.com onde vou publicar regularmente as minhas aventuras.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Angola – Ainda não cheguei lá e já cá não estou

Podem saber mais em http://www.bernardoramirez.com/comunicacao/angola-ainda-nao-cheguei-la-e-ja-ca-nao-estou/

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Angola















A partir de Domingo dia 16 de Agosto vou estar em Angola. Diariamente espero deixar em http://www.bernardoramirez.com/comunicacao/ todas as impressões da minha estadia. São todos bem vindos, bem como os vossos comentários.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Silêncio

Desde há dois meses mudei de emprego, mudei de casa e vou mudar de país. Todas essas mudanças colocaram-me meio em silêncio, mas muito feliz.

Prometo que com a minha partida irei colocar aqui informação regular sobre as minhas aventuras em Luanda, Angola.

Fica um abraço e um beijo a todos aqueles que persistem em retornar.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

20H58M: O Puzzle dos Livros

Era uma vez uma menina que brincava com os livros. Dizia serem como peças de puzzle.

Leu primeiro O Fio da Navalha em que aprendeu muito sobre a sociedade americana dos finais do século XIX e início do século XX . Tanto que deixou quase todas as páginas do livro vincadas pelo sublinhado de um lápis que evidencia o que a tocou, o que quer dizer que gostou muito do livro . Considerou-o uma bíblia de relações sociais. Quando o acabou sentiu-se perdida. Tinha de encontrar a peça que encaixava com aquele que deixava para trás.

Da sua estante retirou uma outra obra. Essa já a tinha tentado encaixar anteriormente no puzzle dos livros, mas não conseguiu, pois não encontrava a posição devida ou não correspondia à forma que se deixava livre.

Deu início à sua leitura. Pareceu-lhe um pouco maçadora, no entanto esforçou-se por não dificultar o jogo e, então, apercebeu-se da importância daquela peça. Aos poucos ia encontrando semelhanças com a anterior e era divertido ver que não era tudo mera ficção, porque se o fosse não se repetiria por mão de autores tão diferentes, como são Edith Wharton desta segunda peça chamada A Idade da Inocência e W. Somerset Maugham da anterior.


21H10M: Segunda peça- O tempo

O tempo, o que fazemos com ele, a nossa previsibilidade, tudo se transforma em rotina e nos desenha aos outros mais nitidamente do que a nós, pois ainda temos esperança sobre a nossa pessoa, mas é tudo engano do medo que o tempo acabe.

...era uma das casas em que se sabia sempre o que acontecia a qualquer hora.

(...) As luzes já brilhavam através das janelas e Archer, quando a carruagem parou, entreviu o sogro, exactamente como o imaginara a passear na sala de relógio na mão, com a expressão triste que descobrira há muito ser mais eficaz que a fúria.

Temos de aprender a pouparmo-nos, mas isso não significa que vivamos no ócio.

Era um princípio na família Welland que os dias e as horas das pessoas deviam estar “preenchidos”. A possibilidade melancólica de ter de “matar tempo” ( especialmente aqueles que não gostavam de whist ou paciências ) era uma visão que a aterrava como o espectro dos desempregados aterra o filantropo. Outro dos seus princípios era que os pais nunca ( pelo menos de modo visível ) interferiam com os planos dos filhos casados. E a dificuldade de ajustar este respeito pela independência de May com a exigência dos pedidos de Mr. Welland só podia ser vencida pelo exercício de habilidade que não deixava um segundo do tempo de Mrs. Welland por preencher.

In Idade da Inocência, de Edith Wharton


Ela, a pequena menina dos puzzles, olhava para cada peça e pensava como é que podiam ser tão vivas, ter uma animação tão própria... Parecia que tinham vida, como os humanos. E, afinal, eram apenas o produto da imaginação.

Maravilhava-se com a capacidade dos adultos. Mas quando cresceu e começou a perceber que tudo isto era mais complicado do que juntar peças, viu que, afinal, os homens rejeitam outros homens, aqueles que têm ideias mais avançadas ou daquelas que nos fazem sonhar e ficarmos petrificados com a sua beleza.

Esses eram crianças em corpos de homens grandes... ela julgava que os outros também eram, só que tentavam apagar esse seu lado tão maravilhoso como embaraçoso, porque é regido pela força dos impulsos e do inesperado.

São marginais que não se convida para as festas, para partilhar o mesmo espaço. Ela tinha razão quando dava como justificação para tal recusa o medo dos adultos mascarados ficarem eclipsados pela força enérgica dos adultos crianças.


24H20M: Um bilhete a Edith Wharton

Fiquei desiludida com a forma como tudo acabou, pois esperava que eles tivessem mais força, que eles tomassem outros rumos e, sobretudo, que o destino escrito por ele fosse mais forte do que uma aceitação simples das convenções.

A Idade da Inocência chegou ao fim depois de me ter acompanhado desde há algum tempo. Agora, sem ela, sem aqueles meus amigos e amigas que me confessavam até aquilo que não sabiam, sem elas... como vai continuar os meus dias?! Apeguei-me a elas e, neste momento, já partiram assim, sem sequer manter contacto comigo nos próximos tempos!?

Ficou tudo em aberto, mas já acabado. Concordo que não gostei do último capítulo. Andei sempre na esperança de que o desfecho fosse outro. Queria que ele ficasse com ela, mesmo que isso fosse o início de uma dor enorme no coração da pobre May. Por outro lado, este amor quase platónico sabe bem e, logo, se fosse concretizado talvez não soubesse a nada.
Com estes personagens e toda a narrativa, com esta autora, aprendi tanto e não queria assim fazer esquecer este meu professor sem voltar a saber mais dele.

2000/2001

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Universo das infinitas possibilidades

Estou permanentemente no Universo das Infinitas Possibilidades.

Esse gigante oceano é como todos os grandes mares. Pode nos suportar, deixar-nos flutuar, acarinhar com a frescura da sua água, envolver-nos com carinhos e movimentos que lembram o embalar materno.

Mas também pode se transformar num ser espumoso, furioso, destruidor. Um ser frio e intempestivo. Uma massa poderosa e destruidora que nos arrasa e consome sem dó nem piedade.

Este Universo das Infinitas Possibilidades abre-me muitas vezes as portas para a magia do desconhecido, para a beleza do amor, para a alegria da aventura e do inesperado. Mas tantas outras vezes confronta-me com as minhas fragilidades. Desperta os meus fantasmas. Coloca-me num modo de repetição que me leva tantas vezes ao mesmo ponto.

E nesse Universo das Infinitas Possibilidades pergunto-me, ás vezes com alegria, outras vezes com sofrimento, o porquê? O porquê de tantas vezes sentir que percorri um grande caminho, e o de tantas outras vezes sentir que ainda estou no mesmo sítio.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Sexo, amor e corpo sem medo

Nas últimas semanas tenho pensado muito na relação que existe entre o amor e o desejo. Como podem ou não ser exclusivos, e como a nossa sociedade tenta permanentemente encontrar uma estrutura que nos permita gerir algo tão pouco "racional" e "ilmuminado".

Por razões que não me interessa agora abordar julgo termos chegado ao momento mais elevado da nossa castração sexual.

Nesse sentido, só conseguimos tender para duas dimensões diametralmente opostas, ou iguais: o liberalismo sexual extremo (e nesse sentido desconectado, infantil e irresponsável), ou a profunda preservação do corpo ao ponto de ignorar o que sentimos e somos (e nesse sentido infantil, irresponsável e desconectada).

Lidamos muito mal com o corpo e com os sentimentos que este nos desperta. Todos sabemos que existem mil regras sociais para o que é aceite ou não. E que essas mesmas regras provocam por si tantos comportamentos desviantes. Mas na realidade este é um mundo colorido. Homosexualidade, polisexualidade, sozinho ou em grupos, com ou sem adereços: na criatividade há um mundo de possibilidades.

Mas o problema é que nem conseguimos lidar com coisas tão simples como uma atracção (física, emocional, sentimental). Frases como: "estou a brincar", ou "mas sou comprometido", ou "mas ela é casada" são tantas vezes usadas como algema para a castração da nossa libido, ou até da curiosidade. A monogamia acaba por ser imposta e não conquistada. Não há espaço para a descoberta. E depois casamos, descasamos, traímos e somos traídos, temos filhos e deixamos de os ter. Temos amantes, namorados, affairs, esposas ou companheiros.

Por outro lado, ainda há uma noção quase "burguesa" que o amor verdadeiro só aparece uma vez e só se pode incidir sobre uma pessoa. E sobre isso (na série Bones):

Angela Montenegro: Tu tens esta noção burguesa...
Dr. Lance Sweets: Burguesa?
Angela Montenegro: ...que para o amor ser real ele tem de ser permanente. Não há nada permanente. Isto é um facto. Começamos e deixamos de amar outras pessoas, mas isso não faz o amor ser menos real.
Dr. Lance Sweets: Mm-hmm, talvez estejas a dizer isso porque nunca encontraste o amor da tua vida.
Angela Montenegro: Sim encontrei. Várias vezes.

Neste sentido acredito que o amor não é nem permanente, nem exclusivo por defeito. Ele só o pode ser por construção, por escolha, e por caminho percorrido (somos realmente uma sociedade sem noção da importância do trabalho e dos limites). Mas se não nos atrevemos a fazer as perguntas, a experimentar as respostas e a descobrir o nosso sentido que garantia temos de encontrar a felicidade?

Não sou a favor da irresponsabilidade sexual, mas acredito que o processo de auto-conhecimento do corpo, e o diálogo que ele exige, é fundamental para a evolução da humanidade. Dialogar, com palavras ou acções sobre o corpo, o sexo, as pilas e as vaginas, partilhar o que gostamos e o que tememos, o que queremos experimentar, vive tantas vezes aprisionado pela razão, pela vergonha ou pelo medo, que nunca conseguimos chegar a descobrir o que somos, e o que queremos.

O nosso corpo é expressão maravilhosa da nossa alma, e a sua aventura torna-nos maiores.

Por isso o diálogo é preciso, sem certo, nem errado, e com coragem de experimentar, de ser responsável e sensato nas suas descobertas, e na procura do que nos dá prazer e quais são os limites que isso encerra.

Isso é amor por nós!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Amor

Sobre o amor é muito interessante ver duas personagens de uma série dizerem coisas que considero tão pertinentes:

"Bones: The Skull in the Sculpture (#4.7)" (2008)
Dr. Lance Sweets: [Sitting together at a restaurant over dinner helping Angela work out her feelings and how she should go about her pursuing a her relationship with Roxie] It's exactly the same situation as the last time you were sitting here. Except, you know, you're quieter.
Angela Montenegro: No, that was about Hodgins. This is about Roxie.
Dr. Lance Sweets: [Loudly] You want to have sex with Roxie!
Angela Montenegro: What was that about quieter?
Dr. Lance Sweets: I'm sorry, I'm not certain you're being guided by your brain, that's all. Need can be confused with love. Fantasy can convince us that what we are feeling is love.
Angela Montenegro: So, you're saying is that this is all rebound?
Dr. Lance Sweets: Yeah.
Angela Montenegro: No, you don't understand love, Sweets.
Dr. Lance Sweets: I'm not as innocent as you might think.
Angela Montenegro: You have this bourgeois notion...
Dr. Lance Sweets: Bourgeois?
Angela Montenegro: ...that in order for love to be real it has to be permanent. Nothing is permanent. That's just a fact. We move in and out of loving other people, but that doesn't make the love any less real.
Dr. Lance Sweets: Mm-hmm, perhaps you're saying this because you haven't met the love of your life.
Angela Montenegro: I have actually. Many times.
Dr. Lance Sweets: Fine. It seems to me that you always leave yourself an escape hatch in your relationships, because you afraid of commitment.
Angela Montenegro: Nice try. But no. Actually, I commit to every person I love.
Dr. Lance Sweets: You marry a man and then conveniently forget that you married him because you got zonked on Kava Kava. That compromises your relationship with Hodgins so that ends, along with the marriage. Now you say you have these intense feelings for an ex-lover whose heart you've already broken. Don't you see the potential disaster here?
Angela Montenegro: Look, you said that, without the possibility of pain, there can be no joy, no real love.
Dr. Lance Sweets: I said that? That's beautiful.
Angela Montenegro: Look... I don't want to hurt Roxie again.
Dr. Lance Sweets: Then Don't. Don't. Put her welfare first. Let Roxie decide if she's ready to pursue this relationship.
Angela Montenegro: Okay. And what if she doesn't?
Dr. Lance Sweets: Then I'm afraid you'll have to live with that pain.



A minha parte favorita é:

Angela Montenegro: Tu tens esta noção burguesa...
Dr. Lance Sweets: Burguesa?
Angela Montenegro: ...que para o amor ser real ele tem de ser permanente. Não há nada permanente. Isto é um facto. Começamos e deixamos de amar outras pessoas, mas isso não faz o amor ser menos real.
Dr. Lance Sweets: Mm-hmm, talvez estas a dizer isto porque nunca encontraste o amor da tua vida.
Angela Montenegro: Sim encontrei. Várias vezes.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Buba - Ode ao meu Cão

A tua vida inundou a minha. Noites na cama aos meus pés. As tuas orelhas ao vento. Ladrares sem parar a tudo o que se move. Arrastares a minha cadeira por não sei quantos metros. Defenderes a nossa casa como ninguém. Receberes-me sempre com tanto amor. Nunca fazeres o que te pedia.

Como em tudo na vida, aprendemos a nos amar. Eu a respeitar o teu desejo de liberdade. Tu a respeitares as mil pessoas que passavam lá por casa.

Ainda hoje no bairro me perguntam por ti. Foste o cão mais simpático que alguém podia ter. Na escola perto de casa todas as crianças gostavam de ti. E era com orgulho que te passeavas com um "GREVE" escrito no teu lombo nos dias das manifestações.

Depois quando a mãe decidiu por o nosso número de casa na tua trela era telefonemas todos os dias. Cheios de pena de ti. Sem perceberem bem que eras livre. Que não precisavas que tomassem conta de ti. Que para lá dos teus donos tinhas uma vida que era tua.

Os vizinhos, por vezes, traziam-te a casa e era com resultância que te recolhias. O que gostavas era da liberdade. Tal cão, tal dono?

Querias-me tanto que por vezes não sabia o que fazer. E querias-me tanto por perto que me atrapalhava. Mas eras o meu amigo incondicional, o meu companheiro, o meu irmão...

Estavas sempre lá, e eu estive sempre contigo. Daquela vez que quase morreste envenenado. Quando ficaste doente.

Tenho saudades tuas Buba. Foste o começo do meu crescimento, da minha vida adulta e das minhas responsabilidades.

E nunca te tinha agradecido. E nunca te tinha escrito. E nunca te tinha dito como me aquecias: os pés, o colo, o coração.

És o maior!!!

PS: A foto não é do Buba, mas é quase. Naquela altura não existiam fotos digitais. Mas assim que tiver uma foto dele mudo esta que está aqui.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Jesus e os Media, ou a construção do nosso futuro global

Juntar Jesus e os Media na mesma frase pode parecer um escândalo. Há muito que queria escrever-vos sobre este tema. A relação complicada que temos com os Media e com Jesus e como estes podem, poderiam interferir na nossa vida.

Nos meus devaneios cibernéticos encontrei-me com este senhor: INRI Cristo, que podem conhecer http://www.youtube.com/watch?v=l5FF4w6UkYM ou até http://www.youtube.com/watch?v=kgp-ZXWJZis. (Se quiserem procurar na net poderão encontrar muito mais sobre esta pessoa "curiosa") Este homem diz ser Jesus retornado e não teme as câmaras, nem os Talk-Shows.

Por outro lado, tenho pensado imenso, e já há muito tempo ,no papel dos Media. Trabalhei durante algum tempo numa Agência de Comunicação e, imagino, que o que fiz lá seja igual ao que todas as agências fazem. Confesso que foi surpreendente para mim a forma como as empresas, as agências de comunicação, e os media se relacionam. Há algo de terrivelmente perturbador nessa relação. E o que mais assusta é que os jornalistas, os editores, as empresas falham em perceber o perigo e a deturpação dessa relação umbilical.

Para além disso, os Media alimentam-se entre si, uns informam os outros, as Agências escrevem Press Releases já digeridos para os Media publicaram, as empresas oferecem bilhetes, refeições, presentes, passeios e tudo o mais às Agências e aos Media.

Ainda mais, os Media não acreditam no seu papel formativo, na importância que têm para a educação, o quanto mudam e educam os seus ouvintes, espectadores e leitores.

Já não existe o papel de informar!

Hoje o papel é o de surpreender, chocar, sensacionalizar. Tudo o que lemos e vemos e ouvimos vem em formato: tomem lá mais uma para verem como isto anda mal, ou então, eu sei que não acreditam mas realmente aconteceu mais esta desgraça.

Não sei qual é a solução, mas sei que há um problema que ninguém quer analisar, entender e caminhar em direcção a uma solução.

Mas e Jesus no meio disto? Perguntam vocês...

Quando vi o amigo do início a aparecer na TV questionei-me se Jesus voltasse à terra se ele seria televisionado ou não. Isto porque existe uma música fantástica que diz: "A Revolução Não Será Televisionada".






Não sei o que Jesus faria: se teria o seu Talk Show, se faria o milagre do desaparecimento das notícias, ou se expulsaria das suas imediações os jornalistas ansiosos por criar, fomentar, produzir e transmitir mais um escândalo.


Mas cuidado amigos, cuidado amigos jornalistas. O que escrevem, o que dizem, o que pensam não é inconsequente. Se alguém tem responsabilidade acrescida na construção do nosso futuro global são vocês.


Pensem nisso...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Como são os 35?


O que se pode dizer quando não se tem nada para dizer?



Sinto-me bem assim!

terça-feira, 24 de março de 2009

35 Anos de vida

Já me é habitual fornecer uma lista de coisas que gostaria de receber pelo meu aniversário que se aproxima. Pode ser sem vergonha, mas é prático :D





Quero o novo CD d' Os Azeitonas - Vi agora o vídeo Nos Desenhos Animados http://www.youtube.com/watch?v=fwWRe6zrLUc e amei.





Playmobil - Constelações - para poder fazer terapias personalizadas. Cada conjunto comprado cá custa 60 euros - vindo de fora custa 45 euros mais portes, mas podem saber mais aqui.










(OFERECIDO) Livro "Dia a Dia com os Anjos" de Marta Cabeza - explica-se por si. Podem ver mais aqui.









Livro "Curso em Milagres"
- explica-se por si. Mas podem saber mais sobre ele aqui.











Qualquer obra sobre constelações
- explica-se por si.










Motown 50 Anos - CD triplo. Podem saber mais do album aqui.






Cápsulas Nespresso - em qualquer quantidade e variedade (para a minha super máquina). De preferência com intensidade superior a 6 para poder pôr no leite :D









Telemóvel Nokia N73 ou N78 Vodafone - preferia o N73 mas não sei se ainda se consegue encontrar...









Jogo da Transformação - it mirrors players' lives with amazing accuracy: highlighting strengths, identifying blind spots and bringing fresh perspectives to current challenges. Self discovery and growth become exciting and fun with this extraordinary tool of clarification and communication. Podem saber mais aqui.








Balança de Cozinha Electrónica - A minha mede o que lhe apetece e quando lhe apetece. Queria uma à séria. Esta não é cara Fagor BC-100



- Calças de desporto,
- Calções de desporto,
- Casaco de desporto,
- Bateria extra PSP.