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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Amor

Sobre o amor é muito interessante ver duas personagens de uma série dizerem coisas que considero tão pertinentes:

"Bones: The Skull in the Sculpture (#4.7)" (2008)
Dr. Lance Sweets: [Sitting together at a restaurant over dinner helping Angela work out her feelings and how she should go about her pursuing a her relationship with Roxie] It's exactly the same situation as the last time you were sitting here. Except, you know, you're quieter.
Angela Montenegro: No, that was about Hodgins. This is about Roxie.
Dr. Lance Sweets: [Loudly] You want to have sex with Roxie!
Angela Montenegro: What was that about quieter?
Dr. Lance Sweets: I'm sorry, I'm not certain you're being guided by your brain, that's all. Need can be confused with love. Fantasy can convince us that what we are feeling is love.
Angela Montenegro: So, you're saying is that this is all rebound?
Dr. Lance Sweets: Yeah.
Angela Montenegro: No, you don't understand love, Sweets.
Dr. Lance Sweets: I'm not as innocent as you might think.
Angela Montenegro: You have this bourgeois notion...
Dr. Lance Sweets: Bourgeois?
Angela Montenegro: ...that in order for love to be real it has to be permanent. Nothing is permanent. That's just a fact. We move in and out of loving other people, but that doesn't make the love any less real.
Dr. Lance Sweets: Mm-hmm, perhaps you're saying this because you haven't met the love of your life.
Angela Montenegro: I have actually. Many times.
Dr. Lance Sweets: Fine. It seems to me that you always leave yourself an escape hatch in your relationships, because you afraid of commitment.
Angela Montenegro: Nice try. But no. Actually, I commit to every person I love.
Dr. Lance Sweets: You marry a man and then conveniently forget that you married him because you got zonked on Kava Kava. That compromises your relationship with Hodgins so that ends, along with the marriage. Now you say you have these intense feelings for an ex-lover whose heart you've already broken. Don't you see the potential disaster here?
Angela Montenegro: Look, you said that, without the possibility of pain, there can be no joy, no real love.
Dr. Lance Sweets: I said that? That's beautiful.
Angela Montenegro: Look... I don't want to hurt Roxie again.
Dr. Lance Sweets: Then Don't. Don't. Put her welfare first. Let Roxie decide if she's ready to pursue this relationship.
Angela Montenegro: Okay. And what if she doesn't?
Dr. Lance Sweets: Then I'm afraid you'll have to live with that pain.



A minha parte favorita é:

Angela Montenegro: Tu tens esta noção burguesa...
Dr. Lance Sweets: Burguesa?
Angela Montenegro: ...que para o amor ser real ele tem de ser permanente. Não há nada permanente. Isto é um facto. Começamos e deixamos de amar outras pessoas, mas isso não faz o amor ser menos real.
Dr. Lance Sweets: Mm-hmm, talvez estas a dizer isto porque nunca encontraste o amor da tua vida.
Angela Montenegro: Sim encontrei. Várias vezes.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Buba - Ode ao meu Cão

A tua vida inundou a minha. Noites na cama aos meus pés. As tuas orelhas ao vento. Ladrares sem parar a tudo o que se move. Arrastares a minha cadeira por não sei quantos metros. Defenderes a nossa casa como ninguém. Receberes-me sempre com tanto amor. Nunca fazeres o que te pedia.

Como em tudo na vida, aprendemos a nos amar. Eu a respeitar o teu desejo de liberdade. Tu a respeitares as mil pessoas que passavam lá por casa.

Ainda hoje no bairro me perguntam por ti. Foste o cão mais simpático que alguém podia ter. Na escola perto de casa todas as crianças gostavam de ti. E era com orgulho que te passeavas com um "GREVE" escrito no teu lombo nos dias das manifestações.

Depois quando a mãe decidiu por o nosso número de casa na tua trela era telefonemas todos os dias. Cheios de pena de ti. Sem perceberem bem que eras livre. Que não precisavas que tomassem conta de ti. Que para lá dos teus donos tinhas uma vida que era tua.

Os vizinhos, por vezes, traziam-te a casa e era com resultância que te recolhias. O que gostavas era da liberdade. Tal cão, tal dono?

Querias-me tanto que por vezes não sabia o que fazer. E querias-me tanto por perto que me atrapalhava. Mas eras o meu amigo incondicional, o meu companheiro, o meu irmão...

Estavas sempre lá, e eu estive sempre contigo. Daquela vez que quase morreste envenenado. Quando ficaste doente.

Tenho saudades tuas Buba. Foste o começo do meu crescimento, da minha vida adulta e das minhas responsabilidades.

E nunca te tinha agradecido. E nunca te tinha escrito. E nunca te tinha dito como me aquecias: os pés, o colo, o coração.

És o maior!!!

PS: A foto não é do Buba, mas é quase. Naquela altura não existiam fotos digitais. Mas assim que tiver uma foto dele mudo esta que está aqui.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A descoberta da expressão da vontade

Durante muitos anos na minha vida acreditei seriamente que era falta de educação e abuso expressar a minha vontade. Quando me perguntavam o que queria, se preferia isto ou aquilo, se gostava ou não, tinha sempre a tendência para dizer: "tanto faz", ou "o que acharem melhor", etc.

E ainda mais, recusava sempre os presentes que me tentavam dar. A minha avó tinha-me ensinado que era falta de educação e que devíamos sempre recusar o que nos oferecem por humildade e modéstia.

Agora um pouco mais velho, mas não muito, encontro-me com pessoas que fazem o mesmo. Perguntamos o que querem, o que preferem, e por uma razão profunda que é a deles (como a minha era a minha) não são capazes de o expressar.

Escolhem por isso tantas vezes refugiar-se num sentido de neutralidade que na realidade não existe.

Depois, quando alguém decide por eles, e faz a escolha, acabam por sentir sempre que aquela escolha não expressa a sua vontade. E de alguma forma tenta encontrar formas de introduzir algo na conversação que deixa claro a insatisfação pela escolha que foi feita.

"Ah, aí se calhar é caro." ou "A comida não deve prestar." ou "Ouvi dizer que esse filme é mau." ou "Na praia deve tar frio." tudo sempre terminado com um "Mas vocês/tu é que sabem/sabes."

Esta ilusão de neutralidade acaba sempre por apenas prejudicar a própria pessoa, não porque seja importante o resultado (afinal de contas é apenas um processo negocial), mas porque temos o direito e o dever de expressar a nossa vontade.

Mesmo que com isso se gere conflito, ou a decisão se torne mais difícil.

Há alguns anos, nos Açores de férias, éramos cerca de 16 pessoas a decidir todos os dias o que fazer, o que comer, para onde ir, etc. E apesar de, ás vezes, passarmos uma hora para decidir, e de uns ficarem mais contentes e outros menos, o processo era verdadeiramente democrático e consensual. Tínhamos de encontrar uma solução comum.

Hoje tenho a certeza que a descoberta da expressão da vontade é uma conquista poderosa e pertinente, não do sucesso da vontade própria, mas da liberdade da expressão. Porque a expressão forma a nossa identidade, forma o nosso respeito, define-nos como seres vivos e sociais.

Mesmo que a expressão seja tantas vezes um não sei o que quero, mas sei o que não quero. Essa expressão torna tudo mais claro, e fortalece as relações. Na verdade encontramos sempre o respeito.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Humanidade - reflexos que reflectem

No outro dia estava a preparar o meu workshop de Constelações Familiares em Penamacor (já agora recordo que é dia 15 e 16 de Novembro) e andava à procura de uma imagem e de um tema para as minhas consultas individuais (para quem não sabe as Constelações podem ser feitas em consultas individuais e privadas).

Achei que o tema "Mais Sobre Quem Sou" era um tema perfeito pois me ligava, nas minhas questões profundas, às questões profundas do outro.

Sem saber muito bem procurei uma imagem para o conceito e encontrei-me com esta que imediatamente escolhi.

Se ainda não perceberam nada espero conseguir ser mais claro agora:

Adoro a humanidade: primeiro, a minha em particular; depois, a do mundo em geral. Gosto de pessoas. Dos seus seres, dos seus pareceres e dos seus quereres.

O homem humano fascina-me: seja o rapaz de calções a correr com um blusão fluorescente, ou a senhora que me pede dinheiro no vidro do carro com sinais misteriosos. Seja o condutor do autocarro (demasiado rápido) ou da pele africana que brilha um castanho doirado ao sol.

Adoro que pensemos tanto em nós e nos outros. Adoro a complexidade da comunicação. E o excesso de informação da Internet.

Nós somos fantásticos, multicoloridos, diversificados e complexificados. Somos.

E neles vejo sempre um pouco de mim, de mim feliz e grávido, ou de mim de cabelo branco e bengala. De mim jovem executivo numa Vespa Preta Brilhante (já faltou mais para a vespa).

Gosto dos cheiros e das cores, dos sons e da confusão. De como a cidade se esvazia de pessoas e parece que todos desapareceram, para no segundo a seguir sermos atropelados por pessoas que estão mais ali do que aqui.

É este mundo humano que amo, que me humaniza e que ermaniza.

Sejam todos bem vindos ao meu mundo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

ERA INVEJA

No Brasil, três coisas são indiscutivelmente democráticas. A praia, que debaixo de um sol junta madame e funkeira trajadas no mesmo uniforme. O futebol, que une o ladrão e o padre numa imensa fraternidade. E o trânsito, que bota o Zé do Chevette e João do Jaguar lado a lado, paralisados pela mesma encrenca. Das três brasilidades, o futebol é a que mais me intriga.

Tenho um namorado que ama a bola. É uma pessoa cheia de virtudes, mas, se há uma constância em seu caráter, esta é a impontualidade. Não consegue chegar na hora, o mundo o atrapalha, a menos é claro no caso do futebol. Não falo aqui daquele jogo no estádio com hora oficial para começar, refiro-me à pelada, ao racha, àquele bate-bola entre amigos, que no caso aqui de casa acontece três vezes por semana. O campo é longe, uma viagem, o sol a pino - não importa. Dia do compromisso logo cedo o moço fica ansioso, não pode atrasar e não há imprevisto que o segure. Nesses dias meu amor é um britânico!

Sábado desses resolvi acompanhá-lo. Os companheiros de partida, esbeltos desportistas, não gostaram nadinha, mas, gentis, fizeram que sim. Aquilo não é lugar de mulher, eu já devia saber. Para compensar o mal-estar, começa o jogo e eu bato muita palma, exagero o entusiasmo, assovio e tanto faço que o dono do campo a quem eu bajulava escancaradamente sentiu-se na obrigação de me dedicar um gol. Segue o embate com altos e baixos, a coisa aquece e pimba... um golaço, aquele chutão do meio do campo para dentro da rede à Roberto Carlos. As más-línguas desmerecendo o artilheiro dizem que o momento é histórico e não se repetirá - não acredito, foi jogada de mestre; vi e guardarei na memória. Continua a partida com bons momentos, outros nem tanto, uma contusão aqui, uma falta ali, um corpo caído no chão.

De repente me bate uma estranheza e vou percebendo que acima da bola, das jogadas, do corre para lá e para cá, o que mais se via, na verdade, eram discussões, ofensas, xingamentos e uma roubalheira de fazer corar um palmito. A coisa chegou a um ponto em que tive a certeza de que terminado aquilo os adversários não voltariam a se falar. Acaba o jogo. Entre vitórias e desilusões, corre-se para o vestiário e devo dizer que nem na feira fala-se tão alto e ao mesmo tempo quanto num banheiro cheio de homens; eu não estava dentro, mas nem precisava...

Fiquei quietinha do lado de fora esperando meu namorado, que, pela delonga, tomava um banho de Cleópatra. Assim, pude observar bem os outros rapazes que sorridentes e limpinhos iam saindo do vestiário qual amigos de infância. Aqueles mesmos que há pouco se juravam de morte agora pavoneavam-se uns para os outros aos tapinhas nas costas. Havia ali cantores-compositores, um sapateiro, o editor de um jornal, um empresário da música, atores, um jogador aposentado, dois médicos e alguns moços das redondezas empobrecidas cuja competência em campo desequilibrara o jogo -tudo adversário de sangue na hora da bola e amigo do peito na saída para o chope. Na pelada não há rancores, o que se passa em campo fica no campo. Nem pudores, ali são todos craques - o vírus da imodéstia ataca democraticamente. Uma beleza!

Fui-me embora com um vazio a futucar o espírito. O que nós, mulheres, temos de parecido, o shopping, o salão? Nem chegam perto. Não pode xingar, espernear, soltar os sapos da garganta - além do que, num noutro, o máximo de exercício que se faz é com a língua na futrica da vida alheia ? muito chato. Não havia como negar, o brinquedo dos rapazes é divertido como só, e meu vazio era de inveja.

Nós, mulheres, não temos nada que se compare!

* Maitê Proença

Obrigado RL

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

"A Revolta dos Keridos" 2

Segundo o comentário de uma amiga:
"Os homens, ou são ursinhos, ou são ursos."
Venha o diabo e escolha!!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

“A Revolta dos Keridos”

- És um kerido! – já me o disseram muitas vezes. (ou querido, dependendo do contexto escrito ou oral) – Mesmo, mesmo. – reforçam.

Acho que existe, e sempre existiu, um desafio essencial no relacionamento entre os homens e as mulheres. Não sei a que se deve, mas é evidente. Os padrões, os valores, as prioridades, a forma de se expressarem são por vezes opostas.

Quando uma rapariga diz ao namorado (como se viu por aí numa película): - Se calhar está na altura de expressar o nosso sentimento de modo diferente. O rapaz pensa SEXO!!!, enquanto a rapariga diz: - Amo-te. Fica claro que existem problemas de contextualização e de definição de prioridades: as prioridades para cada um dos sexos são, pura e simplesmente, diferentes.

Mas existem outras barreiras. Mesmo quando é clara a diferença fundamental, ainda há um problema de interpretação, de compreensão elementar. Porque no fundo é como se nós falássemos (homens e mulheres) uma língua elementar, mas que quando começamos a tentar elaborar questões mais complexas, se transforma num fiasco linguístico e relacional.

Se faço este comentário escrito é porque espero poder clarear alguns de nós nos conceitos utilizados, e na referência aos sentimentos expressos entre duas pessoas, principalmente quando são de sexos diferentes.

Começo por usar conceitos gentilmente facultados por uma amiga, que me parece ajudar a esclarecer a organização essencial dos sentimentos. Assim, para ela, e julgo que para várias mulheres e homens no mundo, existem três categorias principais: Kerido, que poderia ser querido, mas temos de nos ir ajustando aos tempos tecnológicos; Giro, que é no fundo a beleza estética da pessoa; e agora a novidade absoluta, pelo menos em termos de expressão: já marchava.

Ora confesso que tudo isto me fascina, principalmente a “já marchibilidade”. Ser “já marchável” é sem dúvida a categoria mais elevada que um homem pode almejar, enquanto, presumo sem ter a certeza, que a “gireza” será a que as mulheres preferem.

Não posso garantir, mas julgo que todos os homens tem uma parte de si que sonha em ser “já marchavas oh grosso”, que não se importam de ser “giros” e que realmente não gostam de ser “keridos” (Sim mulheres deste mundo!!! É verdade, não gostamos)

Para as mulheres acho que todas as mulheres adorariam ser “Giras” ou “Lindas”, dependendo do ambiente, depois muito “Keridas” e por último “Já marchavas oh boa” (Sim malta da cerveja, elas não apreciam ser vistas como objectos. Sim, tenho a certeza).

Aqui também poderíamos dissertar sobre o lado público e privado destas escolhas, mas agora deixaremos isso de lado.

Voltando à equação em causa esta levanta graves problemas: os homens querem marchar, mas as mulheres querem ser lindas. As mulheres detestam ser marcháveis e os homens ser keridos.

Porquê?

Porque no fundo são ambos o mesmo essencial problema, um que confesso ter sentido na pele, desde há alguns anos: estereótipos. Confortáveis, arrumadinhos e úteis estereótipos. As mulheres detestam ser vistas apenas como carne, como algo que é um objecto sexual, elementar e primário. E os homens não gostam de ser vistos como apenas ursinhos carinhosos, amigos queridos, cavalheiros e dedicados, destituídos de corpo, de sexo, de vontade, de prazer.

Julgo que a solução passa por algo até simples: vamos evitar colocar rótulos nos homens e nas mulheres, vamos evitar arrumar as pessoas que lidamos dentro de cómodas gavetas. E dividi-las, espartilhá-las e aproveitar o que nos interessa. Sim uma mulher tem corpo, tem sexo, mas também tem personalidade, interesses, existe. E nós homens, não somos amigos assexuados, sem corpo, apenas inteligentes, interessantes, bonzinhos.

Dividir-nos assim, ao meio, apenas olhando, avaliando, e utilizando o que nos interessa afasta-nos. Reduz as relações a mínimos múltiplos comuns. Aquilo que eu gosto em ti e tu tens. Não dois seres vivos a conhecerem-se com todos os desafios e limitações característicos. Temos de correr esse risco.

E por favor, nunca, mas nunca mais digam que sou “kerido”. Nunca mais!