Há um espaço que não cansa. Há um tempo que corre tranquilo. Há sempre lugar para tudo. Caminhamos com um sorriso. Afinal, há BOM TEMPO NO CANAL. Este é um blog sobre quase tudo, mas principalmente sobre o dia a dia, os acontecimentos, as pessoas e as suas relações.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Amor que vale a pena
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Crónicas sobre Angola
Hoje consegui acesso à net pelo que publiquei duas crónicas sobre a minha vida e aventura em Luanda.
Podem ler mais em www.bernardoramirez.com onde vou publicar regularmente as minhas aventuras.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Universo das infinitas possibilidades
Estou permanentemente no Universo das Infinitas Possibilidades.Esse gigante oceano é como todos os grandes mares. Pode nos suportar, deixar-nos flutuar, acarinhar com a frescura da sua água, envolver-nos com carinhos e movimentos que lembram o embalar materno.
Mas também pode se transformar num ser espumoso, furioso, destruidor. Um ser frio e intempestivo. Uma massa poderosa e destruidora que nos arrasa e consome sem dó nem piedade.
Este Universo das Infinitas Possibilidades abre-me muitas vezes as portas para a magia do desconhecido, para a beleza do amor, para a alegria da aventura e do inesperado. Mas tantas outras vezes confronta-me com as minhas fragilidades. Desperta os meus fantasmas. Coloca-me num modo de repetição que me leva tantas vezes ao mesmo ponto.
E nesse Universo das Infinitas Possibilidades pergunto-me, ás vezes com alegria, outras vezes com sofrimento, o porquê? O porquê de tantas vezes sentir que percorri um grande caminho, e o de tantas outras vezes sentir que ainda estou no mesmo sítio.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A descoberta da expressão da vontade
E ainda mais, recusava sempre os presentes que me tentavam dar. A minha avó tinha-me ensinado que era falta de educação e que devíamos sempre recusar o que nos oferecem por humildade e modéstia.
Agora um pouco mais velho, mas não muito, encontro-me com pessoas que fazem o mesmo. Perguntamos o que querem, o que preferem, e por uma razão profunda que é a deles (como a minha era a minha) não são capazes de o expressar.
Escolhem por isso tantas vezes refugiar-se num sentido de neutralidade que na realidade não existe.
Depois, quando alguém decide por eles, e faz a escolha, acabam por sentir sempre que aquela escolha não expressa a sua vontade. E de alguma forma tenta encontrar formas de introduzir algo na conversação que deixa claro a insatisfação pela escolha que foi feita.
"Ah, aí se calhar é caro." ou "A comida não deve prestar." ou "Ouvi dizer que esse filme é mau." ou "Na praia deve tar frio." tudo sempre terminado com um "Mas vocês/tu é que sabem/sabes."
Esta ilusão de neutralidade acaba sempre por apenas prejudicar a própria pessoa, não porque seja importante o resultado (afinal de contas é apenas um processo negocial), mas porque temos o direito e o dever de expressar a nossa vontade.
Mesmo que com isso se gere conflito, ou a decisão se torne mais difícil.
Há alguns anos, nos Açores de férias, éramos cerca de 16 pessoas a decidir todos os dias o que fazer, o que comer, para onde ir, etc. E apesar de, ás vezes, passarmos uma hora para decidir, e de uns ficarem mais contentes e outros menos, o processo era verdadeiramente democrático e consensual. Tínhamos de encontrar uma solução comum.
Hoje tenho a certeza que a descoberta da expressão da vontade é uma conquista poderosa e pertinente, não do sucesso da vontade própria, mas da liberdade da expressão. Porque a expressão forma a nossa identidade, forma o nosso respeito, define-nos como seres vivos e sociais.
Mesmo que a expressão seja tantas vezes um não sei o que quero, mas sei o que não quero. Essa expressão torna tudo mais claro, e fortalece as relações. Na verdade encontramos sempre o respeito.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Humanidade - reflexos que reflectem
No outro dia estava a preparar o meu workshop de Constelações Familiares em Penamacor (já agora recordo que é dia 15 e 16 de Novembro) e andava à procura de uma imagem e de um tema para as minhas consultas individuais (para quem não sabe as Constelações podem ser feitas em consultas individuais e privadas).Achei que o tema "Mais Sobre Quem Sou" era um tema perfeito pois me ligava, nas minhas questões profundas, às questões profundas do outro.
Sem saber muito bem procurei uma imagem para o conceito e encontrei-me com esta que imediatamente escolhi.
Se ainda não perceberam nada espero conseguir ser mais claro agora:
Adoro a humanidade: primeiro, a minha em particular; depois, a do mundo em geral. Gosto de pessoas. Dos seus seres, dos seus pareceres e dos seus quereres.
O homem humano fascina-me: seja o rapaz de calções a correr com um blusão fluorescente, ou a senhora que me pede dinheiro no vidro do carro com sinais misteriosos. Seja o condutor do autocarro (demasiado rápido) ou da pele africana que brilha um castanho doirado ao sol.
Adoro que pensemos tanto em nós e nos outros. Adoro a complexidade da comunicação. E o excesso de informação da Internet.
Nós somos fantásticos, multicoloridos, diversificados e complexificados. Somos.
E neles vejo sempre um pouco de mim, de mim feliz e grávido, ou de mim de cabelo branco e bengala. De mim jovem executivo numa Vespa Preta Brilhante (já faltou mais para a vespa).
Gosto dos cheiros e das cores, dos sons e da confusão. De como a cidade se esvazia de pessoas e parece que todos desapareceram, para no segundo a seguir sermos atropelados por pessoas que estão mais ali do que aqui.
É este mundo humano que amo, que me humaniza e que ermaniza.
Sejam todos bem vindos ao meu mundo.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Re-construção
Há momentos de iluminação, de esclarecimento, de sentido, de ressentido, de esquecimento.
Fracções de uma inteira vida de sentir, de ver, de viver, de amar, e de doer.
E independentemente de todos os desejos, de todas as vontades, de todas as intenções ficam os factos, os acontecimentos, e a história.
E a alegria é a esperança e é celebração de estarmos vivos. Estamos vivos. Somos vivos. Seres vivos. Em vida.
E nessa jornada tantas vezes as escolhas que fazemos entram em conflito com os outros, doem aos outros, estranham aos outros. Mas a nossa vida é nossa.
Resta-nos a responsabilidade e a confiança. Haja luz para iluminar e a coragem de caminhar sempre alegre e de cabeça erguida.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Importa-se de repetir?
quarta-feira, 19 de março de 2008
Casa de Carcavelos - Passo I
Dedicado à mãe Elvina
Casa em Carcavelos
Eu quero uma casa que me faça feliz. Uma casa que me faça crescer. Uma casa que sinta o mar.
Eu quero uma casa com jardim. Uma casa com crianças. Uma casa com sol e pessoas a entrar e a sair.
Eu quero uma casa bonita e espaçosa. Uma casa com amor e humor. Quero uma casa para viver.
Hoje dei um passo muito grande nesse sentido.
Obrigado pela confiança, pelo carinho e pela oferta.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Alegria

Não deve haver alegria maior que descobrir que vamos ajudar a construir uma nova vida. Que em parte vem de nós e é parte de nós. Alegria para mim de fazer parte da vida da A. e do J. Parabéns AMIGOS
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Quantos são?

Só para avisar o universo que dou conta de tudo o que me enviar. Sem medo. Porque há sempre a esperança que amanhã seja um dia muito melhor. Viva a vida
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Todos sabemos
A dificuldade é, por vezes, não ter medo, nem vergonha, nem culpa, de o vermos, e mais ainda de o aceitarmos. De sermos capazes de agir a seu favor, de caminhar em sua direcção.
Mas como o "sonho comanda a vida" esse poderá ser o segredo da felicidade. O sentido de propósito. O saber que seguimos na direcção daquilo que, apesar de verdadeiramente sermos, ainda não conseguimos alcançar.
Mas cada passo nesse sentido é uma vitória.
E pode até parecer duro, difícil. Que as coisas que acontecem nos enfurecem, nos entristecem, que são injustas ou amargas.
Mas tudo é nesse sentido. Nessa direcção. E se confiamos... Se confiamos esse caminho abre-se para nós. E o impossível passa só a ser díficil, e o difícil a fácil.
Força.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Somos os CRIADORES da nossa VIDA
powered by .....***Sissi***.....quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
O Segredo

Apesar de simples este é um bom segredo para se partilhar:
"Se querem alguma COISA (seja ela qual for), se é importante, se vos faz falta, se a desejam, para a conseguirem basta apenas começar por A PEDIR."
Daniela Santos said...
O segredo.... viste o filme?
Eu vi-o na empresa onde trabalho e, deixa-me dizer-te que, talvez pelo contexto em que me foi mostrado, soou-me um bocado a lavagem cerebral. No entanto, limando exageros de conteúdo, há muita coisa que se aproveita.
Btw, a Oprah fez um especial do "The Secret". Está diponível em http://www2.oprah.com/index.jhtml
bjs
09 Fevereiro, 2007 16:41
sábado, 27 de janeiro de 2007
O que nos faz sorrir!

Nas últimas semanas tenho reflectido bastante sobre as escolhas profissionais que fazemos na vida. Primeiro, um almoço com a minha amiga RM levantou a eterna questão inicial: "Afinal porque não nos sentimos concretizados com o que fazemos na vida?". Esta questão não era nova, era velha, mas sempre permanente, e sem resposta ou solução (pelo menos que conseguisse vislumbrar no curto prazo).
Depois, noutro almoço com a amiga MF voltámos à questão: "Mas então trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar?" Falámos muito sobre escolhas, vontades, desejos, caprichos, sucessos ou insucessos. Já escrevi em tempo, que este é um problema da nossa geração. Esta dúvida sobre a nossa carreira, sobre quem somos, sobre o que queremos ser, o que nos faz feliz.
Mas ontem, surpreendentemente, num lanche com a RM (oh grande fonte de inspiração), ela perguntava com alguma simples profundidade: "Mas afinal dessas coisas todas já descobriste o que realmente te faz feliz? O que é que gostavas mesmo de fazer?"
Não lhe soube responder... Sei algumas coisas: "Pessoas, Natureza, Ajudar, Ensinar, Tecnologia, Espiritualidade" São tudo parte importante do que eu gostaria de fazer.
E vocês? Já pensaram nisto? O que afinal vos faz sorrir?
PS: Agradeço a todos os fotógrafos ou proprietários dos sites de onde copiei as fotos sem nenhuma espécie de autorização.
- Icnêuma said...
-
A mim? Este excerto.
Ora lê:
"Nas aldeias antigas, as mulheres do campo
esperavam o princípio da tarde para correrem
no meio das searas, em busca de uma clareira
onde se pudessem despir, para que o sol,
descendo à terra, as pudesse possuir. O fogo
que nascia dos seus lábios pegava-se à erva,
e durante um instante toda a seara ardia,
sem fogo nem fumo, apenas com o desejo
que se soltava da sua boca, e ia apagar o sol,
nas tardes em que a noite caía mais cedo.
Espreitei essas mulheres quando voltavam
das searas, e nos seus olhos traziam um cansaço
de amor. Acompanhei-as às suas casas, e vi-as
deitarem-se contra a parede, olhando os seus
rostos no espelho que as velhas seguravam.
Tinham no rosto um princípio de melancolia;
mas diziam-me que a noite resolveria tudo,
quando a sua cabeça se enchesse de sonhos.
«Que queres daqui?» perguntavam-me. E eu
pedia-lhes que me guardassem a imagem
do espelho, em que a eternidade se dissipa,
como o seu sorriso no rescaldo do prazer"
Nuno Júdice @ 12:46 27 Janeiro, 2007 14:05
Daniela Santos said...
São tantas as coisas que me fazem sorrir, que às vezes até me pergunto como é possível ficar com uma "trombinha" de metro e meio!
Os fins de tarde na esplanada do Adamastor, no Verão, a ler graphic novels do Dave McKean, os jantares com os amigos que não se perdem, as memórias dos amores bem vividos...
PS - Co' a breca, estou a ficar viciada neste blog!
29 Janeiro, 2007 18:47
Bernardo said ...
A mim faz-me sorrir os vossos comentários. Obrigado- Anonymous said...
-
A mim fazes-me sorrir tu, meu querido amigo :-)
RM06 Fevereiro, 2007 12:44
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
A favor do não sei
Se a minha opinião não é pertinente por si, a partilha no espaço público das nossas próprias reflexões tem o valor de poder promover e fomentar as reflexões dos outros.
Aqui discrimino os principais valores com que me oriento:
1 - Sempre a favor da vida
Sou sempre a favor da vida, da escolha de viver, do amor pela vida, pela paz, pela justiça, pela alegria e pela harmonia. Se o referendo fosse sobre o valor da vida humana em si responderia sempre que sim: acima de tudo a vida, primeiro a humana, mas também a animal, a vegetal, a mineral, a espiritual, a emocional e todas as formas e expressões de vida.
2 - Sempre a favor da liberdade de escolha
Sou sempre a favor da liberdade de escolha. Desconfio dos que querem moldar, determinar, orientar ou punir as escolhas dos outros, principalmente quando estas são do foro privado e íntimo, e ainda mais quando não têm repercussões directas na vida do meio social em que se integram.
Mas mesmo quando o têm, acho que a cada um cabe o direito de fazer as suas escolhas, sem limitações. Por muito doloroso que seja para o próximo, proibir será realmente ajudar o próximo? Educar?
3 - Sempre a favor da educação
Acho que perdemos o sentido do que é relevante nestas questões. Não é se o aborto deve ser livre ou não. Se o devem fazer com o seu próprio dinheiro ou pagos pelo estado. Não é se é moralmente correcto ou incorrecto. A pergunta que me é pertinente é: porque é que acontece?
Porque é que o aborto existe? Porque há pobreza, porque falta educação, porque falta solidariedade, porque falta esperança...
Acredito profundamente que são esses os males a combater, são nestas áreas que os investimentos devem ser feitos.
Se o dinheiro que se gasta em campanhas a favor do sim ou do não fosse investido em educação, talvez este problema se suprimisse mais rapidamente.
4 - Sempre a favor da informação
Acho que andamos a brincar ao gosto mais disto ou daquilo. Afinal este referendo trata do quê? Do aborto propriamente dito? Da sua despenalização? Qual é a legislação em vigor? Quantos abortos ilegais são feitos? E legais?
É fácil dizer sim ou dizer não. É difícil escolher em consciência. Este é o jogo dos media, da nossa sociedade. Agora vamos brincar aos prós e aos contras. Vamos ser contra ou a favor. Mas afinal o que está por trás desta questão?
5 - Sempre a favor da participação
Acredito que a decisão do aborto, a existir tem de ser participada. Ou seja, não basta apenas à mãe decidir que não o quer, que não o pode ter, acredito que o pai tem direito sobre esse ser também. Sobre a forma da sua vida futura e sobre o que irá acontecer.
Num acto participado pelos dois, são os dois que devem decidir e assumir as suas consequências.
6 - Sempre a favor do que virá
Independentemente do resultado do próximo dia 11, acredito que há processos irreversíveis, que a forma como a sociedade se regula não se coaduna com vontades, pareceres, decisões e determinismos. Podemos ser contra ou a favor, mas acho que a despenalização é irreversível, pelo menos do ponto de vista legal.
No entanto, também vos quero ouvir.
E tu? O que achas?
- Cyberpunk said...
-
Olá! Parece que é preciso um tema destes para vir comentar no teu blog.
Uma questão, a propósito do ponto 5 (sobre a participação do pai e da decisão partilhada), neste cenário:
Num país em que o aborto é legal, a mãe pretende interromper a gravidez, mas o pai não. Achas que o direito de pai vai prevalecer sobre o direito da mulher? Não estou a ver um juiz a obrigar uma mulher a ter um filho só porque o pai quer...24 Janeiro, 2007 18:40
- Anonymous said...
-
Meu querido amigo,
Penso que pode haver uma confusão generalizada que dificulta a análise a este referendo...
Não se vai votar se se é a favor ou contra a vida.
Em princípio ninguém é a favor do aborto e todos são a favor da vida humana.
A questão é saber se queremos que quem o faz deve, ou não, ser condenada pela justiça?
Tanto os movimentos do não e do sim devem explicar porque acham que deve, ou não, condenar quem opta por abortar.
Um abraço
JV25 Janeiro, 2007 12:19
-
Sem dúvida, sempre a favor da vida... sempre menos quando o que está em causa é o direito à autodeterminação sexual da mulher, como o legislador português já salvaguarda!
25 Janeiro, 2007 13:34
Bernardo said...
Começo por agradecer os vossos comentários, e dar-vos as boas vindas.
Em relação do aborto entre pais que divergem de opinião, não há, obviamente, respostas fáceis. Apenas considero que pode existir soluções consertadas. O pai pode assumir os encargos da mãe no período da gravidez e posteriormente ao nascimento. Sei que é violento forçar uma mulher a carregar uma criança que não quer por nove meses, mas também é violento ter a participação do pai para uma coisa, e ignorar a sua vontade em relação ao resultado da sua participação. Voto por uma maior consciência e soluções de compromisso.
"A questão é saber se queremos que quem o faz deve, ou não, ser condenada pela justiça?" Sim, claro - como também o disse sou a favor da liberdade de escolha, e não aceito que seja a sociedade a punir alguém por uma escolha pessoal e extremamente íntima. Temos direito de preservar a vida sobre qualquer custo?
"sempre menos quando o que está em causa é o direito à autodeterminação sexual da mulher" Sim também concordo - desde que essa autodeterminação seja consciente nos actos e nas consequências. Não concordo que só se exijam o respeito e liberdade nas escolhas das consequências dos actos, e não dos próprios actos.
Cyberpunk said...
"Voto por uma maior consciência e soluções de compromisso." - Pois, eu também. É uma frase bonita.
Mas na prática queres dizer o quê? És a favor ou contra a legalização da Interrupção Voluntária da Gravidez? (atenção que não estou a perguntar se és contra ou a favor do aborto)
26 Janeiro, 2007 14:25
Bernardo said...
Mulher pragmática esta Cyberpunk! Se a pergunta do referendo fosse: "É a favor da legalização da Interrupção Voluntária da Gravidez?", eu teria que responder SIM.- Le Franquet said...
-
No próximo dia 11 de Fev. vou votar Não.
Apesar de ser sensível a alguns argumentos do sim, sobretudo àqueles que enfatizam a injustiça de uma penalização que atinge inevitavelmente as mulheres mais desfavorecidas.
Contudo, creio que a despenalização visada por este referendo aponta para além dela, abrindo a porta à liberalização, desde logo assinalada na pergunta “(…) por vontade da mulher”.
Estou convencido de que ninguém pode decidir sobre a vida de outrem. E creio que a infindável discussão técnico-científica sobre o começo da vida perde sentido face a uma exclamação tão maravilhosa quanto misteriosa para um homem: “estou grávida!”27 Janeiro, 2007 11:08
Bernardo said ...
Amigo Franquet, sem dúvida que essa exclamação é maravilhosa. Recordo aliás um dia, em que um casal amigo me disse assim: "Estamos grávidos!" Acho que esse tem de ser o princípio. O da inclusão do casal e da criança, ou crianças que irão nascer. No entanto, todos os dias ouvimos histórias de crianças maltratadas, abusadas, feridas, abandonadas. Futuros incertos e dolorosos. Que pesados em contra-posição a tristeza do aborto não consigo decidir em rigor qual é melhor.
Uma coisa é certa, a dor e a injustiça do mundo não se resolvem com os votos, ou com um referendo, mas com a acção constante e determinada de quem sabe fazer parte de um todo.
- Icnêuma said...
-
«O acto sexual é para ter filhos» - disse na Assembleia da República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.
A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de
Lisboa em 5 de Abril desse ano - fez rir todas as bancadas parlamentares,
sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
Uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
(Natália Correia - 3 de Abril de 1982)27 Janeiro, 2007 11:28
- Anonymous said...
-
Meu amigo franquet,
As únicas vezes que escrevi aqui foi sobre este tema e já parece que faço campanha. Nada disso. Apenas sinto necessidade de reforçar a ideia de que ninguém vai votar no dia 11 a favor ou contra o aborto.
É óbvio que ninguém é a favor.
O facto de um casal estar prestes a conceber uma criança é íntimo e sagrado, mas nada tem a ver com o referendo de dia 11.
Quem aborta, porque o tem de fazer, porque o quer fazer ou seja lá por que razão for, deve, ou não, ser acusada de crime?
É esta a pergunta ao qual vamos responder, sim ou não.
um abraço amigo
JV29 Janeiro, 2007 21:06
- Le Franquet said...
-
Amigo JV, permite-me discordar da tua última posição.
Conforme pode ser lido na pergunta, não é somente sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez que nos vamos pronunciar no próximo dia 11 de Fev. Para além disso vamos também pronunciar-nos sobre a possibilidade de essa interrupção poder realizar-se por opção da mulher. Isto quer dizer que bastará à mulher (a mãe) dizer “eu quero” ou “porque sim”. Assim sendo, para além da despenalização vamos votar também a sua liberalização.
«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»
Creio que há qualquer coisa de egoísta no facto de somente os que já nasceram poderem pronunciar-se sobre os que ainda não nasceram mas já estão a caminho…30 Janeiro, 2007 10:45
- Anonymous said...
-
Caro Le Franquet,
Em relação ao teu comentário queria dizer que me parece bastante redutor e até cruel acreditar que as mulheres, porque o aborto vai ser despenalizado passam a fazer abortos apenas porque sim.
A parte que te incomoda, o "por opção da mulher" apesar de escrito de uma forma simples não quer dizer que é "porque bem lhe apetece". Acho difícil acreditar que alguém faz um aborto “porque bem lhe apetece”.
Não me parece que essa opção seja fácil ou simples NUNCA. A escolha de que falas, que te parece egoísta já é uma realidade. É uma opção que já existe contudo em moldes muito elitistas e hipócritas (quem tem dinheiro faz lá fora, quem não tem sujeita-se a condições graves). Mas seja em que moldes for, legal ou ilegalmente, com dinheiro numa clínica no estrangeiro ou a correr risco de vida NUNCA É FACIL NEM LEVIANA - nem se o aborto for despenalizado.
A dificuldade em ter de se optar por fazer um aborto não está, como deves calcular, no facto de abortar ser ou não um crime – aliás as questões legais devem ser o que menos preocupa uma mulher que se vê confrontada com o desespero de abortar.
O mais importante é dar a essas mulheres uma oportunidade para serem ouvidas e apoiadas.
Chama-me sonhadora se quiseres mas se calhar, se as coisas forem feitas em condições, sem ser às escondidas no meio do pânico e desespero, se calhar até é possível evitar alguns abortos. Se a interrupção voluntária da gravidez for uma escolha acompanhada por médicos capazes e sensíveis, que percebam o desespero da mulher e que lhes mostrem todas as opções existentes – se calhar algumas pensam melhor… e optam por ter o bebe.
Será que quando uma mulher se sujeita a um aborto clandestino, sozinha e em desespero há alguém que lhe fala, com calma e amor, sem julgar, nas possibilidades existentes? Será que há alguém que lhe diz: “Não tenhas medo, vai correr tudo bem.” - Eu acredito que se houvesse se calhar não se realizavam tantos abortos.
Eu sou contra o Aborto. Eu sou contra a hipocrisia. Dia 11 eu vou votar Sim.
RM05 Fevereiro, 2007 15:59
- Le Franquet said...
-
Caríssima RM,
Lamento se não me fiz entender. Vou procurar ser mais explícito.
Voto Não porque considero que ninguém tem o direito de decidir sobre a vida e a morte de um outro. Esta a posição de princípio. Reconheço que suscita muitas perplexidades e que, levada às últimas consequências, gera problemas difíceis de resolver. Para além disso, reconheço que é uma posição que arranca de um postulado inicial, também ele sujeito a muitas interrogações: o facto de considerar que o outro é uma pessoa, em potência é certo, mas uma pessoa, totalmente diferente da coisa.
Este postulado inicial pode ser discutível, aliás, é-o certamente. Mas convém lembrar que também a argumentação do sim arranca de postulados e pressuposições discutíveis.
Aqueles que consideram que votar sim, despenalizar nestas condições, é evitar um mal maior, mesmo sem o admitirem explicitamente, consideram que até às 10 semanas o nascituro é uma coisa e não uma pessoa ou uma vida humana, razão pela qual, perante um conflito de interesses e de direitos, defendem a posição da mulher, daquele ser que já nasceu.
Assim sendo, não posso concordar com aqueles que dizem que o que está em questão no referendo é, simplesmente, saber se queremos ou não que a mulher que aborta, naquelas condições e circunstâncias, deve ou não ser considerada criminosa. Essa é a questão, mas não há questão alguma que não tenha pressupostos. E nada poderemos discutir em profundidade se não discutirmos os pressupostos e postulados das questões que nos interrogam, dividem e, neste caso, embaraçam.08 Fevereiro, 2007 16:09
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
Oh tempo volta para trás, dá-me tudo o que perdi!
A minha irmã, com os seus 21 anos, serviu-me de referência. Ela é que é jovem adulta, ela é que percebe e se comunica com a linguagem "deles".
Sem ilusões Bernardo! Já és adulto, nada há a fazer. Podes ter alma de criança, mas tens de te assumir, és um adulto. Tens responsabilidades, vida e conhecimento de adulto.
Por isso transcrevi para vocês um "poema" que já foi musicalizado e que acho resume de forma inteligente estas questões. Em particular:
"Accept certain inalienable truths, prices will rise, politicians will philander, you too will get old, and when you do you'll fantasize that when you were young prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders."
"Aceita algumas verdades inalteráveis, os preços vão subir, os políticos vão falhar e tu também vais envelhecer, e quando isso acontecer vais fantasiar que, quando eras novo, os preços eram razoáveis, os políticos eram nobres e as crianças respeitavam os mais velhos."
| Everybody's Free (to wear sunscreen) |
| Mary Schmich Chicago Tribune |
| Ladies and Gentlemen of the class of '97... wear sunscreen. If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be IT. The long term benefits of sunscreen have been proved by scientists whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience. I will dispense this advice now. Enjoy the power and beauty of your youth. Never mind. You will not understand the power and beauty of your youth until they have faded. But trust me, in 20 years you'll look back at photos of yourself and recall in a way you can't grasp now how much possibility lay before you and how fabulous you really looked. You are NOT as fat as you imagine. Don't worry about the future; or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum. The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind; the kind that blindside you at 4pm on some idle Tuesday. Do one thing every day that scares you.
Sing. Don't be reckless with other people's hearts, don't put up with people who are reckless with yours.
Floss. Don't waste your time on jealousy; sometimes you're ahead, sometimes you're behind. The race is long, and in the end, it's only with yourself. Remember compliments you receive, forget the insults; if you succeed in doing this, tell me how. Keep your old love letters, throw away your old bank statements.
Stretch. Don't feel guilty if you don't know what you want to do with your life. The most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don't. Get plenty of calcium. Be kind to your knees, you'll miss them when they're gone. Maybe you'll marry, maybe you won't, maybe you'll have children, maybe you won't, maybe you'll divorce at 40, maybe you'll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary. Whatever you do, don't congratulate yourself too much or berate yourself, either. Your choices are half chance, so are everybody else's. Enjoy your body, use it every way you can. Don't be afraid of it, or what other people think of it, it's the greatest instrument you'll ever own. Dance. Even if you have nowhere to do it but in your own living room. Read the directions, even if you don't follow them. Do NOT read beauty magazines, they will only make you feel ugly. Get to know your parents, you never know when they'll be gone for good. Be nice to your siblings; they are your best link to your past and the people most likely to stick with you in the future. Understand that friends come and go, but for the precious few you should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography in lifestyle because the older you get, the more you need the people you knew when you were young. Live in New York City once, but leave before it makes you hard; live in Northern California once, but leave before it makes you soft.
Travel. Accept certain inalienable truths, prices will rise, politicians will philander, you too will get old, and when you do you'll fantasize that when you were young prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders. Respect your elders. Don't expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund, maybe you'll have a wealthy spouse; but you never know when either one might run out. Don't mess too much with your hair, or by the time you're 40, it will look 85. Be careful whose advice you buy, but, be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts and recycling it for more than it's worth. But trust me on the sunscreen. |
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Aquilo que me ilumina o rosto
Tenho passado muito tempo a reflectir sobre os temas, as coisas, que mexem comigo, que me fazem sentir, viver, amar. Quem não me conhece pensará: que maluco este, não deve ter nada para fazer! Os que me conhecem já sabem que me entretenho com estas coisas da vida.E foi assim que cheguei à brilhante e também óbvia conclusão: os dois temas centrais da minha vida são a Fé e as Relações (nas suas diversas dimensões).
A fé porque nascemos e somos pessoas de fé: fé em nós, nos outros, em Deus, no mundo, na morte, na saudade, na alegria ou na tristeza. Porque vivemos porque acreditamos ou acreditamos que vivemos. Porque somos feitos de força e esta só pode advir da fé e da convicção na sua existência.
As relações porque tudo no mundo são relações. Porque me apaixona a complexidade, a dúvida, as dificuldades, as formas de comunicação e de complicação. Porque também na comunicação tem de existir fé. Porque temos de acreditar...
Não sei bem em quê ou onde poderia juntar estes dois grandes temas profissionalmente, mas posso-vos garantir que era nestes temas que gostaria de centrar a minha vida. Se souberem de algo, avisem :)
- joãozinha disse...
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A mim, entre muitas outras coisas, também me ilumina o rosto ler-te! Beijos e bom ano. Que em 2007 consigamos ser pessoas de rostos e corações ainda mais iluminados.
- 29 Dezembro, 2006 11:32
- diana banana disse...
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Quando eramos novos e mais inocentes, tu dedicavas á Astrologia o tempo que eu sempre achei que devias dedicar á vida.
Ler, compreender e ajudar os outros é uma tarefa que te aconselho a seres, para seres inteiro.
Beijão meu carneirão
sábado, 16 de dezembro de 2006
Faz-se uma casa

Tenho uma amiga que diz: Pedras no meu caminho?
Vou juntando-as e qualquer dia faço uma casa com elas.

Estas pedras são parte da vida. Umas vezes pesam, outras até se guardam na algibeira. Umas são bonitas e leves, outras pesadas e duras. Mas são sempre pedras, e podemos sempre fazer algo com elas :D




Uma boa imagem captada pela Sissi, onde eu José Matos, fui apanhado pelo seu olhar. A minha e vossa amiga Sissi é uma boa companheira e boa fotógrafa, com uma galeria de admirar. Parabéns pelo vosso Blog
José Matos
www.olhares.com/josematos
www.reflexosonline.com/josematos
10 Fevereiro, 2007 19:35