domingo, 11 de setembro de 2005

Edukadores

Hoje fui assistir a este filme de produção alemã. Confesso que sou fã de filmes americanos, de grandes efeitos especiais, de tramas padronizados e de personagens estandardizadas. Acho que me agrada passar aquele tempo cheio de fantasia fácil e cómoda. Cheio de coisas extraordinárias e simples, sem profundidade e que me divertem. As produções europeias, sem generalizar claro, tendem para um modelo que me aborrece. Recorrem muitas vezes a conceitos mentais, densidades que me entediam e que não acho muito diferentes das americanas. Apenas noutro modelo, noutro comprimento de onda. Existem sempre excepções e já tenho visto produções nacionais e europeias que me agradam muito. Recordo por exemplo o "Fala com Ela" do Almodôvar.

Este filme também pode encaixar-se nessa excepção. Não porque as questões sejam muito inovadoras, mas porque acho que são problemáticas comuns a todos nós. Por um lado, a do crescimento e das escolhas que fazemos conforme vamos envelhecendo. Por outro, as do peso das escolhas que fazemos e da importância ideológica das mesmas.

Diz um personagem: “Se antes dos trinta não fores liberal, não tens coração. Se depois dos trinta ainda fores liberal, és um idiota.” Não sei se é bem verdade, mas não posso questionar que se encaixa em grande parte dos moldes da sociedade ocidental. Realmente a rebeldia é algo natural a uma certa camada etária, ainda mais porque essa camada etária tem vindo a envelhecer e, por essa razão, as acções rebeldes acabam por tomar um maior dimensão, ser mais “revolucionárias” ou mais “contestarias”. Acho que todos já fomos do contra, todos já quisemos mudar o mundo, todos acreditámos que tínhamos o poder para o fazer, e que a nossa vontade era o que bastava. Também é verdade que chegada determinada idade conclui-se que o mundo não é assim tão branco e preto, que os bons e os maus não são divisões estanques, nem tão fáceis de definir, e que com a responsabilidade vêm decisões difíceis, que com o trabalho, com a família, com a aquisição de bens, tudo muda, as prioridades deixam de ser o mundo e passam a ser as nossas vidas pessoais, as nossas dívidas, as nossas dúvidas.

No meu caso pessoal sinto-me confuso. Porque sinto que cada vez mais estou mais próximo de uma mensagem mais liberal, mais de esquerda, mais idealista e sonhadora. Deixo a avaliação convosco.

A outra dimensão do filme também me é apaixonante. Se devemos ou temos poder e capacidade para abdicar de tudo pelo que acreditamos. E se o fazemos em nome de algo que acreditamos ou unicamente por medo, ou por necessidade de protagonismo. Não há respostas fáceis, mas estou certo que todos já o desejaram: deixar tudo e partir para algum sítio, para fazer alguma coisa que realmente acreditem. E a grande maioria, peço desculpa aos mais determinados, terá ficado no sofá adormecido.

Realmente é muito importante aquilo que acreditamos, mas não sei se a solução é afastarmo-nos do mundo em que vivemos ou se é encontrá-la no dia a dia. A distância, como já disse, é cómoda e importante. Mas não resolve. Que o digam todos aqueles que partiram e que quando voltaram encontraram tudo igual. Não porque as coisas não tenham mudado, mas porque as suas questões, que ficaram congeladas pela distância, não se resolveram sozinhas. É bom sermos rebeldes, e melhor ainda quando o fazemos por uma causa com importância e com justiça. “Hasta la victoria siempre.”

Mas realmente é uma reflexão individual, profunda e importante. Uma reflexão que o filme transporta para os nossos corações, com simplicidade, sem violência e com muitas interrogações. E até porque “Há pessoas que nunca mudam!”

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Implosão – Serviço Público de Bloguismo 2

Há razões para crer que terá sido a SIC a implodir!!!

CUIDADO, MUITO CUIDADO

Implosão – Serviço Público de Bloguismo

A todos os que se encontram na margem oeste do país, abaixo de Setúbal e acima de Melides aconselha-se todo o cuidado. Segundo informação noticiosa vão implodir umas coisas por lá. O que é isso? Não se preocupem, façam só o que estamos a dizer. Acreditem em nós! Se correr bem só se fracturam os prédios vizinhos, e alguns jornalistas de fato escuro e gravata ficarão com a barba chamuscada. Se correr mal podem cair relâmpagos dos céus e etc e tal. E se calhar um político ou dois podem ficar muito mal dispostos.

Avisa-se por isso a todos os habitantes para se fecharem em casa, longe de rádios e televisões. Assim salvam-se por três razões: não perdem tempo a ver parvoíces; depois não estupidificam a ver idiotas engravatados à frente da câmara a dizer coisa nenhuma, depois não sentem que perdem tempo e dinheiro em nadas e coisas nenhumas. E se quiserem aproveitar namorem, façam amor, falem com os vossos filhos ou pais ou amigos ou sei lá, coisas animadas e bem mais interessantes.

Se implodir, implodiu. Se não implodir, depois logo se vê.

Quem não tem Katrina, não tem nada.

RECOLHAM ÀS VOSSAS CAVES!!!

Katrina

"Era um assassino anunciado, mas quando o Katrina arrasou Alabama, Louisiana e Mississipi, poucos lideres se encontravam nos seus postos. Bush estava de férias no seu rancho em Crawford, Texas, e passaria os dois dias seguintes a reunir fundos para o seu partido na Califórnia e Arizona. O vice-presidente Dick Cheney repousava no Wyoming. A secretaria de Estado Condoleezza Rice comprava sapatos em Manhattan. Uma boa parte do staff presidencial faltou quando era mais preciso, incluindo conselheiros de imprensa, ausentes num casamento na Grécia." in Visão

Autárquicas LX - Encruzilhada

Estou numa encruzilhada política. Em quem votar para a capital? Por favor, preciso de ajuda...
Comentários serão muito úteis!!!

"Felizes os pobres de espírito, pois deles será o reino dos céus"

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Caminho de Santiago 1

O mar visto daqui parece imenso, sem fim, sempre azul esverdeado. Há um sentimento de paz, de força interior. Que belo este mar. Mar que nos liga, mar que nos dá vida, que nos alimenta, que nos refresca.

Saí do carro e subi as pedras intemporais que pairavam no alto do monte. Visto daqui, tudo parece tão mais pequeno, tão menos importante. Estou no fim da terra.

Há centenas de anos atrás, aqueles que percorriam o caminho em direcção a Santiago de Compostela vinham até aqui. Até ao fim da terra. Procuravam encontrar um oceano que não conheciam e levar com eles um pouco desta imensidão.

Acreditavam que a mãe de Jesus tinha desembarcado nas praias desta costa. Que tinha vindo acompanhar o corpo do apóstolo Tiago até ao seu último descanso.

Nessa altura, os que caminhavam centenas de quilómetros, e por vezes até milhares, queriam guardar um pouco da jornada consigo, queriam ter uma prova da sua jornada. E neste mar imenso as conchas (ou vieiras) representavam a conclusão dessa viagem, eram testemunhas simples da jornada.

O caminho era feito por muitas razões, mas acima de tudo por uma vontade interior, uma predisposição, uma fé que encontrariam algo no fim do caminho, ou no próprio caminho.

Agora que chegava aqui, ao fim da terra, que encontrava uma vez mais este encontro de terra e mar encontrei também a vontade de percorrer esse caminho. Não pelo destino do mesmo, mas pela jornada. Porque nesse caminho somos confrontados com o nosso próprio ser. O tempo anda mais devagar e o corpo torna-se o nosso veículo principal.

Mais depressa, ou mais devagar, para passar por aqui ou por ali, não importa. Não importa muito chegar a Santiago ou ir em direcção a outro qualquer lugar. Importa sim esse caminho interior, sem tecnologia, sem pressas e sem pressões.

Estava no alto do monte, em cima da pedra, perto do fim da terra. Será que tudo acaba aqui? Que se renova e recomeça? Não sei...

Mas a vontade nasceu. A vontade de percorrer.

Este jogo de vontades é curioso. Queremos fazer as coisas, mas depois olhando com atenção o que é que descobrimos? Que na realidade estamos sempre a percorrer um caminho. Um caminho que pode não ser de terra, nem de campos de trigo, nem de macieiras, mas sempre um caminho.

Mas ás vezes a distância faz bem, para vermos tudo em perspectiva, para percebermos melhor, para conseguirmos sentir, para nos encontrarmos. Sem pressas, sem pressões.

Não sei, neste instante, do fim da terra, se o meu percurso é este (o de Santiago) ou um outro qualquer. Mas sei que este chama por mim, e eu por ele. Não sei como, nem sei quando, mas chama por mim.