quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

INSISTO - Acreditem!!!


Vou repetir até me convencer:

Podemos agrupar as pessoas em dois grandes grupos: o que acredita que tem o poder de interferir na sua vida, e o que acredita que é apenas o resultado do que acontece e não tem capacidade para mudar.

Se pertencem ao grupo dos "crentes" então é óbvio que quanto mais positiva, optimista, afirmativa, crente e convicta for a forma de agirem, de se olharem e de se comunicarem, melhores serão os resultados da vossa vida.

Se pertencem aos "cépticos", então estou certo que mesmo sendo o resultado do que vos acontece, de que vale a pena terem medo, ou sentirem-se mal? Se não podem mudar nada, se são alvo das circunstâncias da vida, não é bem melhor que o façam com alegria. Pelo menos, até ao próximo incidente estão bem e confortáveis.

Será tão estranho?

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Ao meu avô Gualdino

Querido avô:
Nestes últimos dias tenho pensado muito em ti. Talvez seja esta avaliação que fazemos sobre o tempo que passou no ano anterior. Ou se calhar os meus trinta e um anos (a reflexão dos trinta). Já passaram tantos anos desde que partiste e tenho saudades. Muitas saudades.
Lembro-me tão bem dos momentos em que estivemos juntos. Recordo estar sentado ao teu lado, quando me tentavas ensinar a caligrafia (em que era tão irregular) e tentavas que escrevesse as letras todas para o mesmo lado, numa linha direita. E para mim isso era um desafio enorme.
Acho que sempre quiseste que fosse mais “direito”. Nessa altura, as minhas questões eram bem mais simples, e os desafios eram outros: se estudava ou não, se me portava bem ou não, se eram um “bom rapaz”, se ajudava a minha mãe.
Senti sempre esse enorme amor que tinhas por mim, o orgulho no teu rapaz e o teu sonho de ser maior e melhor todos os dias.
Às vezes penso, se fosses vivo, se te orgulharias do caminho que escolhi para mim, se sentir-te-ias feliz por me ver hoje, com casa própria, a arriscar no que acredito ser o melhor.
Foste sempre uma das grandes figuras masculinas da minha vida, e para um rapazito que vive só com a mãe, isso era tão importante. Até porque tu eras um modelo de peso. A minha mãe e a minha avó sempre te elogiaram tanto. Sempre me disseram tantas coisas bonitas sobre ti. A forma como agias na tua vida. A responsabilidade e a força quando dela precisavas.
Foste sempre um suporte para os que te rodeavam.
Não me esqueço nunca de me teres ensinado a andar de bicicleta, no jardim do liceu. Lembras-te? Eu a pedalar com força a tentar não cair e tu, atrás de mim, agarravas a bicicleta e corrias. “Vá, pedala! Não tenhas medo.” E eu pedalei. E quando olhei para trás, já estava sozinho a pedalar feliz e tu para trás a rir de eu nem ter percebido.
Sempre foste assim. A suportar a minha caminhada.
Quando partiste ainda era pequeno. E nessa altura fizeste-me muita falta. Com o passar do tempo as coisas mudaram e aprendi a viver sem ti.
Agora, pensei nestes dias tanto em ti. Não sei bem o que sinto do que fiz e até onde cheguei. Não é fácil ser-se “grande”. E tu que nunca pudeste ser pequeno. A tomar conta da tua mãe e das tuas irmãs. Foste para a Marinha e sempre viveste no mar. Adoravas os motores e a tua oficina, onde construías tantas obras. Será que é por isso que gosto tanto de obras e pequenas reparações?
Hoje precisava de ti aqui do meu lado. De falar das coisas que me custam e que não sei ultrapassar com facilidade. Conselhos de avô. Sinto-me neste ponto de viragem da minha vida. E nem sei explicar-te bem. Parece sempre que vivo apenas parte do potencial que poderia ser. E com dificuldade em encontrar as forças para ser mais. O que farias tu?
Tantos sonhos, tantos projectos. E ainda tanto para fazer e ainda tanto para aprender. Quando te via de mão dada comigo, naqueles passeios sem fim onde eu falava e falava, e tu sorrias em resposta às minhas invenções. Eras tão adulto, tão sensato e tranquilo.
Agora que sou maior, olho para mim e não sei bem se cresci assim tanto. Ainda sinto a falta de alguém que me dê a mão e que acredite em mim.
Sei que estás no meu coração e que a mão que procuro é a minha. Mas era tão bom que estivesses comigo. Me falasses dos teus navios, de Africa, da minha mãe e da minha avó. Da força e da vontade, do amor, da capacidade que tinhas de construir e armazenar.
Tenho saudades tuas avô. Muitas.

domingo, 1 de janeiro de 2006

Feliz 2006



Queridos amigos e leitores, acho que este é o melhor presente que vos posso oferecer para o começo do novo ano. O meu pôr do sol de hoje.
Que os vossos sonhos se concretizem e que o amor, a alegria e a paz sejam constantes na vossa vida e na vida de quem amam.

sábado, 31 de dezembro de 2005

As mamas da vizinha são sempre mais bonitas que as minhas?

Existe uma fixação existencial dos homens em relação ao peito das mulheres. Algo que não pode ser definido nem explicado em palavras, mas que todos os homens sentem.

A maior diferença é que uns disfarçam melhor que os outros, olham menos, comentam menos, pensam menos, mas a necessidade ou o desejo são idênticos.

Poder-se-ia dizer que tinha a ver com o facto de sermos alimentados, quando recém nascidos, através dessas admiráveis formas; que são elas que nos constróem e nos dão forma.

Num livro sobre a relação homem-mulher, uma investigadora dizia que era a única altura onde verdadeiramente o homem tinha a posição absolutamente passiva, e a mulher a activa.

E apesar de isso fazer, em minha opinião, todo o sentido, os homens que não tiverem ou o direito, ou a oportunidade, continuam fixados por esse pedaço de pele, cheio de tecido adiposo a que comummente denominamos mamas.

Não nos quero absolver da nossa responsabilidade, como namorados, comprometidos, maridos, pais de família, e até avós. Mas só quero explicar que é algo genético. Algo inexplicável e instintivo.

Quase como que uma necessidade de coleccionismo catalogante. Precisamos de olhar para elas, de “lhes tirar as medidas”. De as ir juntando a nossa lista de “mamas visionadas”. Ou com roupa, ou sem roupa. E a verdade é que tão depressa como surgem, depressa partem. (Nem todas, claro). Mas a necessidade, o desejo caprichoso, esses continuam.

E não querida, não é por as tuas não serem as mais bonitas, é só porque nascemos todos assim. Por isso querida, não, as mamas da vizinha não são mais bonitas que as tuas!

sábado, 24 de dezembro de 2005

Ode ao Senhor Vasco ou “Olhe, podia fazer-me um favor? Podia dizer-me que horas são? Obrigado e Bom Natal!

(Já há muito tempo que penso escrever sobre o Senhor Vasco. Sobre a sua pessoa e a forma como se relaciona com o mundo. Agora, chegado o Natal achei que seria apropriado fazer a ponte entre as dois coisas e por isso aqui vai este presente de Natal)

Desde que vim morar para a minha nova casa, há cerca de três anos, conheci o Sr. Vasco. O Sr. Vasco mora numa casa com ar abandonado, mesmo na rua em frente à minha. A casa dele é muito velha e bonita. Tem um portão verde, tem muitos gatos, tem janelas com ar partido e tem, mais importante que tudo, uma grande varanda com vista para a rua. Esta varanda é coberta de uma planta a qual não sei o nome, mas que na primavera está cheia de flores avermelhadas, que no verão dá sombra e que agora já dentro do Inverno, se encontra despida de flores e folhas.

Esta varanda é particularmente importante porque imagino que tal como eu, toda a gente, ou quase toda a gente, conheça o Sr. Vasco através da varanda.

O Sr. Vasco é um senhor já idoso, com cerca de 80 anos, com um farto bigode, um cabelo grisalho sempre coberto com um boné, e uns óculos de massa também espessos.

Até aqui nada de particularmente singular sobre o Sr. Vasco, mas na realidade ele tem algumas características únicas. A primeira vez que o encontrei na sua varanda estava a caminhar distraído para o meu carro e ouço de repente: “Tá-me a ouvir aí em baixo? Se faz favor?”. Ao que eu respondi: “Sim, claro, bom dia.”. Ao que ele disse: “Olhe, podia fazer-me um favor? Podia dizer-me que horas são?”. Ao que eu lhe respondi dizendo as horas e ele devolveu-me um “Obrigado”.

“Ok” pensei eu, se calhar não consegue ver as horas por causa dos óculos. Que velhinho bem educado e simpático. Mas aí ocorreu a surpresa. Dez segundos depois de me perguntar, já estava a fazer a mesma pergunta à pessoa a seguir. Aliás, como vim a descobrir depois, ele “ataca” quase todas as pessoas que passam pela rua, nem que venham seguidas umas atrás das outras, e obviamente quando está á varanda.

Vim também a descobrir outra coisa. A outra pergunta típica era: “Olhe, posso pedir-lhe um favor? O portão tá aberto?”. Claro que nunca o vi aberto. Aliás quase nunca vi ninguém entrar ou sair da dita casa. “Olhe – continuava o Sr. Vasco – se alguma vez vir o portão aberto, feche-o, por favor!”

Claro que eu percebia com mais facilidade esta segunda questão. Porque apesar de ainda não ter explicado, o Sr. Vasco mora ao lado de uma escola secundária. E os miúdos imagino eu, não lhe ligam nenhuma, e podem até com aquela malandrice típica da adolescência preparar-lhe algumas partidas, pelo que ele se sentiria seguro em ter o portão fechado.

Desde esse momento fantástico eu fui acompanhando o Sr. Vasco, desde a janela da minha casa, pela surpresa que me causava, e pela curiosidade em ver a reacção das pessoas.

Numa primeira fase, ainda presumi que o Sr. Vasco podia já não estar a funcionar bem com a cabeça dele. Que tivesse memória curta, que tivesse uma doença qualquer que o fizesse repetir muitas e muitas vezes o mesmo padrão. Mas não é nada disso.

Descobri que ele sabe efectivamente as horas. Mais do que uma vez assisti aos miúdos da escola a darem-lhe horas completamente fora da realidade. “São 120 para as 35.” Ou então “São 3 da manhã”. E para minha surpresa o Sr. Vasco reagia com a energia possível “Mal educados! – gritava ele – gozar com um senhor de idade não tá certo.”

E passados 10 segundos lá estava ele a repetir a mesma pergunta.

Também descobri que existem momentos que lhe eram favoritos: a ida e vinda das pessoas para uma igreja da vizinhança. Para celebrar a eucaristia. Eram sempre alvos perfeitos, talvez por deverem ter um coração cristão e por isso encherem-se de paciência para lhe dizer as horas.

Ou então, com menos sucesso, as horas de entrada e saída da escola. Em que os miúdos não reagiam tão bem. Julgo que para os miúdos a pressão social seja muita e por isso responder ao “velho maluco” faria deles vítimas de gozação da escola e por isso reservavam-se ao silêncio.

Aliás, o Sr. Vasco tem um método delicioso para os que não ouvem, ou fingem não ouvir. Junta as duas mãos na boca e grita: “Está a ouvir-me? Aí em baixo consegue ouvir-me?”.

E grita tão alto que até as pessoas do meu prédio por vezes aparecem na janela com surpresa.

Claro que quando não o ouvem ou fingem não ouvir, o Sr. Vasco também não se aborrece porque deve respeitar a surdez e saber que se não lhe ligam, o melhor será deixá-los ir.

Por outro lado, as velhinhas do meu prédio fartam-se de queixar do Sr. Vasco. Se calhar porque vêm nele a sua própria velhice. Ou então, porque realmente quando ele começa pode ser cansativo ouvi-lo sempre a dizer o mesmo.

Alguns meses para dentro deste fascínio pelo Sr. Vasco comecei a encetar conversas com ele. Dizia-lhe bom dia. Perguntava-lhe como tinha passado. E ele adorava. Claro que tinha também outra frases predefinidas. Perguntava-me se ele me conhecia. Ao que eu respondia que sim. E ele dizia-me então. “Sempre que me vir diga-me Olá Sr. Vasco, eu sou o Bernardo o seu vizinho que moro naquele prédio ali.”

E eu dizia. E ele nunca se lembrou. Pelo menos na cabeça. Porque nos olhos acredito que sim. Há algo que me reconhece tal como há algo em mim que o reconhece a ele.

Ainda mais o Sr. Vasco aparece na varanda a qualquer hora, do dia pelo menos. E já muitas vezes o vi de pijama perto das 8 da manhã a perguntar as horas, sem robe nem nada, ao frio. Sempre lhe tentei dizer que deveria ir para dentro para não apanhar frio. Mas depois conclui que lhe estava a dizer para deixar de fazer o que gosta. E se aos oitenta e tantos anos estava na varanda de pijama é porque se calhar é á prova de constipação.

Sinceramente tenho um fascínio pelo Sr. Vasco. Pela forma como vive. Pelo mistério da casa onde vive, onde nunca vi luz de noite. Por estar sempre sozinho e me perguntar quem o ajuda, como come, como se veste, etc.

E mais ainda porque passei muito tempo a pensar no ritual das horas. No ritual das perguntas. E acho que depois do que se passou nos últimos dias já cheguei a umas conclusões.

O Sr. Vasco agora, depois de esclarecido sobre as horas, incorpora a seguir ao Obrigado, um Feliz Natal, ou umas Boas Festas no seu discurso. E fá-lo com tamanha alegria e convicção que confesso que me comovo.

Agora tenho a certeza, não somos ninguém sem o outro. Vivemos num mundo onde a pessoa há nossa frente, ou mesmo na nossa rua, representa uma alteridade necessária ao ser. E o Sr. Vasco é a prova viva disso. Aliás acho que as horas não importam nada. Foi a forma que encontrou de conseguir sempre que alguém lhe responda. Que olhe para ele. Que lhe dirija a palavra. Não digo isto com pena ou tristeza dele, pelo contrário, acho que encontrou uma forma muito inteligente de conseguir interagir com as pessoas, com o mundo à sua volta.

Claro que umas vezes com mais e outras com menos sucesso. Aliás fico sempre surpreendido quando as pessoas não lhe respondem ou são mal educadas com ele. Porque dizer as horas, mesmo que não se queira dizer mais nada, são apenas instantes da nossa vida. Mas são horas da vida dele.

Não sei como será a minha terceira idade. Melhor ou pior não interessa. Mas na terceira idade do Sr. Vasco sobrou o essencial, a necessidade de carinho, a necessidade do outro, a necessidade de atenção.

E eu fico aqui a pensar quantas pessoas na nossa vida, nos perguntam as horas apenas por necessitarem de algo que não sabem explicar. E por quantas passamos sem parar, e ás vezes sem responder.

O Sr. Vasco representa para mim os outros todos que tantas vezes precisam de algo, que há primeira vista não se vê, mas que ao olhar com atenção se torna claro. Ele representa a minha procura pelo outro, por compreensão, por partilha.

Não somos ninguém sozinhos. Somos parte constante e fundamental desta relação de diversidade e multiplicidade. Somos melhores juntos. Acho que é isso que o Sr. Vasco me mostra.

E já agora, podiam fazer-me um favor, se me conseguem ouvir daí, e dizer-me as horas?

Natal by Couve


Para quem achou o presépio engraçado as imagens foram retiradas daqui http://br.criancas.yahoo.net/recorte_cole/presepio/

Estas imagens podem ser impressas a partir deste site e as crianças podem montar um presépio a partir delas com algumas tintas e algumas colagens.

Esperamos que gostem :D

domingo, 18 de dezembro de 2005

Desafios Pré-Natal

Ontem, enquanto me encaminhava de carro para Lisboa lembrei-me de uma coisa muito simples que vos queria deixar e que me electriza o pensamento com regularidade.

O que custa não é saber o que precisamos de fazer na nossa vida para sermos felizes. O que custa é termos a força, a vontade e a determinação para o fazer.

(desenvolvimentos para breve sobre este mesmo tema)