terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Desejo-vos felicidade

Ainda sobre o Richard Gere...

Ele disse ontem, que uma coisa maravilhosa é a de sempre que nos cruzarmos com uma pessoa pensarmos: "Desejo-te felicidade!" E deixar esse sentimento substituir o "O que é que tu queres?" ou o "O que é que eu quero de ti?" ou o "Porque raio é que me fizeste isto?" ou o "E agora como é que eu vou dizer-te aquilo?" que tantas vezes nos ocupa a cabeça.

Pensar só: "Desejo-te felicidade. Desejo-te felicidade."

E Gere dizia: "Fazer isto é importante? Sim. Fazer isto é importante? Não."

Mas pode ser que valha a pena (digo eu...)

Hipocrisia ou Esperança

Hoje, quando me deslocava no meu carro, ia a ouvir a rádio. Um programa que acompanho todas, ou quase todas as manhãs, pela simples razão que me diverte e que me deixa põe bem disposto.

Hoje, dizia um dos "animadores": "Mas não sabiam que o que mantém a sociedade estruturada é a hipocrisia?"

Achei interessante, mas discordo. Discordo porque a hipocrisia é apenas uma consequência e não a causa propriamente dita. Como já tantas vezes escrevi aqui, acho que todos queremos o melhor para nós, independentemente do conflito que esse desejo provoque na relação com os outros, ou na capacidade ou incapacidade de concretizarmos esse desejo.

Queremos o melhor, e gosto de acreditar que temos a esperança de o concretizar. Queremos acreditar que as coisas vão correr melhor. Temos esperança, pois acredito que sem esperança de uma vida melhor, poucas coisas restariam no nosso coração.

Por isso, e para mim pessoalmente, a hipocrisia resulta apenas da incapacidade de por vezes sentimos de concretizar o que esperamos. Ou de chegar onde queremos. Como dizia ontem na televisão o Richard Gere: "Nós achamos que se não levantarmos ondas, se formos boas pessoas, se fizermos tudo bem, as coisas difíceis não nos acontecem, mas infelizmente a vida não é assim". Não é decisão nossa, nem consequência da nossa acção directa. É a vida, a imensa vida.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Passeios pedestres por Lisboa


Uma amiga de longa data, juntamente com dois sócios, criou uma empresa em Lisboa, chamada Lisbon Walker. A empresa baseia-se no princípio simples, mas muito interessante, de fornecer, todos os dias, passeios por Lisboa. (quer chova, quer faça sol)

A ideia veio de fora, mas já fazia muita falta a uma das capitais europeias. Os turistas e os portugueses merecem a oportunidade de serem animadamente guiados pela história de Lisboa, sem ficar demasiado presos a factos chatos e desinteressantes, e conquistando os visitantes para a beleza e para a magia desta nossa cidade.

No Sábado, organizaram uma espécie de inauguração para convidados e apresentaram uma versão mais resumida de dois dos seus principais passeios: começando na Praça do Comércio fomos acabar perto do Museu do Fado, nos escritórios deles.

Não foi a primeira vez que percorri a pé aquelas pequenas ruas e aqueles edifícios de formas tão próprias, mas a verdade é que é preciso parar para ver, e ainda mais importante relembrar a beleza das nossas ruas, dos nossos passeios e dos nossos edifícios.

Re-apaixono-me sempre que por lá passo. Como se a história não fosse pesada, mas sim alegre e intemporal. Como se naquelas ruas também existisse um pouco de nós, das nossas origens, da nossa natureza.

Convido-vos a irem, com eles de preferência, vale bem a pena.

PS: No site deles podem consultar toda a informação sobre os passeios, e podem ainda contactá-los pois estou certo que serão bem atendidos.

Mas afinal é preciso Disciplina?


Tenho estado pacientemente à espera de celebrar as duas mil visitas ao meu site para escrever sobre este tema que surge na sequência natural de tanta coisa que tenho escrito anteriormente.

A questão da disciplina é uma de difícil análise. Não só pela própria natureza da palavra, como também pela proposta que representa na nossa vida.

Acho que pela sociedade ocidental em que estamos inseridos, somos formados com a convicção de que a disciplina é algo de desagradável, de duro, de militar, de escolar, que nos aborrece e nos incomoda. Os pais diziam: “Tens de ser mais disciplinado!” quando as notas não eram as que se esperavam, ou se não conseguíamos ter o quarto arrumado, ou se não conseguíamos pôr dinheiro de parte no porquinho.

Por outro lado, vivemos num mundo de dis-disciplinação. Hoje, ao contrário do que julgo fosse comum há algumas décadas atrás, as pessoas não são responsabilizadas. Não temos de assumir as consequências nos nossos actos. “Foi o cansaço… Foi a doença … Foi o chefe… Foi a mulher…” Foi sempre qualquer coisa. E apesar disso vamos vivendo, ou sobrevivendo.

Por outro lado, as pessoas com que nos deparamos como modelos de disciplina surgem sempre com um ar um pouco assustador. Como se representassem uma vida sem emoção, sem humor, e com muito, mas mesmo muito trabalho. Depois ainda tem a lata de dizer coisas do género: “A genialidade é 95% de trabalho e 5% de inspiração.”

Ora bolas, mas não haverá algo que dê menos trabalho?

Realmente sinto que a solução para este meu dilema é a constituição de uma nova disciplina, ou melhor, uma auto-disciplina, positiva e afirmativa, onde me “forço” a fazer o que sei ser o melhor para mim e não me refugio numa certa preguiça existencial. Amanhã, começo amanhã.

Apesar de todos os sentimentos incómodos em relação a essa disciplina, estou certo que esta representa o melhor para mim. Para todos, ou pelo menos quase todos, a força e a determinação para se fazer o melhor.

Porque se temos todas as ferramentas e condições (a maior parte das vezes) para sermos felizes, porque é que não o somos?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

A preto e branco, no sítio certo...

E pronto…


Estas eleições presidenciais não foram fáceis para mim. Não costumo envolver-me muito com a política, nem em particular com as eleições. Normalmente, sei, bastante tempo antes, em quem vou votar. Normalmente voto tranquilo, normalmente…

Desde as últimas eleições que as minhas dificuldades têm aumentado. Ando mais indeciso. Mais vacilante em relação ao que considero o melhor para o país. Sobre se a minha escolha neste ou naquele partido ou político vai alterar ou importar para o resultado final.

Estes dilemas tiveram significado ainda maior para as eleições presidenciais. Confesso que sempre fui anti-Cavaco e nesse sentido teria apenas a hipótese de escolher entre cinco candidatos e foi aí que se levantaram os meus grandes dilemas. Isto porque acreditei que não podia votar em branco, porque só votando num candidato de esquerda, permitia ou daria oportunidade para uma segunda volta.

Além disso sofro de um problema inverso ao que se diz normal. Em tempos idos ouvi dizer que na juventude todos são de esquerda, e na vida adulta de direita. Ora para mim parece que me ocorre o inverso, sinto-me progressivamente mais distante da direita.

Talvez também por isso, acabei por votar em Jerónimo de Sousa. Pela razão que reconheci nele uma força, uma vontade e uma sinceridade, sem exageros, sem retórica, sem pseudo-elitismo. Confiei que ele seria, na minha sincera opinião, o melhor presidente para o país. Um presidente comprometido, interessado, empenhado e sincero. Objectivamente, sabia que não seria presidente, mas foi acima de tudo um voto de confiança.

No entanto, a razãoque me levou a escrever esta crónica está na importância do que aconteceu, não antes, mas sim no fim da noite eleitoral. Acho que se tem de dizer as coisas pela positiva, as que realmente importam e têm valor. E por isso cá vai:

Primeiro, tenho de dar os parabéns a Manuel Alegre. Decidir avançar com a campanha, independentemente dos apoios. Mostrar a força e a determinação que mostrou, o amor ao país, e a capacidade para o materializar julgo que garantiram o resultado que obteve. Alegre mostrou que a democracia não é apenas partidária, é feita de pessoas determinadas, empenhadas e com confiança. Mostrou que o querer e a vontade individual têm peso no resultado final de umas eleições. Uma grande lição de civismo e de democracia. Julgo que esta ficará recordada na história.

Segundo, como eu, alguns portugueses acreditaram em Jerónimo de Sousa, e o resultado que obteve foi proporcional à força de carácter que demonstra. E maior ao que normalmente o Partido Comunista capta.

Terceiro, hoje, a ouvir o futuro Presidente da República Cavaco Silva descobri que o meu anti-cavaquismo se tinha diluído. Na realidade, acredito que pode ser um bom presidente. Que poderá ajudar o nosso país. E que, no mínimo, tem a vontade para o fazer.

Dou-lhe o meu voto de confiança, já que o outro não dei, e desejo-lhe competência, sinceridade, dedicação e, acima de tudo, muita imparcialidade.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Ainda sobre a Paternidade

Sem dúvida que independentemente dos acontecimentos e fenómenos das nossas relações com os membros paternais há algo que lhes temos de dar crédito: Eles sabem produzir crianças que se tornam pessoas de considerável qualidade :D