terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Só um conselho


Tenho estado a ouvir um grande compositor e cantor que vos convido a descobrir. Vale mesmo a pena:

http://www.jackjohnsonmusic.com

Cruzadas do século XXI?

Olho com alguma preocupação para as notícias que têm surgido nos últimos tempos. A forma como os media têm caracterizado os conflitos ocidente-oriente e a forma como os países e, mais em concreto, os indivíduos têm encarado esta problemática.

Em primeiro lugar, tenho de deixar bem claro que, para mim, tanto as caricaturas, que ainda não vi, como os actos de violência consequentes são de extrema gravidade e de igualdade influência nesta tensão crescente.

Tenho lido e visto muitas coisas nos meios de comunicação sobre a problemática, mas preocupa-me sinceramente a forma como as notícias continuam a ser vinculadas. Com apelos mais ou menos subliminares à violência, à raiva, ao ódio e ao separatismo.

Vivemos todos no mesmo planeta. Não tenho dúvidas disso, e julgo que ninguém as terá. No entanto, mesmo vivendo num planeta tão “pequeno” continuamos a julgar, analisar e agir, de acordo apenas com a nossa visão e perspectiva sem perceber uma verdade que parece universal: existem realidades, perspectivas, fés e comportamentos que não entendemos. Que pertencem a outro enquadramento social, cultural, religioso, onde coisas têm pesos diferentes. E sempre foi assim entre cristãos e muçulmanos.

Para os de memória curta, relembro-vos que há alguns anos atrás um programa de Herman José foi retirado do ar porque “brincava” com figuras históricas e religiosas. Alguns anos mais tarde, o cartoon do Papa e do preservativo trouxe ao de cima mais uma polémica. Além disso, por todo o país há histórias de violência associada a questões religiosas. Seremos assim tão diferentes?

Por outro lado, em França, um país ocidental, tivemos demonstrações de como um problema racial pode tomar proporções incontroláveis. Um exemplo de como a autoridade política, policial e até religiosa é incapaz de deter um crescendo de violência. Seremos assim tão diferentes?

Claro que toda a violência é reprovável. Sob qualquer perspectiva, mas por essa mesma razão temos de agir de forma responsável. E quanto mais audiência tiver a nossa mensagem, maior o cuidado que temos de ter. Os media têm então que equacionar essa questão com rigor. Perceber o mundo em que vivemos e a consequência dos actos e das palavras.

Sinto que vivemos numa pré-cruzada. Tenho a clara sensação do rastilho que se encontra acesso. Uma palavra no sítio “certo” poderá atear uma fogueira sem fim.

E não somos melhores ou piores que os muçulmanos. Somos diferentes. Não podemos avaliar, medir ou catalogar as civilizações sobre a nossa bitola. Temos de criar um quadro de valores universal onde possamos medir as sociedades, mas com valores e perspectivas tanto ocidentais como orientais.

Para nós parece ridículo a violência por causa da liberdade de expressão. Para os muçulmanos é inacreditável que a liberdade de expressão ofenda a sua fé e os seus valores.

O pedido que aqui deixo é particularmente dirigido aos meios de comunicação social. Sejam responsáveis. Sejam sérios e ponderados. Nem tudo é justificável para se conseguir audiências ou vendas. Há limites, principalmente se não queremos uma Terceira Guerra Mundial.

Tolerância, respeito e paz.

As notícias

Jack Johnson
"The News"

A billion people died on the news tonight
But not so many cried at the terrible sight
Well mama said
It's just make believe
You can't believe everything you see
So baby close your eyes to the lullabies
On the news tonight

Who's the one to decide that it would be alright
To put the music behind the news tonight
Well mama said
You can't believe everything you hear
The diagetic world is so unclear
So baby close your ears
On the news tonight
On the news tonight

The unobtrusive tones on the news tonight
And mama said

Why don't the newscasters cry when they read about people who die?
At least they could be decent enough to put just a tear in their eyes
Mama said
It's just make believe
You cant believe everything you see
So baby close your eyes to the lullabies
On the news tonight


Jack Johnson
"As Notícias"

Morreu um bilião de pessoas nas notícias esta noite
Mas nem tantas choraram com esse terrível suspiro
Bem, disse a mãe,
É apenas faz de conta,
Não podes acreditar em tudo o que vês
Vá bebé fecha os teus olhos para as histórias de embalar
Nas notícias esta noite

Quem é que decide que se pode
Colocar música por detrás das notícias esta noite
Bem, disse a mãe,
Não podes acreditar em tudo o que ouves
O mundo "diagético" é tão confuso
Por isso bebé fecha os teus ouvidos
Nas notícias esta noite
Nas notícias esta noite

Os tons desobstruídos nas notícias esta noite
E a mãe disse

Porque é que os apresentadores não choram quando leêm acerca de pessoas que morrem?
Pelo menos, poderiam ser decentes o suficiente e colocar apenas uma lágrima nos olhos
A mãe disse
É apenas faz de conta
Não podes acreditar em tudo o que vez
Por isso bebé, fecha os teus olhos às histórias de embalar
Nas notícias esta noite

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Desejo-vos felicidade

Ainda sobre o Richard Gere...

Ele disse ontem, que uma coisa maravilhosa é a de sempre que nos cruzarmos com uma pessoa pensarmos: "Desejo-te felicidade!" E deixar esse sentimento substituir o "O que é que tu queres?" ou o "O que é que eu quero de ti?" ou o "Porque raio é que me fizeste isto?" ou o "E agora como é que eu vou dizer-te aquilo?" que tantas vezes nos ocupa a cabeça.

Pensar só: "Desejo-te felicidade. Desejo-te felicidade."

E Gere dizia: "Fazer isto é importante? Sim. Fazer isto é importante? Não."

Mas pode ser que valha a pena (digo eu...)

Hipocrisia ou Esperança

Hoje, quando me deslocava no meu carro, ia a ouvir a rádio. Um programa que acompanho todas, ou quase todas as manhãs, pela simples razão que me diverte e que me deixa põe bem disposto.

Hoje, dizia um dos "animadores": "Mas não sabiam que o que mantém a sociedade estruturada é a hipocrisia?"

Achei interessante, mas discordo. Discordo porque a hipocrisia é apenas uma consequência e não a causa propriamente dita. Como já tantas vezes escrevi aqui, acho que todos queremos o melhor para nós, independentemente do conflito que esse desejo provoque na relação com os outros, ou na capacidade ou incapacidade de concretizarmos esse desejo.

Queremos o melhor, e gosto de acreditar que temos a esperança de o concretizar. Queremos acreditar que as coisas vão correr melhor. Temos esperança, pois acredito que sem esperança de uma vida melhor, poucas coisas restariam no nosso coração.

Por isso, e para mim pessoalmente, a hipocrisia resulta apenas da incapacidade de por vezes sentimos de concretizar o que esperamos. Ou de chegar onde queremos. Como dizia ontem na televisão o Richard Gere: "Nós achamos que se não levantarmos ondas, se formos boas pessoas, se fizermos tudo bem, as coisas difíceis não nos acontecem, mas infelizmente a vida não é assim". Não é decisão nossa, nem consequência da nossa acção directa. É a vida, a imensa vida.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Passeios pedestres por Lisboa


Uma amiga de longa data, juntamente com dois sócios, criou uma empresa em Lisboa, chamada Lisbon Walker. A empresa baseia-se no princípio simples, mas muito interessante, de fornecer, todos os dias, passeios por Lisboa. (quer chova, quer faça sol)

A ideia veio de fora, mas já fazia muita falta a uma das capitais europeias. Os turistas e os portugueses merecem a oportunidade de serem animadamente guiados pela história de Lisboa, sem ficar demasiado presos a factos chatos e desinteressantes, e conquistando os visitantes para a beleza e para a magia desta nossa cidade.

No Sábado, organizaram uma espécie de inauguração para convidados e apresentaram uma versão mais resumida de dois dos seus principais passeios: começando na Praça do Comércio fomos acabar perto do Museu do Fado, nos escritórios deles.

Não foi a primeira vez que percorri a pé aquelas pequenas ruas e aqueles edifícios de formas tão próprias, mas a verdade é que é preciso parar para ver, e ainda mais importante relembrar a beleza das nossas ruas, dos nossos passeios e dos nossos edifícios.

Re-apaixono-me sempre que por lá passo. Como se a história não fosse pesada, mas sim alegre e intemporal. Como se naquelas ruas também existisse um pouco de nós, das nossas origens, da nossa natureza.

Convido-vos a irem, com eles de preferência, vale bem a pena.

PS: No site deles podem consultar toda a informação sobre os passeios, e podem ainda contactá-los pois estou certo que serão bem atendidos.

Mas afinal é preciso Disciplina?


Tenho estado pacientemente à espera de celebrar as duas mil visitas ao meu site para escrever sobre este tema que surge na sequência natural de tanta coisa que tenho escrito anteriormente.

A questão da disciplina é uma de difícil análise. Não só pela própria natureza da palavra, como também pela proposta que representa na nossa vida.

Acho que pela sociedade ocidental em que estamos inseridos, somos formados com a convicção de que a disciplina é algo de desagradável, de duro, de militar, de escolar, que nos aborrece e nos incomoda. Os pais diziam: “Tens de ser mais disciplinado!” quando as notas não eram as que se esperavam, ou se não conseguíamos ter o quarto arrumado, ou se não conseguíamos pôr dinheiro de parte no porquinho.

Por outro lado, vivemos num mundo de dis-disciplinação. Hoje, ao contrário do que julgo fosse comum há algumas décadas atrás, as pessoas não são responsabilizadas. Não temos de assumir as consequências nos nossos actos. “Foi o cansaço… Foi a doença … Foi o chefe… Foi a mulher…” Foi sempre qualquer coisa. E apesar disso vamos vivendo, ou sobrevivendo.

Por outro lado, as pessoas com que nos deparamos como modelos de disciplina surgem sempre com um ar um pouco assustador. Como se representassem uma vida sem emoção, sem humor, e com muito, mas mesmo muito trabalho. Depois ainda tem a lata de dizer coisas do género: “A genialidade é 95% de trabalho e 5% de inspiração.”

Ora bolas, mas não haverá algo que dê menos trabalho?

Realmente sinto que a solução para este meu dilema é a constituição de uma nova disciplina, ou melhor, uma auto-disciplina, positiva e afirmativa, onde me “forço” a fazer o que sei ser o melhor para mim e não me refugio numa certa preguiça existencial. Amanhã, começo amanhã.

Apesar de todos os sentimentos incómodos em relação a essa disciplina, estou certo que esta representa o melhor para mim. Para todos, ou pelo menos quase todos, a força e a determinação para se fazer o melhor.

Porque se temos todas as ferramentas e condições (a maior parte das vezes) para sermos felizes, porque é que não o somos?