quinta-feira, 16 de março de 2006

Há variações

Depois do tempestade vem a bonança, e provavelmente, depois da bonança volta a tempestade.

Bem sei que tenho andado silencioso, mas já decidi que isto da escrita é por inspiração e não por normalização, ou por regras de conduta específicas.

Tenho andado ocupado com a vida real, com a gestão da vida do dia a dia, que tantas vezes nos consome mais do que gostaríamos. Mas neste caso foi bom estar ocupado, ter muita coisa a acontecer. Sentir-me a avançar e a vida a avançar comigo (ou serei eu que vou avançando com ela?).

De qualquer modo este primeiro post era só para vos dar novidades que estou bem e me recomendo.

:D

Mais já a seguir...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Pintainho


Estavam os dois sentados. Um no colo da outra. Pintainho no colo da avó galinha. Pintainho bebé ou bebé pintainho, afinal é Carnaval e ninguém leva a mal.
Avó galinha de rugas-tempo-idade. Com tanto tempo na cara que se confunde a eternidade no seu rosto. Rosto disfarçado de história, cheia de linhas e traços que ocultam como era há 60 anos atrás. Mas seca, mas vazia de amor. Será esse o tempo? Assim a apagar os afectos e a encher as linhas e os traços do rosto?
E o pinto tão bebé, tão infantil, tão doce.
O passado e o futuro, no colo um do outro.
Será que a avó galinha não se alegra com o pinto? Será que não vê que o pinto é o renascer do tempo que passou. A esperança de uma nova vida?
Ou será que eles se complementam: o que passou, e o que virá?
Avó galinha de todos nós, que histórias tem o teu corpo para contar? O pintainho bebé saiu de ti! Haja esperança!

Metro de Lisboa


Ultimamente tenho voltado a usufruir deste meio de transporte tão recorrente na vida de grande parte dos lisboetas. Confesso que o carro, como veículo particular, tem muitas comodidades, mas o Metro tem outras funções. Preenche uma lacuna que quem viaja de carro não consegue preencher: participar da vida social, do dia-a-dia, dos lisboetas.
O Metro acaba por ser a metáfora perfeita da sociedade em que vivemos. Do nosso tempo.
Por fora, passa muito depressa, sempre a correr, sempre a apitar para aqui, a apitar para ali. E mais e mais depressa, sempre a correr. E a música? Mas sempre a transitar entre estações, mais ou menos bonitas, e outros túneis bem negros e sujos.
Mas por dentro, limpo e cristalizado. Parado. Cheio de partes desconexas, a habitar um espaço cuidado esteticamente. Parados. Fisicamente?
É tão enorme contracenso. Mas não incomum. A pressa, a paralisia.
E até parece que as pessoas com que me cruzo, são as mesmas de há tanto tempo atrás, quando ainda nem tinha carta.
Até encontrei lá o rapaz do acordeão e do cãozinho, que costumava morar perto da Universidade Católica e que julguei, vejam a ingenuidade, que ou tinha sido comido pelo cãozinho ou estaria em qualquer estabelecimento para pessoas que usam cães e criancinhas para obter rendimentos adicionais.
Afinal estava no metro. Sempre com tanta pressa. Ele, os cegos, as Ucranianas part-time, com crianças full-time. Mas sempre parados, sempre tão distantes, por estarmos presos naquele espaço esteticamente desenhado para tranquilizar.
“Já falta pouco… Amanhã é outra correria.”
E se fosse ao contrário?
Se o Metro parasse, e fossemos nós a nos mexer? A ir em direcção uns aos outros?
Não chegará de música de elevador (ou neste caso metro)? Não?

Balancê - Sara Tavares


Há músicas que nos surpreendem, que nos maravilham, que nos transformam, que nos aproximam.
Duas coisas:
Ela é a prova viva que a música hoje é do mundo e que o mundo é da música.
Se eu soubesse cantar gostava de ser a Sara Tavares.

PS: CD cá vou eu comprar-te
PS2: Visitem www.saratavares.com

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

A Corrida de Canoa

Era uma vez a equipa portuguesa de canoagem, que pertencia a uma sociedade portuguesa.
Uma sociedade portuguesa e outra japonesa decidiram desafiar-se todos os anos numa corrida de canoa, com oito homens cada.
As duas equipas treinaram duramente, e quando chega o dia da corrida cada equipa estava no melhor da sua forma. No entanto os japoneses venceram com mais de um quilómetro de vantagem.
Depois da derrota, a equipa estava desanimada. O director Geral decidiu que no ano seguinte deveriam ganhar e por isso criou um grupo de trabalho para examinar a questão.
Depois de vários estudos, o grupo descobriu que os japoneses tinham sete remadores e um capitão.
No entanto, a equipa portuguesa só tinha um remador e sete capitães.
Face à situação de crise, o Director Geral fez prova de grande sabedoria: contratou uma empresa de auditoria para analisar a estrutura da equipa portuguesa.
Depois de longos meses de trabalho, os especialistas chegaram à conclusão de que na equipa havia capitães a mais e remadores a menos. Com base no relatório dos especialistas, foi decidido mudar a estrutura da equipa.
Haveria agora quatro comandantes, dois supervisores, um chefe dos supervisores, e um remador. Concluindo, introduziram-se uma série de novas medidas para motivar o remador: “Devemos melhorar o quadro de trabalho, motivá-lo e atribuir-lhe mais responsabilidade”.
No ano seguinte os japoneses venceram com dois quilómetros de vantagem.
Os responsáveis da sociedade despediram o remador por causa dos maus resultados no seu trabalho.
No entanto foi entregue um prémio aos restantes membros recompensando-os pela forte motivação que incutiram na equipa.
O director Geral prepara uma nova análise da situação, na qual fica demonstrado que foi escolhida a melhor táctica, que a motivação era boa mas que o material devia ser melhorado.
Neste momento estão a ponderar a substituição da canoa.

A pedido de um dos meus tios coloquei aqui o texto que me enviou num Power Point e que comento de seguida:

EM PORTUGAL
Primeiro: trabalha-se de menos, manda-se de mais;
Segundo: gastamos fortunas em coisas que não interessam para nada, e que não resolvem os problemas;
Terceiro: o pior cego é quem não quer ver.

Como já disse várias vezes o sucesso resulta, em minha opinião, de 95% de esforço, e 5% de criatividade.

PS: Espero comentários...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006