quarta-feira, 5 de abril de 2006

Ora vejam aqui

"... a maravilha que deve ser escrever um livro: a invenção dentro da memória; a memória dentro da invenção; e toda essa cavalgada de uma grande fuga, todo esse prodígio de umas poligâmicas núpcias, secretas e arrebatadas, com a feminina multidão das palavras: as que se entregam, as que se esquivam; as que é preciso perseguir, seduzir, ludibriar; as que por fim se deixam capturar, palpar, despir, penetrar e sorver, assim proporcionando, antes de se evaporarem, as horas supremas de um amor feliz. Não há matéria mais carnalmente incorpórea; nem outra mais disposta a por amor ser fecundada."

(in Um Amor Feliz, p.229)

terça-feira, 4 de abril de 2006

Comentários aos comentários

No meu dia de anos foram dois os comentários sobre o meu blog que resolvi comentar.

LB disse que em alguns casos eu escrevia coisas grandes, fazendo aquele gesto com as mãos, palma contra palma, afastando-as largamente, tão grandes que nem sequer há tempo para ler.

Eu digo que ela tem razão, mas o desfiar do que me preenche não tem fita métrica, pode ser breve e simples, ou enorme e sem sentido. E por isso só os lê quem tem tempo/paciência/vontade para o fazer. E eu gosto assim, para cada gosto seu paladar.

A disse que estava surpreendido com o meu blog, que o achava muito interessante.

E eu digo que não o acho interessante, tantas vezes o acho repetitivo e monótono, ou pouco interessante na forma da escrita e dos conteúdos. Mas como espelho da minha vida que é, nem tudo é interessante, rico e cativante. Como a vida em si.

Sonhos e outras coisas que nos fazem sonhar


Estou a ler um livro apaixonante: "Um Amor Feliz" de David Mourão Ferreira. Confesso que ainda só vou a meio mas aconselho vivamente dois capítulos extraordinários de literatura portuguesa: o do Jantar em casa dos latino-americanos, e o outro o discurso exaustivo e realista da empregada da limpeza. São pérolas da escrita.

Ou melhor, para mim são pérolas da escrita. Talvez por que me identifique, não obviamente com a qualidade, mas de uma forma muito mais modesta (a minha claro) com uma escrita visual e cheia de humor, que nos preenche os sentidos.

Era assim que gostaria de ser. Um escritor de sentidos, de sentimentos, de humor e de encanto. Um escritor que pinta as palavras de forma encadeada, sem cuidados excessivos, nem intelectualismos gratuitos.

Sempre quis escrever. Desde que tinha idade para juntar letras. E ainda guardo religiosamente em casa esses pedaços de letras desalinhadas, cheias de erros de ortografia, gramática, mas cheios de mim:

"e o cão veiu salfar a selhora Ana do asidente."

Nunca foi pela qualidade da escrita, mas por algo que Richard Back descreve lindamente no seu livro Ilusões: algo que rebentando pela parede, te agarra no colarinho e diz, não te largo enquanto não me escreveres.

E assim é! Não que seja algo de vida ou morte. Mas diz St. Teresa d'Àvila: O único verdadeiro pecado é o que fica por fazer. E tantas vezes pequei. Por medo, por preguiça, por convicção de falta de jeito.

Hoje já não é tanto assim. Neste blog, vou encontrando um espaço de expressão dos meus amigos, que me apertam o colarinho. E vão tranquilamente tombando para as páginas de bites and bytes deste blog. E fico mais tranquilo e feliz de os ver expressos. E contente porque me trazem também espaços para outros sonhos.

Queria também cantar. Sempre quis cantar. Ser protagonista de uma qualquer banda. Sentir a música e encantar. Estar num palco intimísta, a desencadear palavras e sons em cadências românticas.

Sou um humanista, existencialista, romântico e sonhador.

E continuo cheio destes sonhos que parecem feitos de criança: ser bombeiro, pintor, rico, polícia, herói. Mas não é isso que nos faz avançar? Querer sempre mais?

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Grande Festa

Queridos amigos. Que grande festa, que grande encontro, que alegria.

Foi realmente a forma perfeita de dar início aos meus 32 anos. Não podia ter corrido melhor.

São nestes momentos que temos a certeza que parte fundamental da nossa vida são as pessoas que nos rodeiam. E eu tenho tanta sorte. Vivo rodeado de pessoas que me conhecem, que gostam de partilhar este projecto comigo. E eu gosto delas, e gosto da casa cheia.

Gosto de ter de me sentar no chão, de não haver jantar que chegue, de ter a casa cheia de sons e de sorrisos. Dos doces e dos salgados, das partidas e dos pequenos acidentes.

Foi realmente magnífico estarmos todos reunidos.

Obrigado a todos.

PS: as fotografias são o lado exterior do mealheiro onde se reuniu as verbas para mais um módulo para a sala. Faltou muito pouco para o valor necessário e assim sendo eu oferecerei a mim próprio o que ainda falta. Em breve prometo novidades sobre o mesmo.

Estamos a ficar velhos?

Diálogo entre amigos na festa de aniversário:

D: Eu gosto de homens mais velhos!
B: Eu já tenho 32 anos, o que achas?
D: No ponto!

J: Pois D, daqui a uns anos vais dizer antes: Eu gosto de homens, ponto!

quinta-feira, 30 de março de 2006

Aniversário, presentes e tantas coisas boas

Amigos, como a maioria de vós sabeis, faço 32 anos no próximo dia 1 de Abril (e por favor nem uma piada sobre ser mentiroso e afins).

32 anos já é uma idade á séria. Já exige atenção, respeito, responsabilidade, organização e tudo o mais necessário a um adulto (já nem posso dizer jovem adulto). Por isso, tenho estado a pensar no presente ou presentes de aniversários que gostaria de receber.

Tenho estado a mobilar a minha casa desde que me mudei para lá (e já lá vão 3 anos). E há já quase um ano comecei a comprar um conjunto de moveis do IKEA para montar na minha sala. A verdade é que a aquisição ficou-se pelo primeiro móvel, e gostaria muito que o projecto continuasse.

Nesse sentido, escrevo-vos com duas intenções:

A primeira, e a mais óbvia é convidar-vos para, no dia 1 aparecerem lá em casa para celebrarmos o aniversário. Segundo consta vai haver marisco, e sabem como o marisco é bom. A ideia é aparecerem a partir das 17. Como é Sábado, depois podemos ir sair e beber uma cerveja, ou dar um passo de dança (a decidir posteriormente).

A segunda, é dizer-vos que em minha casa estará um mealheiro onde, se assim entenderam, poderão colocar o vosso presente em dinheiro, para se acumular no sentido de adquirir mais uns moveis para a sala.

Claro que para os mais conservadores, para os mais reservados, ou para os que já me compraram o presente, fico muito satisfeito, seja qual for a escolha. Mas se não souberem o que fazer, então a vossa ajuda será preciosa na construção de uma nova sala de estar.

Para verem o meu bom gosto deixo-vos aqui o link e as imagens dos moveis do IKEA.


PS1: Já consegui pôr as fotos, como podm ver o tom não é branco, mas sim castanho :D

PS2: Também vou precisar de ajuda para os montar.

32 Anos de Uma Bela Vida

Estou certo que a grande maioria de vocês vai achar que 32 anos já são uma idade respeitável. E não sou eu que vos vou contrair. Afinal já é um terço.

Não sou muito bom a fazer grandes saldos, nem olhar para trás com nostalgia, com pedagogia, com alegria, ou qualquer outro fenómeno especial.

A verdade dos factos parece-me simples: nunca nos sentimos tão maduros como pensávamos que nos sentiríamos quando chegássemos a esta idade, e olhando para a malta mais nova, não nos lembramos de nos sentir tão jovens como eles parecem ser.

Lembro-me de olhar com respeito e admiração para as pessoas de 30 anos, jovens adultos, já com um tipo de humor diferente, com ar sério, com uma postura respeitável e considerada. Que pareciam ter a vida organizada, saber para onde queriam ir e de onde vinham.

Na realidade, chegado a esta bela idade, olho para trás e não sinto assim tão diferente. Tão mais maduro, mais velho, mais sábio. A única coisa que realmente me parece diferente é que olhando para os amigos com vinte anos, vinte e tal, eles me parecem tão novos. E eu não me lembro de me sentir assim.

Mas isto de se viver o presente acaba por ser um pouco assim. Não guardamos a memória do bom, nem do mau. Não remoemos o que se passou, e o que se irá passar.

Com toda a certeza que há planos que não se concretizaram, e outros que se tornaram realidade. Houve surpresas e desilusões.

Esta coisa de se viver é uma aventura extraordinária. Por a vivermos sem controlar o nosso destino, por a vivermos acompanhados. Por a vivermos com tantas cores, cheiros, paladares.

È uma jornada fantástica. E amanhã? Logo se vê. Por enquanto ainda só tenho 31.