"... a maravilha que deve ser escrever um livro: a invenção dentro da memória; a memória dentro da invenção; e toda essa cavalgada de uma grande fuga, todo esse prodígio de umas poligâmicas núpcias, secretas e arrebatadas, com a feminina multidão das palavras: as que se entregam, as que se esquivam; as que é preciso perseguir, seduzir, ludibriar; as que por fim se deixam capturar, palpar, despir, penetrar e sorver, assim proporcionando, antes de se evaporarem, as horas supremas de um amor feliz. Não há matéria mais carnalmente incorpórea; nem outra mais disposta a por amor ser fecundada."
(in Um Amor Feliz, p.229)
Há um espaço que não cansa. Há um tempo que corre tranquilo. Há sempre lugar para tudo. Caminhamos com um sorriso. Afinal, há BOM TEMPO NO CANAL. Este é um blog sobre quase tudo, mas principalmente sobre o dia a dia, os acontecimentos, as pessoas e as suas relações.
quarta-feira, 5 de abril de 2006
terça-feira, 4 de abril de 2006
Comentários aos comentários
No meu dia de anos foram dois os comentários sobre o meu blog que resolvi comentar.
LB disse que em alguns casos eu escrevia coisas grandes, fazendo aquele gesto com as mãos, palma contra palma, afastando-as largamente, tão grandes que nem sequer há tempo para ler.
Eu digo que ela tem razão, mas o desfiar do que me preenche não tem fita métrica, pode ser breve e simples, ou enorme e sem sentido. E por isso só os lê quem tem tempo/paciência/vontade para o fazer. E eu gosto assim, para cada gosto seu paladar.
A disse que estava surpreendido com o meu blog, que o achava muito interessante.
E eu digo que não o acho interessante, tantas vezes o acho repetitivo e monótono, ou pouco interessante na forma da escrita e dos conteúdos. Mas como espelho da minha vida que é, nem tudo é interessante, rico e cativante. Como a vida em si.
LB disse que em alguns casos eu escrevia coisas grandes, fazendo aquele gesto com as mãos, palma contra palma, afastando-as largamente, tão grandes que nem sequer há tempo para ler.
Eu digo que ela tem razão, mas o desfiar do que me preenche não tem fita métrica, pode ser breve e simples, ou enorme e sem sentido. E por isso só os lê quem tem tempo/paciência/vontade para o fazer. E eu gosto assim, para cada gosto seu paladar.
A disse que estava surpreendido com o meu blog, que o achava muito interessante.
E eu digo que não o acho interessante, tantas vezes o acho repetitivo e monótono, ou pouco interessante na forma da escrita e dos conteúdos. Mas como espelho da minha vida que é, nem tudo é interessante, rico e cativante. Como a vida em si.
Sonhos e outras coisas que nos fazem sonhar

Estou a ler um livro apaixonante: "Um Amor Feliz" de David Mourão Ferreira. Confesso que ainda só vou a meio mas aconselho vivamente dois capítulos extraordinários de literatura portuguesa: o do Jantar em casa dos latino-americanos, e o outro o discurso exaustivo e realista da empregada da limpeza. São pérolas da escrita.
Ou melhor, para mim são pérolas da escrita. Talvez por que me identifique, não obviamente com a qualidade, mas de uma forma muito mais modesta (a minha claro) com uma escrita visual e cheia de humor, que nos preenche os sentidos.
Era assim que gostaria de ser. Um escritor de sentidos, de sentimentos, de humor e de encanto. Um escritor que pinta as palavras de forma encadeada, sem cuidados excessivos, nem intelectualismos gratuitos.
Sempre quis escrever. Desde que tinha idade para juntar letras. E ainda guardo religiosamente em casa esses pedaços de letras desalinhadas, cheias de erros de ortografia, gramática, mas cheios de mim:
"e o cão veiu salfar a selhora Ana do asidente."
Nunca foi pela qualidade da escrita, mas por algo que Richard Back descreve lindamente no seu livro Ilusões: algo que rebentando pela parede, te agarra no colarinho e diz, não te largo enquanto não me escreveres.
E assim é! Não que seja algo de vida ou morte. Mas diz St. Teresa d'Àvila: O único verdadeiro pecado é o que fica por fazer. E tantas vezes pequei. Por medo, por preguiça, por convicção de falta de jeito.
Hoje já não é tanto assim. Neste blog, vou encontrando um espaço de expressão dos meus amigos, que me apertam o colarinho. E vão tranquilamente tombando para as páginas de bites and bytes deste blog. E fico mais tranquilo e feliz de os ver expressos. E contente porque me trazem também espaços para outros sonhos.
Queria também cantar. Sempre quis cantar. Ser protagonista de uma qualquer banda. Sentir a música e encantar. Estar num palco intimísta, a desencadear palavras e sons em cadências românticas.
Sou um humanista, existencialista, romântico e sonhador.
E continuo cheio destes sonhos que parecem feitos de criança: ser bombeiro, pintor, rico, polícia, herói. Mas não é isso que nos faz avançar? Querer sempre mais?
segunda-feira, 3 de abril de 2006
Grande Festa

Queridos amigos. Que grande festa, que grande encontro, que alegria.Foi realmente a forma perfeita de dar início aos meus 32 anos. Não podia ter corrido melhor.
São nestes momentos que temos a certeza que parte fundamental da nossa vida são as pessoas que nos rodeiam. E eu tenho tanta sorte. Vivo rodeado de pessoas que me conhecem, que gostam de partilhar este projecto comigo. E eu gosto delas, e gosto da casa cheia.
Gosto de ter de me sentar no chão, de não haver jantar que chegue, de ter a casa cheia de sons e de sorrisos. Dos doces e dos salgados, das partidas e dos pequenos acidentes.
Foi realmente magnífico estarmos todos reunidos.
Obrigado a todos.
PS: as fotografias são o lado exterior do mealheiro onde se reuniu as verbas para mais um módulo para a sala. Faltou muito pouco para o valor necessário e assim sendo eu oferecerei a mim próprio o que ainda falta. Em breve prometo novidades sobre o mesmo.
Estamos a ficar velhos?
Diálogo entre amigos na festa de aniversário:
D: Eu gosto de homens mais velhos!
B: Eu já tenho 32 anos, o que achas?
D: No ponto!
J: Pois D, daqui a uns anos vais dizer antes: Eu gosto de homens, ponto!
D: Eu gosto de homens mais velhos!
B: Eu já tenho 32 anos, o que achas?
D: No ponto!
J: Pois D, daqui a uns anos vais dizer antes: Eu gosto de homens, ponto!
quinta-feira, 30 de março de 2006
Aniversário, presentes e tantas coisas boas


Amigos, como a maioria de vós sabeis, faço 32 anos no próximo dia 1 de Abril (e por favor nem uma piada sobre ser mentiroso e afins).32 anos já é uma idade á séria. Já exige atenção, respeito, responsabilidade, organização e tudo o mais necessário a um adulto (já nem posso dizer jovem adulto). Por isso, tenho estado a pensar no presente ou presentes de aniversários que gostaria de receber.
Tenho estado a mobilar a minha casa desde que me mudei para lá (e já lá vão 3 anos). E há já quase um ano comecei a comprar um conjunto de moveis do IKEA para montar na minha sala. A verdade é que a aquisição ficou-se pelo primeiro móvel, e gostaria muito que o projecto continuasse.
Nesse sentido, escrevo-vos com duas intenções:
A primeira, e a mais óbvia é convidar-vos para, no dia 1 aparecerem lá em casa para celebrarmos o aniversário. Segundo consta vai haver marisco, e sabem como o marisco é bom. A ideia é aparecerem a partir das 17. Como é Sábado, depois podemos ir sair e beber uma cerveja, ou dar um passo de dança (a decidir posteriormente).
A segunda, é dizer-vos que em minha casa estará um mealheiro onde, se assim entenderam, poderão colocar o vosso presente em dinheiro, para se acumular no sentido de adquirir mais uns moveis para a sala.
Claro que para os mais conservadores, para os mais reservados, ou para os que já me compraram o presente, fico muito satisfeito, seja qual for a escolha. Mas se não souberem o que fazer, então a vossa ajuda será preciosa na construção de uma nova sala de estar.
Para verem o meu bom gosto deixo-vos aqui o link e as imagens dos moveis do IKEA.
PS1: Já consegui pôr as fotos, como podm ver o tom não é branco, mas sim castanho :D
PS2: Também vou precisar de ajuda para os montar.
32 Anos de Uma Bela Vida
Estou certo que a grande maioria de vocês vai achar que 32 anos já são uma idade respeitável. E não sou eu que vos vou contrair. Afinal já é um terço.
Não sou muito bom a fazer grandes saldos, nem olhar para trás com nostalgia, com pedagogia, com alegria, ou qualquer outro fenómeno especial.
A verdade dos factos parece-me simples: nunca nos sentimos tão maduros como pensávamos que nos sentiríamos quando chegássemos a esta idade, e olhando para a malta mais nova, não nos lembramos de nos sentir tão jovens como eles parecem ser.
Lembro-me de olhar com respeito e admiração para as pessoas de 30 anos, jovens adultos, já com um tipo de humor diferente, com ar sério, com uma postura respeitável e considerada. Que pareciam ter a vida organizada, saber para onde queriam ir e de onde vinham.
Na realidade, chegado a esta bela idade, olho para trás e não sinto assim tão diferente. Tão mais maduro, mais velho, mais sábio. A única coisa que realmente me parece diferente é que olhando para os amigos com vinte anos, vinte e tal, eles me parecem tão novos. E eu não me lembro de me sentir assim.
Mas isto de se viver o presente acaba por ser um pouco assim. Não guardamos a memória do bom, nem do mau. Não remoemos o que se passou, e o que se irá passar.
Com toda a certeza que há planos que não se concretizaram, e outros que se tornaram realidade. Houve surpresas e desilusões.
Esta coisa de se viver é uma aventura extraordinária. Por a vivermos sem controlar o nosso destino, por a vivermos acompanhados. Por a vivermos com tantas cores, cheiros, paladares.
È uma jornada fantástica. E amanhã? Logo se vê. Por enquanto ainda só tenho 31.
Não sou muito bom a fazer grandes saldos, nem olhar para trás com nostalgia, com pedagogia, com alegria, ou qualquer outro fenómeno especial.
A verdade dos factos parece-me simples: nunca nos sentimos tão maduros como pensávamos que nos sentiríamos quando chegássemos a esta idade, e olhando para a malta mais nova, não nos lembramos de nos sentir tão jovens como eles parecem ser.
Lembro-me de olhar com respeito e admiração para as pessoas de 30 anos, jovens adultos, já com um tipo de humor diferente, com ar sério, com uma postura respeitável e considerada. Que pareciam ter a vida organizada, saber para onde queriam ir e de onde vinham.
Na realidade, chegado a esta bela idade, olho para trás e não sinto assim tão diferente. Tão mais maduro, mais velho, mais sábio. A única coisa que realmente me parece diferente é que olhando para os amigos com vinte anos, vinte e tal, eles me parecem tão novos. E eu não me lembro de me sentir assim.
Mas isto de se viver o presente acaba por ser um pouco assim. Não guardamos a memória do bom, nem do mau. Não remoemos o que se passou, e o que se irá passar.
Com toda a certeza que há planos que não se concretizaram, e outros que se tornaram realidade. Houve surpresas e desilusões.
Esta coisa de se viver é uma aventura extraordinária. Por a vivermos sem controlar o nosso destino, por a vivermos acompanhados. Por a vivermos com tantas cores, cheiros, paladares.
È uma jornada fantástica. E amanhã? Logo se vê. Por enquanto ainda só tenho 31.
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