segunda-feira, 26 de junho de 2006

In(compatibilidades)

Há acontecimentos relacionais entre o homem e a mulher que, como já o disse muita vezes, não podem ser clarificados ou compreendidos, pelo menos por mim (mas continuo a tentar). Esse mistério é para mim fascinante. A facilidade como a comunicação entre duas pessoas se transforma em algo diferente, menos fluido e mais tenso.

Julgo que o que despoleta sempre essa tensão é um qualquer mal estar, seja sobre o que for, que sentimos cá dentro. E depois, rapidamente achamos um responsável. Claro que se essa tensão surge na relação entre duas pessoas do mesmo sexo, então tudo se resolve com uma piada, com uns dias de férias, ou com umas cacetadas (físicas ou emocionais).

Mas entre um homem e o mulher é diferente. Aquilo parece mais um trampolim, em que cada um quer saltar mais alto do que o outro: "O que queres dizer com sou sossegado?", "Então mas não me tinhas dito que querias desligar o telefone?", "Mas não estás sempre a dizer que precisamos de passar mais tempo juntos?"

E depois pronto... Parece uma afirmação, que se ouve como uma acusação. "Tás farto? Então tens bom remédio!", "Epá, sinceramente estou farta das tuas tretas...", "Ai é... Ontem era lindo, hoje sou horrível?"

E aquilo vai sendo uma catapulta de mal estares acumulados, guardados, armazenados até ao momento em que se podem arremeçar. Tudo com a vontade de saltar mais alto.

Mas o que assusta é ser tudo tão parecido...

Depois eles começam a ficar fartos, a não perceber o que se passa, porque é que elas estão a stressar. E elas começam a sentir que eles não estão comprometidos, que não são adultos, que não sabem o que querem.

E eles querem uma amante e não uma mãe (ou pelo menos, assim pensam). E elas querem um másculo e maduro amante e não um preguiçoso e acomodado (ou pelo menos, assim pensam).

Mas depois há a contradição dos objectivos, da forma de estar na relação, do sentimento, da participação, do empenho. E isso vai aumentando os saltos do trampolim. Até ao momento em que um salta fora.

E depois pensa: "Isto nunca mais." Mas em rigor, tenho que vos avisar. Vai ser sempre mais ou menos assim. Porque: não é o outro que transporta essas tensões. Somos nós que escolhemos os nossos parceiros a dedo. Que repetimos e repetimos os momentos e as tensões e as alegrias. Porque julgo que é isso que vimos aprender. A aprender a aprendermos com os outros. A viver em comunidade.

E por isso ando a experimentar praticar: menos saltos, mais compreensão.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Ver Para Crêr Como São Tomé

Ontem durante uma conversa animada, alguém disse: De S. Tomé todos temos um pouco...
Silenciosamente concordei que na nossa vida, há sempre momentos em que as nossas convicções são postas em causa, e em que presumimos que o que nos dizem/prometem pode não corresponder à verdade. Nessas alturas esperamos, mais ou menos pacientemente, pela prova do facto.

Claro que alguns mais inovadores até poderiam dizer: Eu preciso de ver, para querer! Depois de o olhar se convencer vem o corpo todo a seguir.

Mas voltemos à fé e a convicção...

Depois da minha amiga ter feito esta afirmação, pouco controversa, outra amiga vez uma muito mais polémica: Para mim nunca foi assim, foi mais ao contrário. Eu sempre vi mais do que o queria. E isso para mim era por vezes muito difícil.

Não estou a questionar o valor, a importância, ou as escolhas pessoais dela. Nem a veracidade do que disse. Aliás nem a ponho em causa. Muitas vezes vi e presenciei o que ela agora afirmava.

Mas realmente o que me pôs a pensar foi: se é preciso ver para crer para S. Tomé -> a minha amiga diz que sempre viu mais do que queria -> então ela nunca precisou de crer, porque já via e portanto acreditava nesses acontecimentos como verdadeiros e portanto não precisou de acreditar cegamente.

Ou seja, para descomplicar. É sempre fácil acreditar no que se vê, porque se crê no que se vê. O difícil, quer se veja muito ou pouco, é acreditar ou querer acreditar no que não se vê. No que não se sabe, mas apenas se vislumbra.

Em Barcelona li num cartão: Se já és tudo aquilo que queres ser, então é porque não te esforças o suficiente...

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Troca de Esposas (?!?)

Num destes dias em que andava no famoso "zapping" cruzei-me com um programa de deixar todos de boca aberta. No canal People + Art estavam a dar um programa chamado "Troca de Esposas".

http://tupeople.com/cambiemosesposas_regional/

Pensei que já tinha visto de tudo na TV mas afinal não. O princípio é simples, pegam em duas mulheres casadas e durante não sei quantos dias elas vão viver para a família da outra mulher. Claro que eles escolhem aquelas famílias que têm a certeza iram entrar em choque. Depois na primeira parte, elas cumprem as regras da casa, na segunda parte, são as novas esposas que definem as regras.

Eu não quero parecer demasiado crítico mas acho que estamos a dar início a uma moda perigosa.

A - como é que se define o grau de intimidade destas novas relações? Beijos, carícias, conversas cordiais? Porque pode ser confuso. Tás tu de manhã a sair da cama e de repente na casa de banho está a tua outra mulher. Bolas, que confusão.

B - As crianças também é complicado. Então esta semana quem é a minha mãe? Esta? Ah! Não, esta é a senhora da limpeza.

C - Depois é terrivelmente sexista. Porque é que não se troca de filhos, ou de maridos, ou de sogras (este acho que seria muito interessante).

D - Agora imaginem outro programa. A Troca de Chefes, ou A Troca de Vizinhos, ou a Troca de Médico. Era todo um mundo novo que se abriria.

Eles dizem que se aprende sempre muito com a troca. Eu acho que se aprende muito sobre o que é má televisão.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Passos Largos

Caminho a passos largos,
Por essas ruas indefinidas,
Ruas largas, ruas estreitas,
A passos largos e não estreitos,
A caminho de um horizonte,
Que não se alcança por que é sempre assim.
Caminho com o amor tombado nas mãos,
Um amor que morre, um amor que nasce,
Um amor incerto como as ruas que percorro,
Mas largo como os passos que teimo em dar.
Sonho um futuro de pôr do sol,
Um amanhã sorridente,
Com o sol por entre os tijolos e azulejos,
Nas ruas desta cidade também incerta.
Procuro encontrar um passo adiante,
O que teimo em não encontrar,
Ou que teima em não aparecer.
Caminho a passos largos e decididos,
Porque está calor e porque é bom,
Porque o amor que nas mãos carrego,
Cresce verde de esperança,
A cada dia e a cada passo.
Não vejo por certo o amanhã,
Nem a mim ele pertence.
Mas a esperança?
Essa é larga como os meus passos,
E luminosa como o sol desta cidade,
Em que não nasci,
Mas que é cada vez mais minha.
Caminho a passos largos...

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Sondagem sobre o post do peito das senhoras

Este foi o resultado final da sondagem antes de mudar o post:



Isto foi o que aconteceu depois, cada um que faça as suas interpretações ou comentários:



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Fantasma do Natal Futuro


Hoje fui acordado, ainda nem eram horas para os pássaros cantarem, pelo fantasma do natal futuro.


Não é de certo a primeira vez que me aparece, mas hoje foi mais nítido do que nunca. (Aliás ele já anda por perto faz algum tempo, mas isto só vê quem quer ver)


Para os que não conhecem a história, um homem muito "mau" é visitado por três fantasmas, na noite de Natal, cada um mostrando-lhe diferentes natais (passado, presente, futuro). Claro que o senhor resolve o seus problemas para mudar o futuro que se vislumbra tão negro.


Não é certo as razões pelas quais as pessoas se cruzam no mundo, ainda por cima, do tamanho que é. Ou seja, porque é que pessoas tão específicas vêm aparecer ao nosso lado, em determinado momento da nossa vida. Sinceramente, também não tenho explicação.


Mas esta visita de hoje, foi o espelho, mais ou menos distorcido, de um de tantos futuros possíveis da minha vida. Não que este espelho acidental seja uma má pessoa, ou injusta, ou cruel; é apenas uma pessoa, mas que para mim representou, pelo menos hoje, algo que eu poderei vir a ser e que me assustou.


Também não sei se podemos alterar em grande medida o que nos acontece, mas temos, e isso acredito, a força para mudar a direcção do nosso caminho, a determinação para recusar ou aceitar o que nos acontece e para não nos rendermos a um determinismo fatalista (acho que é mesmo o que mais me assusta nas pessoas).


Não quero este Natal Futuro para mim, quero coisas diferentes. Mais ternura, mais amor, mais harmonia e mais serenidade.


"Aprendi a lição senhor fantasma, prometo!"


PS: Para os que não conhecem a história podem lê-la aqui.


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