segunda-feira, 10 de julho de 2006

Segunda - Serviços em Portugal - Anedotas em Tempo Real

Estive em contacto com um ministério para obter um orçamento que precisava com urgência. Para além de me terem reencaminhado a chamada 40 vezes acabei por conseguir falar com a pessoa que faz os orçamentos.

Ela disse que o email a pedir os orçamentos era centralizado, mas se tinha pressa também podia enviar um email para o chefe dela que provavelmente fariam as coisas mais depressa. Fiquei muito agradecido pela simpatia e enviei os dois emails como combinado.

Passado dois dias recebi de dois emails diferentes dois orçamentos completamente diferentes que faziam menção ao mesmo pedido de orçamento. A diferença de valores era maior que 100€ entre os dois.

Sem perceber o que se passava e o porquê da diferença liguei para a senhora simpática. Ela disse-me que provavelmente tinha sido outro departamento a fazer o outro orçamento e que teria de averiguar. E que se eu pudesse enviar o orçamento que não tinha sido ela a fazer para o email do chefe dela, que ela agradecia, e que depois entrariam em contacto comigo.

Naquela tarde toca o telefone e o senhor que fala do outro lado do telefone diz logo para começar: "Ora vamos lá ver..." e depois continua "o senhor [a referir-se a mim] agiu de má fé" e ainda disse "e o que o senhor fez não se faz."

Como????

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Primeira - Serviços em Portugal - Anedotas em Tempo Real

Vou começar uma série de Anedotas Reais sobre os nossos serviços. Espero que apreciem!

No outro dia estive no Registo Nacional de Pessoas Colectivas em Lisboa. Na zona de atendimento aos clientes, onde existem computadores e impressoras topo de gama, existe um senhor que está num computador por baixo de uma tabuleta que diz unicamente: "Organizações Religiosas Não Católicas".

(??????????????????)

Estamos a ser invadidos por seitas?
Será que o senhor só atende um utente de 3 em 3 anos?
Será que no fundo a placa só está lá para proporcionar humor a quem espera?

segunda-feira, 26 de junho de 2006

In(compatibilidades)

Há acontecimentos relacionais entre o homem e a mulher que, como já o disse muita vezes, não podem ser clarificados ou compreendidos, pelo menos por mim (mas continuo a tentar). Esse mistério é para mim fascinante. A facilidade como a comunicação entre duas pessoas se transforma em algo diferente, menos fluido e mais tenso.

Julgo que o que despoleta sempre essa tensão é um qualquer mal estar, seja sobre o que for, que sentimos cá dentro. E depois, rapidamente achamos um responsável. Claro que se essa tensão surge na relação entre duas pessoas do mesmo sexo, então tudo se resolve com uma piada, com uns dias de férias, ou com umas cacetadas (físicas ou emocionais).

Mas entre um homem e o mulher é diferente. Aquilo parece mais um trampolim, em que cada um quer saltar mais alto do que o outro: "O que queres dizer com sou sossegado?", "Então mas não me tinhas dito que querias desligar o telefone?", "Mas não estás sempre a dizer que precisamos de passar mais tempo juntos?"

E depois pronto... Parece uma afirmação, que se ouve como uma acusação. "Tás farto? Então tens bom remédio!", "Epá, sinceramente estou farta das tuas tretas...", "Ai é... Ontem era lindo, hoje sou horrível?"

E aquilo vai sendo uma catapulta de mal estares acumulados, guardados, armazenados até ao momento em que se podem arremeçar. Tudo com a vontade de saltar mais alto.

Mas o que assusta é ser tudo tão parecido...

Depois eles começam a ficar fartos, a não perceber o que se passa, porque é que elas estão a stressar. E elas começam a sentir que eles não estão comprometidos, que não são adultos, que não sabem o que querem.

E eles querem uma amante e não uma mãe (ou pelo menos, assim pensam). E elas querem um másculo e maduro amante e não um preguiçoso e acomodado (ou pelo menos, assim pensam).

Mas depois há a contradição dos objectivos, da forma de estar na relação, do sentimento, da participação, do empenho. E isso vai aumentando os saltos do trampolim. Até ao momento em que um salta fora.

E depois pensa: "Isto nunca mais." Mas em rigor, tenho que vos avisar. Vai ser sempre mais ou menos assim. Porque: não é o outro que transporta essas tensões. Somos nós que escolhemos os nossos parceiros a dedo. Que repetimos e repetimos os momentos e as tensões e as alegrias. Porque julgo que é isso que vimos aprender. A aprender a aprendermos com os outros. A viver em comunidade.

E por isso ando a experimentar praticar: menos saltos, mais compreensão.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Ver Para Crêr Como São Tomé

Ontem durante uma conversa animada, alguém disse: De S. Tomé todos temos um pouco...
Silenciosamente concordei que na nossa vida, há sempre momentos em que as nossas convicções são postas em causa, e em que presumimos que o que nos dizem/prometem pode não corresponder à verdade. Nessas alturas esperamos, mais ou menos pacientemente, pela prova do facto.

Claro que alguns mais inovadores até poderiam dizer: Eu preciso de ver, para querer! Depois de o olhar se convencer vem o corpo todo a seguir.

Mas voltemos à fé e a convicção...

Depois da minha amiga ter feito esta afirmação, pouco controversa, outra amiga vez uma muito mais polémica: Para mim nunca foi assim, foi mais ao contrário. Eu sempre vi mais do que o queria. E isso para mim era por vezes muito difícil.

Não estou a questionar o valor, a importância, ou as escolhas pessoais dela. Nem a veracidade do que disse. Aliás nem a ponho em causa. Muitas vezes vi e presenciei o que ela agora afirmava.

Mas realmente o que me pôs a pensar foi: se é preciso ver para crer para S. Tomé -> a minha amiga diz que sempre viu mais do que queria -> então ela nunca precisou de crer, porque já via e portanto acreditava nesses acontecimentos como verdadeiros e portanto não precisou de acreditar cegamente.

Ou seja, para descomplicar. É sempre fácil acreditar no que se vê, porque se crê no que se vê. O difícil, quer se veja muito ou pouco, é acreditar ou querer acreditar no que não se vê. No que não se sabe, mas apenas se vislumbra.

Em Barcelona li num cartão: Se já és tudo aquilo que queres ser, então é porque não te esforças o suficiente...

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Troca de Esposas (?!?)

Num destes dias em que andava no famoso "zapping" cruzei-me com um programa de deixar todos de boca aberta. No canal People + Art estavam a dar um programa chamado "Troca de Esposas".

http://tupeople.com/cambiemosesposas_regional/

Pensei que já tinha visto de tudo na TV mas afinal não. O princípio é simples, pegam em duas mulheres casadas e durante não sei quantos dias elas vão viver para a família da outra mulher. Claro que eles escolhem aquelas famílias que têm a certeza iram entrar em choque. Depois na primeira parte, elas cumprem as regras da casa, na segunda parte, são as novas esposas que definem as regras.

Eu não quero parecer demasiado crítico mas acho que estamos a dar início a uma moda perigosa.

A - como é que se define o grau de intimidade destas novas relações? Beijos, carícias, conversas cordiais? Porque pode ser confuso. Tás tu de manhã a sair da cama e de repente na casa de banho está a tua outra mulher. Bolas, que confusão.

B - As crianças também é complicado. Então esta semana quem é a minha mãe? Esta? Ah! Não, esta é a senhora da limpeza.

C - Depois é terrivelmente sexista. Porque é que não se troca de filhos, ou de maridos, ou de sogras (este acho que seria muito interessante).

D - Agora imaginem outro programa. A Troca de Chefes, ou A Troca de Vizinhos, ou a Troca de Médico. Era todo um mundo novo que se abriria.

Eles dizem que se aprende sempre muito com a troca. Eu acho que se aprende muito sobre o que é má televisão.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Passos Largos

Caminho a passos largos,
Por essas ruas indefinidas,
Ruas largas, ruas estreitas,
A passos largos e não estreitos,
A caminho de um horizonte,
Que não se alcança por que é sempre assim.
Caminho com o amor tombado nas mãos,
Um amor que morre, um amor que nasce,
Um amor incerto como as ruas que percorro,
Mas largo como os passos que teimo em dar.
Sonho um futuro de pôr do sol,
Um amanhã sorridente,
Com o sol por entre os tijolos e azulejos,
Nas ruas desta cidade também incerta.
Procuro encontrar um passo adiante,
O que teimo em não encontrar,
Ou que teima em não aparecer.
Caminho a passos largos e decididos,
Porque está calor e porque é bom,
Porque o amor que nas mãos carrego,
Cresce verde de esperança,
A cada dia e a cada passo.
Não vejo por certo o amanhã,
Nem a mim ele pertence.
Mas a esperança?
Essa é larga como os meus passos,
E luminosa como o sol desta cidade,
Em que não nasci,
Mas que é cada vez mais minha.
Caminho a passos largos...