Não sei como são as amizades de cada um. Aliás cada amizade é única. Misteriosa e delicada. Diferente e única.
Conheci o meu amigo J no primeiro dia das praxes do meu primeiro dia como universitário. Presos numas grades de Entrecampos ele estendeu-me a mão e apresentou-se. Ficámos amigos. E somos muito amigos.
Agora ele vive lá fora. Corajosamente decidiu partir à sua procura para sítios onde a vida (para ele) lhe sorri mais.
Há um traço que distingue a nossa relação, e que tantas vezes me enche de uma saudade alegre. Foi sempre com ele que fui o mais de mim. Foi com ele que jogava computador até de manhã. Foi com ele que fui ver todos aqueles filmes que ninguém mais quer ver: Os Anjos de Charlie. Era com ele que falava de tudo, que revelava tudo, por saber que não havia crítica, não havia dúvida. Porque sempre nos ouvimos e nos respeitámos.
Foi com ele ao meu lado que descobri o que era ser jovem adulto, experimentar as coisas, os excessos, os limites. Foi com ele que viajei para perto e para longe.
Agora que ele está mais longe sinto falta desses momentos. Dessa amizade desprendida em que podemos dar azo a todos os caprichos. Em que podemos satisfazer desejos mais ou menos infantis, mais ou menos irresponsáveis.
Há amizades para tudo, para todas as circunstâncias, para todos os momentos.
A minha com o J é assim, é a altura de ficar outra vez estudante, outra vez arisco, outra vez brincalhão, e de cometer as loucuras que sempre nos apetecem e nem sempre temos coragem para fazer.
E este é o meu hino à nossa amizade.
Há um espaço que não cansa. Há um tempo que corre tranquilo. Há sempre lugar para tudo. Caminhamos com um sorriso. Afinal, há BOM TEMPO NO CANAL. Este é um blog sobre quase tudo, mas principalmente sobre o dia a dia, os acontecimentos, as pessoas e as suas relações.
terça-feira, 25 de julho de 2006
Numa noite de verão
Hoje, perto da casa de um amigo meu, vi umas crianças a brincar na rua e deu-me uma saudade enorme desses maravilhosos momentos.
Ser criança tem mil encantos. É cheio de aventura, de ousadia, de alegria e de emoção.
Lembro-me quando descia à rua naquelas noites quentes. Noites de t-shirt e calção. Noites de escondidas e de apanhada. Noites de primeiros amores. Noites de slows agarradinhos na garagem de um amigo. Noites de gelado na esplanada. Noites de uns cigarros inocentes, de umas cervejas amargas, de uns cafés inexperientes, noites de pão com chouriço ou de bolos de canela.
E como era bom caminhar pelas ruas, ao lado da lua, pelas ruas vazias, a rir dos disparates de se ser criança ou adolescente.
Naqueles momentos não há complicação, não há stress, não há dor, não há responsabilidade.
Havia música, e segredos, e amigos, e crescimentos cheios de aventura.
Gosto das noites de verão!
Ser criança tem mil encantos. É cheio de aventura, de ousadia, de alegria e de emoção.
Lembro-me quando descia à rua naquelas noites quentes. Noites de t-shirt e calção. Noites de escondidas e de apanhada. Noites de primeiros amores. Noites de slows agarradinhos na garagem de um amigo. Noites de gelado na esplanada. Noites de uns cigarros inocentes, de umas cervejas amargas, de uns cafés inexperientes, noites de pão com chouriço ou de bolos de canela.
E como era bom caminhar pelas ruas, ao lado da lua, pelas ruas vazias, a rir dos disparates de se ser criança ou adolescente.
Naqueles momentos não há complicação, não há stress, não há dor, não há responsabilidade.
Havia música, e segredos, e amigos, e crescimentos cheios de aventura.
Gosto das noites de verão!
segunda-feira, 10 de julho de 2006
Segunda - Serviços em Portugal - Anedotas em Tempo Real
Estive em contacto com um ministério para obter um orçamento que precisava com urgência. Para além de me terem reencaminhado a chamada 40 vezes acabei por conseguir falar com a pessoa que faz os orçamentos.
Ela disse que o email a pedir os orçamentos era centralizado, mas se tinha pressa também podia enviar um email para o chefe dela que provavelmente fariam as coisas mais depressa. Fiquei muito agradecido pela simpatia e enviei os dois emails como combinado.
Passado dois dias recebi de dois emails diferentes dois orçamentos completamente diferentes que faziam menção ao mesmo pedido de orçamento. A diferença de valores era maior que 100€ entre os dois.
Sem perceber o que se passava e o porquê da diferença liguei para a senhora simpática. Ela disse-me que provavelmente tinha sido outro departamento a fazer o outro orçamento e que teria de averiguar. E que se eu pudesse enviar o orçamento que não tinha sido ela a fazer para o email do chefe dela, que ela agradecia, e que depois entrariam em contacto comigo.
Naquela tarde toca o telefone e o senhor que fala do outro lado do telefone diz logo para começar: "Ora vamos lá ver..." e depois continua "o senhor [a referir-se a mim] agiu de má fé" e ainda disse "e o que o senhor fez não se faz."
Como????
Ela disse que o email a pedir os orçamentos era centralizado, mas se tinha pressa também podia enviar um email para o chefe dela que provavelmente fariam as coisas mais depressa. Fiquei muito agradecido pela simpatia e enviei os dois emails como combinado.
Passado dois dias recebi de dois emails diferentes dois orçamentos completamente diferentes que faziam menção ao mesmo pedido de orçamento. A diferença de valores era maior que 100€ entre os dois.
Sem perceber o que se passava e o porquê da diferença liguei para a senhora simpática. Ela disse-me que provavelmente tinha sido outro departamento a fazer o outro orçamento e que teria de averiguar. E que se eu pudesse enviar o orçamento que não tinha sido ela a fazer para o email do chefe dela, que ela agradecia, e que depois entrariam em contacto comigo.
Naquela tarde toca o telefone e o senhor que fala do outro lado do telefone diz logo para começar: "Ora vamos lá ver..." e depois continua "o senhor [a referir-se a mim] agiu de má fé" e ainda disse "e o que o senhor fez não se faz."
Como????
quarta-feira, 28 de junho de 2006
Primeira - Serviços em Portugal - Anedotas em Tempo Real
Vou começar uma série de Anedotas Reais sobre os nossos serviços. Espero que apreciem!
No outro dia estive no Registo Nacional de Pessoas Colectivas em Lisboa. Na zona de atendimento aos clientes, onde existem computadores e impressoras topo de gama, existe um senhor que está num computador por baixo de uma tabuleta que diz unicamente: "Organizações Religiosas Não Católicas".
(??????????????????)
Estamos a ser invadidos por seitas?
Será que o senhor só atende um utente de 3 em 3 anos?
Será que no fundo a placa só está lá para proporcionar humor a quem espera?
No outro dia estive no Registo Nacional de Pessoas Colectivas em Lisboa. Na zona de atendimento aos clientes, onde existem computadores e impressoras topo de gama, existe um senhor que está num computador por baixo de uma tabuleta que diz unicamente: "Organizações Religiosas Não Católicas".
(??????????????????)
Estamos a ser invadidos por seitas?
Será que o senhor só atende um utente de 3 em 3 anos?
Será que no fundo a placa só está lá para proporcionar humor a quem espera?
segunda-feira, 26 de junho de 2006
In(compatibilidades)
Há acontecimentos relacionais entre o homem e a mulher que, como já o disse muita vezes, não podem ser clarificados ou compreendidos, pelo menos por mim (mas continuo a tentar). Esse mistério é para mim fascinante. A facilidade como a comunicação entre duas pessoas se transforma em algo diferente, menos fluido e mais tenso.
Julgo que o que despoleta sempre essa tensão é um qualquer mal estar, seja sobre o que for, que sentimos cá dentro. E depois, rapidamente achamos um responsável. Claro que se essa tensão surge na relação entre duas pessoas do mesmo sexo, então tudo se resolve com uma piada, com uns dias de férias, ou com umas cacetadas (físicas ou emocionais).
Mas entre um homem e o mulher é diferente. Aquilo parece mais um trampolim, em que cada um quer saltar mais alto do que o outro: "O que queres dizer com sou sossegado?", "Então mas não me tinhas dito que querias desligar o telefone?", "Mas não estás sempre a dizer que precisamos de passar mais tempo juntos?"
E depois pronto... Parece uma afirmação, que se ouve como uma acusação. "Tás farto? Então tens bom remédio!", "Epá, sinceramente estou farta das tuas tretas...", "Ai é... Ontem era lindo, hoje sou horrível?"
E aquilo vai sendo uma catapulta de mal estares acumulados, guardados, armazenados até ao momento em que se podem arremeçar. Tudo com a vontade de saltar mais alto.
Mas o que assusta é ser tudo tão parecido...
Depois eles começam a ficar fartos, a não perceber o que se passa, porque é que elas estão a stressar. E elas começam a sentir que eles não estão comprometidos, que não são adultos, que não sabem o que querem.
E eles querem uma amante e não uma mãe (ou pelo menos, assim pensam). E elas querem um másculo e maduro amante e não um preguiçoso e acomodado (ou pelo menos, assim pensam).
Mas depois há a contradição dos objectivos, da forma de estar na relação, do sentimento, da participação, do empenho. E isso vai aumentando os saltos do trampolim. Até ao momento em que um salta fora.
E depois pensa: "Isto nunca mais." Mas em rigor, tenho que vos avisar. Vai ser sempre mais ou menos assim. Porque: não é o outro que transporta essas tensões. Somos nós que escolhemos os nossos parceiros a dedo. Que repetimos e repetimos os momentos e as tensões e as alegrias. Porque julgo que é isso que vimos aprender. A aprender a aprendermos com os outros. A viver em comunidade.
E por isso ando a experimentar praticar: menos saltos, mais compreensão.
Julgo que o que despoleta sempre essa tensão é um qualquer mal estar, seja sobre o que for, que sentimos cá dentro. E depois, rapidamente achamos um responsável. Claro que se essa tensão surge na relação entre duas pessoas do mesmo sexo, então tudo se resolve com uma piada, com uns dias de férias, ou com umas cacetadas (físicas ou emocionais).
Mas entre um homem e o mulher é diferente. Aquilo parece mais um trampolim, em que cada um quer saltar mais alto do que o outro: "O que queres dizer com sou sossegado?", "Então mas não me tinhas dito que querias desligar o telefone?", "Mas não estás sempre a dizer que precisamos de passar mais tempo juntos?"
E depois pronto... Parece uma afirmação, que se ouve como uma acusação. "Tás farto? Então tens bom remédio!", "Epá, sinceramente estou farta das tuas tretas...", "Ai é... Ontem era lindo, hoje sou horrível?"
E aquilo vai sendo uma catapulta de mal estares acumulados, guardados, armazenados até ao momento em que se podem arremeçar. Tudo com a vontade de saltar mais alto.
Mas o que assusta é ser tudo tão parecido...
Depois eles começam a ficar fartos, a não perceber o que se passa, porque é que elas estão a stressar. E elas começam a sentir que eles não estão comprometidos, que não são adultos, que não sabem o que querem.
E eles querem uma amante e não uma mãe (ou pelo menos, assim pensam). E elas querem um másculo e maduro amante e não um preguiçoso e acomodado (ou pelo menos, assim pensam).
Mas depois há a contradição dos objectivos, da forma de estar na relação, do sentimento, da participação, do empenho. E isso vai aumentando os saltos do trampolim. Até ao momento em que um salta fora.
E depois pensa: "Isto nunca mais." Mas em rigor, tenho que vos avisar. Vai ser sempre mais ou menos assim. Porque: não é o outro que transporta essas tensões. Somos nós que escolhemos os nossos parceiros a dedo. Que repetimos e repetimos os momentos e as tensões e as alegrias. Porque julgo que é isso que vimos aprender. A aprender a aprendermos com os outros. A viver em comunidade.
E por isso ando a experimentar praticar: menos saltos, mais compreensão.
quarta-feira, 14 de junho de 2006
Ver Para Crêr Como São Tomé
Ontem durante uma conversa animada, alguém disse: De S. Tomé todos temos um pouco...
Silenciosamente concordei que na nossa vida, há sempre momentos em que as nossas convicções são postas em causa, e em que presumimos que o que nos dizem/prometem pode não corresponder à verdade. Nessas alturas esperamos, mais ou menos pacientemente, pela prova do facto.
Claro que alguns mais inovadores até poderiam dizer: Eu preciso de ver, para querer! Depois de o olhar se convencer vem o corpo todo a seguir.
Mas voltemos à fé e a convicção...
Depois da minha amiga ter feito esta afirmação, pouco controversa, outra amiga vez uma muito mais polémica: Para mim nunca foi assim, foi mais ao contrário. Eu sempre vi mais do que o queria. E isso para mim era por vezes muito difícil.
Não estou a questionar o valor, a importância, ou as escolhas pessoais dela. Nem a veracidade do que disse. Aliás nem a ponho em causa. Muitas vezes vi e presenciei o que ela agora afirmava.
Mas realmente o que me pôs a pensar foi: se é preciso ver para crer para S. Tomé -> a minha amiga diz que sempre viu mais do que queria -> então ela nunca precisou de crer, porque já via e portanto acreditava nesses acontecimentos como verdadeiros e portanto não precisou de acreditar cegamente.
Ou seja, para descomplicar. É sempre fácil acreditar no que se vê, porque se crê no que se vê. O difícil, quer se veja muito ou pouco, é acreditar ou querer acreditar no que não se vê. No que não se sabe, mas apenas se vislumbra.
Em Barcelona li num cartão: Se já és tudo aquilo que queres ser, então é porque não te esforças o suficiente...
Silenciosamente concordei que na nossa vida, há sempre momentos em que as nossas convicções são postas em causa, e em que presumimos que o que nos dizem/prometem pode não corresponder à verdade. Nessas alturas esperamos, mais ou menos pacientemente, pela prova do facto.
Claro que alguns mais inovadores até poderiam dizer: Eu preciso de ver, para querer! Depois de o olhar se convencer vem o corpo todo a seguir.
Mas voltemos à fé e a convicção...
Depois da minha amiga ter feito esta afirmação, pouco controversa, outra amiga vez uma muito mais polémica: Para mim nunca foi assim, foi mais ao contrário. Eu sempre vi mais do que o queria. E isso para mim era por vezes muito difícil.
Não estou a questionar o valor, a importância, ou as escolhas pessoais dela. Nem a veracidade do que disse. Aliás nem a ponho em causa. Muitas vezes vi e presenciei o que ela agora afirmava.
Mas realmente o que me pôs a pensar foi: se é preciso ver para crer para S. Tomé -> a minha amiga diz que sempre viu mais do que queria -> então ela nunca precisou de crer, porque já via e portanto acreditava nesses acontecimentos como verdadeiros e portanto não precisou de acreditar cegamente.
Ou seja, para descomplicar. É sempre fácil acreditar no que se vê, porque se crê no que se vê. O difícil, quer se veja muito ou pouco, é acreditar ou querer acreditar no que não se vê. No que não se sabe, mas apenas se vislumbra.
Em Barcelona li num cartão: Se já és tudo aquilo que queres ser, então é porque não te esforças o suficiente...
sábado, 3 de junho de 2006
Subscrever:
Mensagens (Atom)