segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Angola – Ainda não cheguei lá e já cá não estou

Podem saber mais em http://www.bernardoramirez.com/comunicacao/angola-ainda-nao-cheguei-la-e-ja-ca-nao-estou/

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Angola















A partir de Domingo dia 16 de Agosto vou estar em Angola. Diariamente espero deixar em http://www.bernardoramirez.com/comunicacao/ todas as impressões da minha estadia. São todos bem vindos, bem como os vossos comentários.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Silêncio

Desde há dois meses mudei de emprego, mudei de casa e vou mudar de país. Todas essas mudanças colocaram-me meio em silêncio, mas muito feliz.

Prometo que com a minha partida irei colocar aqui informação regular sobre as minhas aventuras em Luanda, Angola.

Fica um abraço e um beijo a todos aqueles que persistem em retornar.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

20H58M: O Puzzle dos Livros

Era uma vez uma menina que brincava com os livros. Dizia serem como peças de puzzle.

Leu primeiro O Fio da Navalha em que aprendeu muito sobre a sociedade americana dos finais do século XIX e início do século XX . Tanto que deixou quase todas as páginas do livro vincadas pelo sublinhado de um lápis que evidencia o que a tocou, o que quer dizer que gostou muito do livro . Considerou-o uma bíblia de relações sociais. Quando o acabou sentiu-se perdida. Tinha de encontrar a peça que encaixava com aquele que deixava para trás.

Da sua estante retirou uma outra obra. Essa já a tinha tentado encaixar anteriormente no puzzle dos livros, mas não conseguiu, pois não encontrava a posição devida ou não correspondia à forma que se deixava livre.

Deu início à sua leitura. Pareceu-lhe um pouco maçadora, no entanto esforçou-se por não dificultar o jogo e, então, apercebeu-se da importância daquela peça. Aos poucos ia encontrando semelhanças com a anterior e era divertido ver que não era tudo mera ficção, porque se o fosse não se repetiria por mão de autores tão diferentes, como são Edith Wharton desta segunda peça chamada A Idade da Inocência e W. Somerset Maugham da anterior.


21H10M: Segunda peça- O tempo

O tempo, o que fazemos com ele, a nossa previsibilidade, tudo se transforma em rotina e nos desenha aos outros mais nitidamente do que a nós, pois ainda temos esperança sobre a nossa pessoa, mas é tudo engano do medo que o tempo acabe.

...era uma das casas em que se sabia sempre o que acontecia a qualquer hora.

(...) As luzes já brilhavam através das janelas e Archer, quando a carruagem parou, entreviu o sogro, exactamente como o imaginara a passear na sala de relógio na mão, com a expressão triste que descobrira há muito ser mais eficaz que a fúria.

Temos de aprender a pouparmo-nos, mas isso não significa que vivamos no ócio.

Era um princípio na família Welland que os dias e as horas das pessoas deviam estar “preenchidos”. A possibilidade melancólica de ter de “matar tempo” ( especialmente aqueles que não gostavam de whist ou paciências ) era uma visão que a aterrava como o espectro dos desempregados aterra o filantropo. Outro dos seus princípios era que os pais nunca ( pelo menos de modo visível ) interferiam com os planos dos filhos casados. E a dificuldade de ajustar este respeito pela independência de May com a exigência dos pedidos de Mr. Welland só podia ser vencida pelo exercício de habilidade que não deixava um segundo do tempo de Mrs. Welland por preencher.

In Idade da Inocência, de Edith Wharton


Ela, a pequena menina dos puzzles, olhava para cada peça e pensava como é que podiam ser tão vivas, ter uma animação tão própria... Parecia que tinham vida, como os humanos. E, afinal, eram apenas o produto da imaginação.

Maravilhava-se com a capacidade dos adultos. Mas quando cresceu e começou a perceber que tudo isto era mais complicado do que juntar peças, viu que, afinal, os homens rejeitam outros homens, aqueles que têm ideias mais avançadas ou daquelas que nos fazem sonhar e ficarmos petrificados com a sua beleza.

Esses eram crianças em corpos de homens grandes... ela julgava que os outros também eram, só que tentavam apagar esse seu lado tão maravilhoso como embaraçoso, porque é regido pela força dos impulsos e do inesperado.

São marginais que não se convida para as festas, para partilhar o mesmo espaço. Ela tinha razão quando dava como justificação para tal recusa o medo dos adultos mascarados ficarem eclipsados pela força enérgica dos adultos crianças.


24H20M: Um bilhete a Edith Wharton

Fiquei desiludida com a forma como tudo acabou, pois esperava que eles tivessem mais força, que eles tomassem outros rumos e, sobretudo, que o destino escrito por ele fosse mais forte do que uma aceitação simples das convenções.

A Idade da Inocência chegou ao fim depois de me ter acompanhado desde há algum tempo. Agora, sem ela, sem aqueles meus amigos e amigas que me confessavam até aquilo que não sabiam, sem elas... como vai continuar os meus dias?! Apeguei-me a elas e, neste momento, já partiram assim, sem sequer manter contacto comigo nos próximos tempos!?

Ficou tudo em aberto, mas já acabado. Concordo que não gostei do último capítulo. Andei sempre na esperança de que o desfecho fosse outro. Queria que ele ficasse com ela, mesmo que isso fosse o início de uma dor enorme no coração da pobre May. Por outro lado, este amor quase platónico sabe bem e, logo, se fosse concretizado talvez não soubesse a nada.
Com estes personagens e toda a narrativa, com esta autora, aprendi tanto e não queria assim fazer esquecer este meu professor sem voltar a saber mais dele.

2000/2001

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Universo das infinitas possibilidades

Estou permanentemente no Universo das Infinitas Possibilidades.

Esse gigante oceano é como todos os grandes mares. Pode nos suportar, deixar-nos flutuar, acarinhar com a frescura da sua água, envolver-nos com carinhos e movimentos que lembram o embalar materno.

Mas também pode se transformar num ser espumoso, furioso, destruidor. Um ser frio e intempestivo. Uma massa poderosa e destruidora que nos arrasa e consome sem dó nem piedade.

Este Universo das Infinitas Possibilidades abre-me muitas vezes as portas para a magia do desconhecido, para a beleza do amor, para a alegria da aventura e do inesperado. Mas tantas outras vezes confronta-me com as minhas fragilidades. Desperta os meus fantasmas. Coloca-me num modo de repetição que me leva tantas vezes ao mesmo ponto.

E nesse Universo das Infinitas Possibilidades pergunto-me, ás vezes com alegria, outras vezes com sofrimento, o porquê? O porquê de tantas vezes sentir que percorri um grande caminho, e o de tantas outras vezes sentir que ainda estou no mesmo sítio.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Sexo, amor e corpo sem medo

Nas últimas semanas tenho pensado muito na relação que existe entre o amor e o desejo. Como podem ou não ser exclusivos, e como a nossa sociedade tenta permanentemente encontrar uma estrutura que nos permita gerir algo tão pouco "racional" e "ilmuminado".

Por razões que não me interessa agora abordar julgo termos chegado ao momento mais elevado da nossa castração sexual.

Nesse sentido, só conseguimos tender para duas dimensões diametralmente opostas, ou iguais: o liberalismo sexual extremo (e nesse sentido desconectado, infantil e irresponsável), ou a profunda preservação do corpo ao ponto de ignorar o que sentimos e somos (e nesse sentido infantil, irresponsável e desconectada).

Lidamos muito mal com o corpo e com os sentimentos que este nos desperta. Todos sabemos que existem mil regras sociais para o que é aceite ou não. E que essas mesmas regras provocam por si tantos comportamentos desviantes. Mas na realidade este é um mundo colorido. Homosexualidade, polisexualidade, sozinho ou em grupos, com ou sem adereços: na criatividade há um mundo de possibilidades.

Mas o problema é que nem conseguimos lidar com coisas tão simples como uma atracção (física, emocional, sentimental). Frases como: "estou a brincar", ou "mas sou comprometido", ou "mas ela é casada" são tantas vezes usadas como algema para a castração da nossa libido, ou até da curiosidade. A monogamia acaba por ser imposta e não conquistada. Não há espaço para a descoberta. E depois casamos, descasamos, traímos e somos traídos, temos filhos e deixamos de os ter. Temos amantes, namorados, affairs, esposas ou companheiros.

Por outro lado, ainda há uma noção quase "burguesa" que o amor verdadeiro só aparece uma vez e só se pode incidir sobre uma pessoa. E sobre isso (na série Bones):

Angela Montenegro: Tu tens esta noção burguesa...
Dr. Lance Sweets: Burguesa?
Angela Montenegro: ...que para o amor ser real ele tem de ser permanente. Não há nada permanente. Isto é um facto. Começamos e deixamos de amar outras pessoas, mas isso não faz o amor ser menos real.
Dr. Lance Sweets: Mm-hmm, talvez estejas a dizer isso porque nunca encontraste o amor da tua vida.
Angela Montenegro: Sim encontrei. Várias vezes.

Neste sentido acredito que o amor não é nem permanente, nem exclusivo por defeito. Ele só o pode ser por construção, por escolha, e por caminho percorrido (somos realmente uma sociedade sem noção da importância do trabalho e dos limites). Mas se não nos atrevemos a fazer as perguntas, a experimentar as respostas e a descobrir o nosso sentido que garantia temos de encontrar a felicidade?

Não sou a favor da irresponsabilidade sexual, mas acredito que o processo de auto-conhecimento do corpo, e o diálogo que ele exige, é fundamental para a evolução da humanidade. Dialogar, com palavras ou acções sobre o corpo, o sexo, as pilas e as vaginas, partilhar o que gostamos e o que tememos, o que queremos experimentar, vive tantas vezes aprisionado pela razão, pela vergonha ou pelo medo, que nunca conseguimos chegar a descobrir o que somos, e o que queremos.

O nosso corpo é expressão maravilhosa da nossa alma, e a sua aventura torna-nos maiores.

Por isso o diálogo é preciso, sem certo, nem errado, e com coragem de experimentar, de ser responsável e sensato nas suas descobertas, e na procura do que nos dá prazer e quais são os limites que isso encerra.

Isso é amor por nós!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Amor

Sobre o amor é muito interessante ver duas personagens de uma série dizerem coisas que considero tão pertinentes:

"Bones: The Skull in the Sculpture (#4.7)" (2008)
Dr. Lance Sweets: [Sitting together at a restaurant over dinner helping Angela work out her feelings and how she should go about her pursuing a her relationship with Roxie] It's exactly the same situation as the last time you were sitting here. Except, you know, you're quieter.
Angela Montenegro: No, that was about Hodgins. This is about Roxie.
Dr. Lance Sweets: [Loudly] You want to have sex with Roxie!
Angela Montenegro: What was that about quieter?
Dr. Lance Sweets: I'm sorry, I'm not certain you're being guided by your brain, that's all. Need can be confused with love. Fantasy can convince us that what we are feeling is love.
Angela Montenegro: So, you're saying is that this is all rebound?
Dr. Lance Sweets: Yeah.
Angela Montenegro: No, you don't understand love, Sweets.
Dr. Lance Sweets: I'm not as innocent as you might think.
Angela Montenegro: You have this bourgeois notion...
Dr. Lance Sweets: Bourgeois?
Angela Montenegro: ...that in order for love to be real it has to be permanent. Nothing is permanent. That's just a fact. We move in and out of loving other people, but that doesn't make the love any less real.
Dr. Lance Sweets: Mm-hmm, perhaps you're saying this because you haven't met the love of your life.
Angela Montenegro: I have actually. Many times.
Dr. Lance Sweets: Fine. It seems to me that you always leave yourself an escape hatch in your relationships, because you afraid of commitment.
Angela Montenegro: Nice try. But no. Actually, I commit to every person I love.
Dr. Lance Sweets: You marry a man and then conveniently forget that you married him because you got zonked on Kava Kava. That compromises your relationship with Hodgins so that ends, along with the marriage. Now you say you have these intense feelings for an ex-lover whose heart you've already broken. Don't you see the potential disaster here?
Angela Montenegro: Look, you said that, without the possibility of pain, there can be no joy, no real love.
Dr. Lance Sweets: I said that? That's beautiful.
Angela Montenegro: Look... I don't want to hurt Roxie again.
Dr. Lance Sweets: Then Don't. Don't. Put her welfare first. Let Roxie decide if she's ready to pursue this relationship.
Angela Montenegro: Okay. And what if she doesn't?
Dr. Lance Sweets: Then I'm afraid you'll have to live with that pain.



A minha parte favorita é:

Angela Montenegro: Tu tens esta noção burguesa...
Dr. Lance Sweets: Burguesa?
Angela Montenegro: ...que para o amor ser real ele tem de ser permanente. Não há nada permanente. Isto é um facto. Começamos e deixamos de amar outras pessoas, mas isso não faz o amor ser menos real.
Dr. Lance Sweets: Mm-hmm, talvez estas a dizer isto porque nunca encontraste o amor da tua vida.
Angela Montenegro: Sim encontrei. Várias vezes.