segunda-feira, 17 de março de 2008

Reflexos da Literatura


Gosto de me ver reflectido.
Gosto de me ver.
Gosto desse encontro com o ser.
Assusto-me no entanto por vezes com o tamanho das letras.
dos livros, do ser, do movimento.
São bolas de pinball que se agitam em mim.
Nos matrecos insatisfeitos do meu ser interior.
Gosto de saber.
Gosto de aprender.
Mas a vida é tão grande que só no imenso...
só no pequeno vazio do sem sentido, do ideal e do original...
Só nesse lugar nos podemos encontrar.
São reflexos de um ser literário.
São reflexos da literatura.
São a língua portuguesa.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Que belos números as palavras têm...

A hora certa, não sei... O piso era o segundo e a porta não precisava de identificação, pois as portas de biblioteca nós conhecemos de longe. E aquela era perra e de vidro maciço, um pouco como a dizer: “ Só entra quem vier por bem!”. Não deixava passar para fora qualquer tipo de ruído, até porque numa biblioteca, o culto silencioso é uma forma de concentração e de reconhecimento.
Os alunos eram poucos e os professores quase nenhuns. Sozinho estava o sítio das letras, das inúmeras palavras, das ilimitadas frases, enfim dos números dizíveis. O primeiro volume; a página número tal; o início de uma Estação - dia 21 de Março; um momento do dia, marcado por uma hora, a qual contém números e é discreta por versos bonitos que nem os podemos medir; o tempo que passa, porém deixa-se vincar pelo relógio... tempo esse que se reflecte em dias, semanas, meses, anos, décadas e até séculos; o eu que transmite a singularidade, o contrário do nós que já nos remete para o plural, para o mais do que um; a morte, a partida, o nunca e o sempre, a aurora, a noite, o hoje, o amanhã, o ontem, as mãos e os dedos, as árvores com o seu tronco, cópula, ramos e folhas, o acordar e dormir, o levantar e deitar... A dança que é construída por tempos ritmados, com intervalos que também expressão números. Adão e Eva, o primeiro casal ou o macaco, o primeiro Homem. Quando? Aqui! Que belos números têm as palavras...

Meio-dia
Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.
O sol no alto, fundo, enorme, aberto,
Tornou o céu de todo o deus deserto.
A luz cai implacável como um castigo.
Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso solitário e antigo,
Parece bater palmas.


O contar é uma forma de falar, como o enumerar um modo de soletrar. Existe uma relação!
Penso, agora, que seria meio-dia quando atravessei as portas daquele museu. Os livros, nas suas estantes, imponentes olhavam-me. Eu não quis deixá-los sem resposta e, logo, corri para eles, acariciei-os como se fossem estátuas de puro marfim. Eram monumentos abismais, cuja dimensão era infinitamente inexplicável. São testamentos doados à humanidade. Olhem, que é verdade!

É esta a hora...
É esta a hora perfeita em que se cala
O confuso murmurar das gentes
E dentro de nós finalmente fala
A voz grave dos sonhos indolentes.

É esta a hora em que as rosas são as rosas
Que floriram nos jardins persas
Onde Saadi e Hafiz as viram e as amaram.
É esta a hora das vozes misteriosas
Que os meus desejos preferiram e chamaram.
É esta a hora das longas conversas
Das folhas com as folhas unicamente.
É esta a hora em que o tempo é abolido
E nem sequer conheço a minha face.


No meio deles eu queria morrer. Gostava de morar entre as suas páginas, era tão doce dormir sobre os poemas escritos por ti. Quando morrer, quero - exijo - que me embrulhem nas suas folhas. No momento, em que os bichos me quiserem devorar vou estar protegida pela palavras dos deuses de Olimpo que desastres mil tinha pelas mãos de Homero ou, então, permitam-me, ó, bichos danados, que seja a carne da sandes de literatura Platónica. Proibo que me cubram de histórias americanas, como Erich Segal escreve. Isso, não!
Adeus, chegou o meu número!
Requesitei duas obras maravilhosas: O rei dos Lumes, do nosso português Américo Guerreiro de Sousa e Os meus Amores, da autoria de Trindade Coelho. O homem de cabelos encaracolados, pretos tingidos de fios brancos, não perguntou e eu nada disse. A verdade é que nem tenho cartão da biblioteca. Quer dizer, daquela biblioteca. Virei as costas e entrei em luta com as portas. Já cá fora e sem arranhões, andava pelos corredores, como se vaidosa fosse. Desci as escadas e encontrei o Saramago. O primeiro Homem que foi à Lua por sucesso e por inveja, dos outros, claro.
Trimmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm, o despertador! 7 horas e 20 vinte minutos. O autocarro é daqui a igual número de minutos e ainda tenho de fazer tanta coisa. Estes sonhos desorganizam-me sempre as ideias. Agora... 8 horas, toque mental para estar já sentada à espera das palavras, que não são poucas, do professor de Língua e Cultura Portuguesa. Duas horas a ouvi-lo!?! Depois...
E assim se vive nos tempos de hoje. Um dia a seguir ao outro, numa rotina que só é aliviada pelas realidades diferentes que surgem nocturnamente.

Nota: Os poemas transcritos são da autora Sophia de Mello Breyner Andresen e retirados do livro Poesia I.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A metade de cima ou a de baixo?

Dou a boas vindas à Ana Filipa Silva. Ela é segunda pessoa que convido para pertencer ao Bom Tempo no Canal. Também é formada em Comunicação e tem também um blog chamado Coisas Banais


O que temos em comum é uma visão nova sobre o mundo e sobre as pessoas que os habitam. Essa visão materializa-se nas Constelações e por isso é com alegria que a recebo aqui.

A história que se segue foi me oferecida pelo meu amigo LH e julgo que ilumina a natureza humana na perfeição.

A metade de cima ou a de baixo?

Um feliz casal dinamarquês partilhava um casamento há 25 anos. Como todas as relações também esta tinha os seus rituais. Todos os domingos o casal ia tranquilamente à padaria do bairro comprar um pão especial para o pequeno almoço. Era um pão maravilhoso e que enchia os seus domingos de alegria.

Chegando a casa preparavam o pequeno almoço e dividiam o pão ao meio. O homem ficava sempre com a metade de cima, e a mulher sempre com a metade de baixo. E eram felizes. E era sempre assim.

Durante 25 anos, todos os domingos, a metade de cima e a metade de baixo.

Neste domingo, o marido muito feliz vira-se para a sua esposa e diz: "Fico feliz por tu gostares mais da metade de baixo." De repente a mulher abre muito os olhos, olha para o marido e diz: "Mas eu gosto mais da de cima! Só como a de baixo porque achei que tu gostavas mais da de cima." O homem quase incrédulo vira-se para a mulher e diz: "Mas eu gosto mais da de baixo. Sempre te dei a de baixo porque achei que era a que tu gostavas mais."

25 anos ...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Voz dorminhoca

Ultimamente tem-me acontecido algo estranho: quando durante a noite ou quando acordo de manhã tenho necessidade de falar não saí som pela minha boca. A minha voz está completamente a dormir. E são precisos alguns segundos e por vezes até minutos para a convencer a trabalhar.

Queria saber se alguém conhece um remédio para vozes dorminhocas ou com problemas em acordar cedo.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Votar

Não doi e é fácil. Aqui já do lado direito está uma votação. Pedia-vos que votassem. É fácil, é barato, mas não dá milhões. E aqui o Bernardo agradecia.

Comentários mais detalhados podem deixá-los aqui a baixo.

Obrigodo malta.

quarta-feira, 5 de março de 2008

E a voltinha do fim-de-semana vai para....




A não perder mesmo. Sobretudo para quem ainda não se esqueceu de como é ser criança!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Somos 10000

No dia 31 de Agosto de 2005 surgia, com muito entusiasmo, o Bom Tempo no Canal. Como todas as coisas importantes resolvi fazer uma Abertura Oficial. Na altura ainda não sabia bem o que ia acontecer. Hoje sei que este é um blog sobre pessoas e para pessoas. Sobre comunicação, sobre sentimentos e sobre a alegria de se estar vivo.

Dois anos e meio depois o Bom Tempo no Canal cresceu. As coisas mais sérias e profissionais passaram para o bernardoramirez.com e o Bom Tempo no Canal ficou como o espaço de lazer e de entretenimento.

Assim, agora que já cresceu, achei interessante convidar amigos para colaborarem na sua escrita. Como que saindo da infância (solitária e privada) para uma adolescência comunitária. A primeira "convidada" é a Susana Domingues. Este convite ocorre por várias razões. Primeiro, porque desde que nos conhecemos que partilhámos vários sonhos na comunicação: o sonho de sermos comunicadores culturais e de criarmos a associação de comunicadores culturais, foi um deles. Segundo, porque a escrita dela (que podem encontrar no blog Aqui Somos Felizes) tem uma forma que me delicia e que senti ia enriquecer este espaço virtual.

E por isso dou as boas vindas à Susana e as boas vindas aos responsáveis pelas 10.000 visitas do Bom Tempo no Canal. Que a vossa jornada de leitura e de navegação vos entusiasme tanto como a mim.

(segundo a própria isto é um auto retrato)