Hoje acordei remetido a este tema sempre tão variado e abundante.
Aliás dizia logo de manhã no Twitter: "Bom dia gente do mundo - hoje estou a reflectir sobre as repetições e os silêncios"
Sempre me preocupei em ouvir com atenção o que me dizem, particularmente nas circunstâncias em que sinto que o que me dizem é relevante. Claro que para todas as regras há excepções e tenho pessoas queridas que já questionaram a minha atenção em momentos que lhes era particularmente pertinente a minha atenção. Mas acho poder dizer que sou atento ao sentimento e à sua expressão. Procuro nas palavras dos outros o que lhes vai na alma.
E deste ritual relacional sobresaem duas questões curiosas que quis partilhar convosco hoje:
- Existe em mim uma certa irritação com o barulho. Quando quero perceber e não posso. Quando quero ouvir e não consigo. O barulho incomoda-me. E no meio dessa dicotomia ouvir/não ouvir tenho dificuldade em explicar ao outro que aquele lugar e aquele momento não me permite a atenção que pretendia. Deveria ter a coragem de dizer: agora ou aqui não, mas não me é fácil recusar.
- Outra dificuldade é com as repetições. Como tento colocar a minha atenção no que me dizem, tenho dificuldade em entender porque algumas pessoas necessitam de repetir-me o mesmo que já me disseram em outra altura. E nesses momentos, a relação que tenho com as pessoas, cria um buffer variável de acordo com a importancia dessa pessoa na minha vida. Mas há pessoas que exageram. Que no mesmo dia me dizem sete vezes o mesmo. E isso incomoda-me.
Mas porque Bernardo? Numa primeira fase, reflecti que sentia isso como uma falta de respeito. Como se ao dizerem mais de uma vez qualquer coisa estariam a presumir que não tinha ouvido o que me disseram, ou que não lhes dei a oportunidade que precisavam.
Mas agora presumo que tem mais a ver comigo do que com eles. Provavelmente, realmente não "ouvi". Se calhar havia algo para perceber que não percebi. Ou algo para aceitar que não aceitei.
Isto das relações é muito misterioso.
Ou então não...
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