terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ex-Carro Azul

Há uns meses atrás fui à medica chinesa que me arranja as diferentes avarias que o meu corpo tende a apresentar de quando em vez.

Deitado na marquesa cheio de ventosas e agulhas variadas a Dra. pergunta-me no seu português: "De que cor é o seux carro?". Confesso que fiquei perplexo. Seria que a cor do carro influenciava o meu estado de saúde? Isso seria muito curioso, e a minha mente, amiga do invisível, pôs-se logo a fazer associações fantásticas.

"A cor do meu carro é azul doutora." respondi curioso.

A resposta dela não podia ter sido mais surpreendente. Volta-se para mim, com os olhos bem abertos, surpreendida e diz-me:"Azur??? Verrde, quer dizer verrde."

Agora ainda mais surpreendido me sentia. Querem ver que o meu sintoma é característico de quem tem um carro verde? Então porque será que tinha um carro azul? "Não doutora, é azul."

A doutora parecia cada vez mais admirada. Na sua surpresa só olhava para mim incrédula. Como se toda a ciência de validação cromática das viaturas dos seus pacientes estivesse posta em causa. Eu também não sabia o que dizer.

De repente, a pessoa que ia comigo começa a rir-se à gargalhada, compulsivamente. E eu e a doutora olhámos para ela com surpresa crescente. A pessoa, depois de acalmar um pouco, diz-me: "Não é o carro. É o escarro!!!".

Estivemos umas boas horas a rir sem parar. Mesmo com agulhas e ventosas, se não tivessem funcionado, a sessão de risota terá sido certamente terapêutica.


Hoje lá voltei. E a doutora repetiu a pergunta do costume: "De que cor é o seux carro?" Mas eu agora já sabia. Nessa não me apanha duas vezes.