sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Aquilo que me ilumina o rosto

Tenho passado muito tempo a reflectir sobre os temas, as coisas, que mexem comigo, que me fazem sentir, viver, amar. Quem não me conhece pensará: que maluco este, não deve ter nada para fazer! Os que me conhecem já sabem que me entretenho com estas coisas da vida.

E foi assim que cheguei à brilhante e também óbvia conclusão: os dois temas centrais da minha vida são a Fé e as Relações (nas suas diversas dimensões).

A fé porque nascemos e somos pessoas de fé: fé em nós, nos outros, em Deus, no mundo, na morte, na saudade, na alegria ou na tristeza. Porque vivemos porque acreditamos ou acreditamos que vivemos. Porque somos feitos de força e esta só pode advir da fé e da convicção na sua existência.

As relações porque tudo no mundo são relações. Porque me apaixona a complexidade, a dúvida, as dificuldades, as formas de comunicação e de complicação. Porque também na comunicação tem de existir fé. Porque temos de acreditar...

Não sei bem em quê ou onde poderia juntar estes dois grandes temas profissionalmente, mas posso-vos garantir que era nestes temas que gostaria de centrar a minha vida. Se souberem de algo, avisem :)

joãozinha disse...

A mim, entre muitas outras coisas, também me ilumina o rosto ler-te! Beijos e bom ano. Que em 2007 consigamos ser pessoas de rostos e corações ainda mais iluminados.

29 Dezembro, 2006 11:32

diana banana disse...

Quando eramos novos e mais inocentes, tu dedicavas á Astrologia o tempo que eu sempre achei que devias dedicar á vida.

Ler, compreender e ajudar os outros é uma tarefa que te aconselho a seres, para seres inteiro.

Beijão meu carneirão

02 Janeiro, 2007 03:00

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

E para quem gosta de rir

http://multimedia.rtp.pt/programa.php?prog=1684

http://multimedia.rtp.pt/programa.php?prog=2629

http://multimedia.rtp.pt/programa.php?prog=2628

Artê


Icnêuma disse...

"Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração

Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação

Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do Sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão"

Oriente, Elis Regina

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Já fui mulher eu sei!

Chico César - Mulher Eu Sei

Eu sei como pisar
No coração de uma mulher
Já fui mulher eu sei
Já fui mulher eu sei

Para pisar no coração de uma mulher
Basta calçar um coturno
Com os pés de anjo noturno

Para pisar no coração de uma mulher
Sapatilhas de arame
O balé belo infame


Para pisar no coração de uma mulher
Alpercatas de aço
O amoroso cangaço

Para pisar no coração de uma mulher
Pés descalços sem pele
Um passo que a revele

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Sobre o escrever e sobre o ler

Há muito tempo perguntaram-me porque escrevia num Blog. Por esse motivo fiz um post a dizer: escrevo por duas razões, porque gosto de escrever, e porque gosto de ser lido.

O ciclo da comunicação - escrever, e ser lido!

Ontem na TSF cruzei-me com uma escritora espanhola chamada Rosa Montero que escreveu A Louca da Casa, e que disse muito com que me identifiquei. Diz que quando escreve é como quando está apaixonada. É assim que me sinto.

Que aquilo que escreve tem uma vida própria, que o que escreve a escolhe a ela. Tem de o escrever.

Vão lá ouvir que vale a pena foi o Pessoal e Transmissível de 20 de Dezembro de 2006

Se não se regista no olhar, aquilo que o peito sente, fica então na alma, a gravação de tamanho momento.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Podia até ser!


Podia até ser:

Que o mundo ficasse melhor,
que vivessemos em paz,
que as pessoas sorrissem,
que houvesse compreenção,
que o amor fosse jovial e leve,
que todos quisessem o bem,
que o mundo brilhasse tranquilo,
que todos tivessem o que quisessem...

Vamos fazer os possíveis?

FELIZ NATAL PARA TODOS

foto by .....***Sissi***.....

sábado, 16 de dezembro de 2006

Faz-se uma casa















Tenho uma amiga que diz: Pedras no meu caminho?








Vou juntando-as e qualquer dia faço uma casa com elas.













Estas pedras são parte da vida. Umas vezes pesam, outras até se guardam na algibeira. Umas são bonitas e leves, outras pesadas e duras. Mas são sempre pedras, e podemos sempre fazer algo com elas :D

sábado, 9 de dezembro de 2006

Sempre em dúvida

Esta coisa da relação é muito misteriosa.

Sozinhos não conseguimos olhar para nós próprios e perceber as nossas qualidades e defeitos (pelo menos, não tão bem). Com o outro temos sempre dificuldade em reconhecer, aceitar e incorporar aquilo que nos dizem.

Fazem falta, mas não são fáceis!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Comentários valorizados

A pedido de um amigo decidi tentar descobri um modo de valorizar os comentários que são feitos aos meus textos.

Aprecio-os muito, mas por vezes ficam perdidos na scroll bar do Bom Tempo no Canal.

Assim agora já se pode ver em cada post o nome de quem comentou. E na barra lateral também se pode ver quais são os comentários mais recentes, e quem os fez.

Para além disso carregando nos nomes podemos ir directamente para os comentários, comentando-os.

Espero que gostem.

É o Nosso Seu Jorge

Não sei se já ouviram falar dele. Mas vale a pena ouvir.

Descobri-o meio por acidente. Ouvi falar de um álbum que decidi descobrir: The Life Aquatic Studio Sessions

Esta era uma banda sonora de um filme, e que resultava da apropriação de músicas antigas do David Bowie, que o Seu Jorge teria traduzido para português dando ao som da música uma certa dinâmica Bossa Nova.

O filme “The Life Aquatic” é uma parodia romântica à vida e obra de Jacques Cousteau (aliás Bill Murray tem um papel fantástico no filme - faz de Cousteau, mais precisamente de Steve Zissou).

Adorei – aliás podem ouvir um cheirinho aqui.

Ele não traduziu literalmente as letras, e pelo que se sabe, David Bowie gostou muito da adaptação (vejam aqui o artigo do VH1). Já li muita coisa sobre o cd: há quem adore, há quem odeie. Eu adoro! Ele e a viola debaixo de água e cheios de emoção.

Mas para os mais cépticos e para todos os outros, deixo aqui a letra de uma das minhas músicas favoritas:

Seu Jorge - Life On Mars?
Seu Jorge (trad. David Bowie)

Muitas vezes o coração
Não consegue compreender
O que a mente não faz questão
E nem tem forças pra obedecer
Quantos sonhos já destrui
E deixei escapar das mãos
Se o futuro assim permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor, não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte

Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida
Meu bem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars

Muitas vezes o coração
Não consegue compreender
Onde a mente não faz questão
E nem tem forças pra obedecer
Quantos sonhos já destrui
E deixei escapar das mãos
Se o futuro assim permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor, não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte

Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida
Meu bem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars


PS: Se puderem ouçam também um álbum dele com a Ana Carolina – esse também nos arrepia a espinha

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Grande Mistério da Vida

Somos parte integrante deste grande e maravilhoso mistério da vida, que é a própria vida.

E essa vida, em nós, nas nossas relações, no nosso sentimento, na nossa emoção é o Amor.

E o Amor é também esse grande e maravilhoso mistério.

Afinal será que a vida e o amor são uma e a mesma coisa?

sábado, 25 de novembro de 2006

Palavras para quê?

As palavras confundem-me, encantam-me, baralham-me e tornam a se distribuir.
As palavras são tantas, com tantos sentidos, com tantas intenções, com tantas preposições.
As palavras são.
Dizem e desdizem. Mentem ou pronunciam a verdade.
As palavras são apalavradas, são escritas, são ditas, são omitidas, alteradas, adaptadas, traduzidas e interpretadas.
As palavras são de todos e de ninguém.
O mundo é das palavras e são elas que constroem o mundo.
Desengane-se quem acha que as tem, que são suas, que as domina, controla ou manipula.
As palavras são como tudo.
Só pertencem a quem as diz ou escreve até alguém as ouvir ou ler.
São o processo.
As palavras somos nós.

Ontem chuveu-me na cabeça

Fiquei com o juizo todo molhado. Mas a chuva não faz mal. Refresca e renova. E até as plantas gostam.

domingo, 19 de novembro de 2006

Estou feliz com o inesperado!

Com o crescimento tenho descoberto diferentes coisas na vida. Uma das mais importantes é que nem sempre o que acaba é mau, e nem sempre o que se começa é bom. Ou ao contrário, nem tudo o que acaba é bom, e nem tudu o que começa é mau. Mas eu explico melhor.

Tantas vezes acontece a nossa vida entrar num período de ruptura, em que as coisas que tomávamos como certas desaparecem de alguma forma. Acabam, destroem-se ou apenas deixam de existir. Ou então, somos questionados no que sentimos, no que dizemos e no que fazemos.

Durante muito tempo esses períodos eram muito dolorosos. Muito assustadores, muito intimidatórios.

Agora concluí que eles são: primeiro, parte da vida, não podemos viver sem eles; segundo, que transportam a semente da mudança, que acontecem porque abrem a porta a outras coisas, melhores, maravilhosas, ou apenas diferentes e importantes.

E por isso descobri que, quanto menos resistir, melhor. Acelero a chegada do novo, do que me estava destinado.

Hoje estou feliz!!! Muito feliz!!! Tantas vezes sonhei, pensei e planeie para que me acontecesse... E esta semana, sem saber, sem estar pensado aconteceu. Assim, de mão beijada, com uma imensa alegria. E eu só tive que dizer que sim!

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

O Rei não morreu! Está vivo e é Brasileiro.

Há uma semana atrás foi ouvir pela primeira vez na vida, e espero que não a última, o Rei do som Brasileiro ao vivo.

Ia cheio de esperança, de excitação, de alegria e de quase temor reverente, de quem se embaraça por ir encontrar o seu super-heroí ou até alguém que muito admire.

Não fui defraudado. Fui surpreendido. Mais uma vez o Chico (aquele que parece que veio da Holanda) encheu os nossos corações. Construiu uma ponte gigante entre o Brasil e Portugal. E deixou todos de mãos dadas (pelo menos com os corações).

Como todos os grandes espetáculos foi um crescendo. Primeiro a vergonha do que os vizinhos estão a pensar das minhas palmas, dos meus gritos e dos meus assobios. Depois a vontade de nos levantar-mos. E no fim, já todos de pé, perto do palco, a olhar para o Chico como se ele estivesse cá em casa.

Canta mais uma! Canta Chico!

Foi maravilhoso, um pequeno intervalo em tempo real de uma relação musical de longa data. Espero cruzar-me contigo de novo, mais cedo do que mais tarde. Mas enquanto isso, vai cantando mais uma para mim Chico...

Ocorrências Repetidas


Ontem, enquanto conversava com um amigo disse-lhe: Para isto se estar a repetir tantas vezes, de certeza que acontece por uma razão.

O meu amigo, meio surpreendido, volta-se para mim e responde: Que visão mais fatalista!

Eu vim para casa a pensar no que ele disse, principalmente porque tenho dificuldade em perceber o porquê de tamanho fatalismo.

Neste caso falávamos de uma repetição complicada. Pois que as agradáveis, não nos levantam nunca grande questão. Apenas a alegria de as viver.

Para mim, a repetição de determinado acontecimento doloroso (seja a que nível for), por muito difícil que ele seja, representa uma oportunidade. Uma possibilidade para a reflexão, para o ajuste, para a mudança. Isto não funciona ou não funcionou, mas talvez se eu tentar aquilo ou até talvez ...

Acho que não fomos feitos para ficar tipo "disco riscado" a repetir e repetir sempre os mesmos padrões, a ter os mesmos comportamentos, a pensar as mesmas coisas. Por isso, quando as coisas se repetem é porque há algo que ainda não mudou ou ainda não quer mudar.

E isso é mau? Claro que não! Mas é fatalista? Também não.

Pode quando muito ser um pouco determinista. Mas isto da liberdade de escolha e do livre arbítrio é que a cada um o seu ou a sua.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

A Grande Portuguesa


Quem quiser votar na Dra. Fátima Felgueiras por favor deixe-o registado nos comentários

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Ah pois é

Podemos não ser responsáveis pelo que nos acontece,
mas somos sempre responsáveis pelo que fazemos acontecer.

domingo, 29 de outubro de 2006

Só nós quatro é que sabemos

Estive este fim de semana no Alentejo, em casa do pai de uma grande amiga. Fomos quatro e mais uns quantos. A matar as saudades de 5 anos de universidade, que apesar de tantos altos e baixos foi a nossa, e de que guardamos tantas memórias, experiências, sentimentos e esperanças.

Passados 5 anos, desses 5 anos que vivemos, voltámos a um encontro. Todos diferentes e todos iguais. Uns juntos ou casados, outra com um filho e outros solteiros.

E será que estamos assim tão diferentes?

Não sei responder. Sei que foi muito importante. Porque a distância permite que a cabeça fantasie e mitifique a realidade do que se viveu. E quando nos reencontramos percebemos que afinal a realidade é a realidade, e que o mito é apenas o sonho daquilo que vivemos na nossa cabeça. E que umas vezes foi real, e outras tantas um mito do que poderia ter sido.

Houve e há muito amor no ar, de quem sabe que quem se ama é para sempre, e apesar de iguais e diferentes continuamos a nutrir esse sentimento de pertença a esse clube tão exclusivo da nossa amizade académica.

Somos uma grande parte do que fomos, mas podemos e acho que queremos ser uma grande parte do que podemos ser. E nessa magnífica diversidade vamos avançando no tempo, sem no entanto deixar de ser quem sempre fomos.

Obrigado!

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Saber Ver


XXIV - O que Nós Vemos


O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seqüestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.


segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Breve

Se alguém souber de um remédio para não se pensar em nada, por favor, deixe aqui o seu nome comercial

O Espelho Perfeito de Nós Mesmos

Tantas vezes na minha vida sou confrontado com pessoas que possuem características que me incomodam. Umas mais outras menos, mas há no mundo muita coisa que gosto e e muita que não gosto. Sou bastante crítico em relação aos outros, mas acredito que também o sou comigo, e que avalio ambos pela mesma bitola.

No entanto, há já muitos anos atrás fui apresentado a uma forma diferente de ver essas características incómodas nos outros: Tudo aquilo que vez em alguém é apenas um espelho perfeito de ti próprio.

Ao princípio, a minha reacção foi de revolta: não posso ter tantos defeitos ou um feitio tão difícil como o que questionava e criticava no outro.

Era difícil reconhecer e aceitar que eu também podia ser teimoso, descrente, infeliz, triste, complicado, injusto, etc...

Mas a verdade é que quando paro para ver este mundo que me rodeia, e no qual me vejo reflectido, tantas vezes encontro em mim o que não quero ver. É fácil apontar o dedo. É mais difícil apontá-lo em nossa direcção.

Se tudo é um reflexo perfeito e directo de mim, de quem sou, do que sou e de como sou, então espero que um dia viva uma vida profundamente feliz, num lugar maravilhoso, a fazer o que gosto, com pessoas que amo.

E vocês?

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Eu mesmo como um outro

Foi há alguns dias atrás (ou terá sido há uns anos) estavamos sentados na aula de Ética da Comunicação. Eu, o meu amigo M e o Professor José Rosa estavamos com alguns colegas a debater a paixão que a todos nos envolvia: a comunicação, a relação e a ética que as duas nos exigem.
O meu amigo M disse algo e num tom alegre de desafio o professor José Rosa disse: - M. tu devias era estudar Filosofia.
Olhei para o meu amigo com um sorriso de concordância, mas nesse instante apenas vi no seu olhar o temor de quem recebe uma proposta a que não pode virar as costas, que o empurra serenamente no sentido do seu próprio destino (e será ele mesmo nosso?).
Fizemos o nosso percurso conjunto até ao fim da Licenciatura e depois ele foi para a "sua" Filosofia.
Na passada sexta feira, o M defendeu a sua tese de Mestrado.
Foi o culminar alegre e brilhante de uma jornada que acompanhei.
Mereceu todos os elogios que recebeu e os desafios e propostas que lhe apresentaram.
Eu fico com o carinho de quem o respeita e admira nas sua qualidades de académico, de "filósofo", de "interroguista" e acima de tudo amigo e ser humano.

Ficaram no ar tantas coisas bonitas que poderia deixar aqui escritas, mas escolhi algumas frases que vos deixo como convite para a reflexão de cada um:
- "O 'nós' é a palavra feliz."
- "O 'nós' é a agente da legitimação."
- "O 'nós' é o quem de direito."

Mas acima de tudo: "É preciso ousar a ousar."

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Sobre o Amar

O segredo de se Amar é o saber procurar e encontrar soluções. Quer para nós mesmos, quer para os que nos rodeiam.
Existe em nós duas dimensões: uma que procura soluções, outra que procura problemas.
Qual é a mais forte em vós?
Qual domina a vossa forma de olhar para o mundo?
Corre sempre tudo mal? Ou as coisas resolvem-se? O mundo é cruel? Ou há coisas bonitas no mundo?
Para se ter a resposta é preciso ter a coragem para fazer a pergunta.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

A dormir, acordado, a dormir, acordado

Li uma vez num livro uma teoria “divertida” sobre a realidade e sobre o mundo. A mesma dizia que nós estamos neste mundo quando estamos a dormir, ou seja, que a nossa vida é um sonho. E que quando, neste sonho, dormimos é quando nos aproximamos da nossa verdadeira realidade.

Hoje lembrei-me dos meus entusiasmos, e dos entusiasmos em geral. Num minuto acordamos e decidimos que queremos isto ou aquilo, que o que nos faz falta é isto ou aquilo, que desejamos este ou aquela.

E depois passa o entusiasmo e voltamos a dormir, até acordarmos de novo com pressa para fazermos o que queremos, e ter o que desejamos.

Acredito que há um certo objectivo final na constância, na permanência, na tranquilidade.

Era Agostinho da Silva que dizia: “Não faço planos para o futuro para não atrapalhar os planos que o futuro tem para mim.”

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

11 Setembro - Há Metafísica o Bastante em Não Pensar em Nada

Sempre gostei das teorias da conspiração. Principalmente porque muitas vezes senti que não existiam respostas suficientes naquilo que o universo político e os media nos transmitem.Ontem vi um documentário muito interessante na RTP1 chamado Loose Change. Para os interessados basta ir a http://www.loosechange911.com/ e assistir ao mesmo programa.

Convido-vos a não tirar conclusões precipitadas, mas a não deixar de levantar as questões pertinentes e necessárias.

“Come chocolates pequena, come chocolates” parece ser a escolha de muitos. É sempre mais fácil “comer” o que nos servem ser ter dúvidas, sem perguntar, sem duvidar.

O que ocorreu no dia 11 de Setembro de 2001 foi uma tragédia mundial. Causou sofrimento em todos os que são a favor da vida e da esperança. Não devia ter acontecido, mas aconteceu.

Todos temos direito, e em especial os americanos, de saber a verdade de tudo o que ocorreu nesses dias.

Aqui deixo-vos apenas alguns dos pontos que o documentário levantou e que são muito interessantes:

- Nunca um prédio caiu devido a um fogo ou a acidentes estruturais como os ocorridos nas torres gémeas (nomeadamente prédios que arderam 24 horas ou que sofreram embates de aviões);

- É fisicamente impossível um boeing deixar tão poucos danos no edíficio do Pentágono e não deixar marcas no relvado circundante;

- Está provado que as probabilidades de um telemóvel funcionar dentro de um avião são de 0,006 por cento e não então há registo de centenas de telefonemas;

- Cerca de 9 dos assumidos terroristas que morreram nos atentados encontram-se vivos e de boa saúde e não estavam nos EUA na altura dos atentados;

- Num acidente de avião nunca aconteceu os corpos desaparecerem como o que caiu na Pensilvânea.

Há questões sem resposta. Naquele dia o mundo mudou um pouco mais, para pior. A justiça é um direito da democracia, bem como o acesso a informação clara e livre.

Fomos todos atrás do chocolate que nos serviram. Porque sabe bem, porque está embalado, porque o do lado também o estava a comer.

Mas afinal: queremos ou não descobrir a verdade? Viver num mundo melhor? Mais claro? Mais transparente? Mais sério?

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Mudasti?

Ontem esteve a dar na televisão um dos meus filmes favoritos de todo o sempre: “The Story of Us” (1999), com a Michelle Pfieffer e o Bruce Willis.

Muita gente pode não achar a mínima piada ao filme. Mas considero que retrata de forma objectiva e sincera todos os dramas relacionais de um casal. As discussões, as alegrias, os encontros, os desencontros, os pais, os filhos, os amigos...

Há muitas questões pertinentes durante todo o filme, mas em minha opinião tudo roda em torno da questão da mudança. Se as pessoas mudam, se não mudam, se querem mudar ou se preferem ficar na mesma.

A questão central é que eles já não eram (ou seriam?) as pessoas que eram quando se conheceram, e esse “desajuste” afastava-os. Essa “diferença” dificultava a capacidade de se relacionarem.

Sempre que vejo este filme, recordo-me da minha primeira namorada, e em particular uma discussão que tivemos no quarto dela, já numa fase um pouco cansada da relação.

“As pessoas não mudam!”, dizia ela convicta. Ao que eu respondia “Claro que mudam! Só depende da vontade delas”.

E assim ficámos a discutir umas quantas horas.

Quatorze anos depois, agora que somos amigos, e vivemos em diferentes continentes fomos tomar café para “pôr a conversa em dia”.

E qual não é o espanto quando ela diz: “Mas eu já te tinha dito Bernardo, as pessoas não mudam.” Ao que eu respondi “Se quiserem mudam!”

E ela, meio a provocar, meio a brincar, meio a sério diz-me “Bem, pelo menos nisto, não mudaste nada!”

Se calhar ás vezes mudamos, ás vezes não mudamos. Mas ainda acredito que querer (ou será crer) é poder!

terça-feira, 25 de julho de 2006

Ao meu amigo J

Não sei como são as amizades de cada um. Aliás cada amizade é única. Misteriosa e delicada. Diferente e única.

Conheci o meu amigo J no primeiro dia das praxes do meu primeiro dia como universitário. Presos numas grades de Entrecampos ele estendeu-me a mão e apresentou-se. Ficámos amigos. E somos muito amigos.

Agora ele vive lá fora. Corajosamente decidiu partir à sua procura para sítios onde a vida (para ele) lhe sorri mais.

Há um traço que distingue a nossa relação, e que tantas vezes me enche de uma saudade alegre. Foi sempre com ele que fui o mais de mim. Foi com ele que jogava computador até de manhã. Foi com ele que fui ver todos aqueles filmes que ninguém mais quer ver: Os Anjos de Charlie. Era com ele que falava de tudo, que revelava tudo, por saber que não havia crítica, não havia dúvida. Porque sempre nos ouvimos e nos respeitámos.

Foi com ele ao meu lado que descobri o que era ser jovem adulto, experimentar as coisas, os excessos, os limites. Foi com ele que viajei para perto e para longe.

Agora que ele está mais longe sinto falta desses momentos. Dessa amizade desprendida em que podemos dar azo a todos os caprichos. Em que podemos satisfazer desejos mais ou menos infantis, mais ou menos irresponsáveis.

Há amizades para tudo, para todas as circunstâncias, para todos os momentos.

A minha com o J é assim, é a altura de ficar outra vez estudante, outra vez arisco, outra vez brincalhão, e de cometer as loucuras que sempre nos apetecem e nem sempre temos coragem para fazer.

E este é o meu hino à nossa amizade.

Numa noite de verão

Hoje, perto da casa de um amigo meu, vi umas crianças a brincar na rua e deu-me uma saudade enorme desses maravilhosos momentos.

Ser criança tem mil encantos. É cheio de aventura, de ousadia, de alegria e de emoção.

Lembro-me quando descia à rua naquelas noites quentes. Noites de t-shirt e calção. Noites de escondidas e de apanhada. Noites de primeiros amores. Noites de slows agarradinhos na garagem de um amigo. Noites de gelado na esplanada. Noites de uns cigarros inocentes, de umas cervejas amargas, de uns cafés inexperientes, noites de pão com chouriço ou de bolos de canela.

E como era bom caminhar pelas ruas, ao lado da lua, pelas ruas vazias, a rir dos disparates de se ser criança ou adolescente.

Naqueles momentos não há complicação, não há stress, não há dor, não há responsabilidade.

Havia música, e segredos, e amigos, e crescimentos cheios de aventura.

Gosto das noites de verão!

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Segunda - Serviços em Portugal - Anedotas em Tempo Real

Estive em contacto com um ministério para obter um orçamento que precisava com urgência. Para além de me terem reencaminhado a chamada 40 vezes acabei por conseguir falar com a pessoa que faz os orçamentos.

Ela disse que o email a pedir os orçamentos era centralizado, mas se tinha pressa também podia enviar um email para o chefe dela que provavelmente fariam as coisas mais depressa. Fiquei muito agradecido pela simpatia e enviei os dois emails como combinado.

Passado dois dias recebi de dois emails diferentes dois orçamentos completamente diferentes que faziam menção ao mesmo pedido de orçamento. A diferença de valores era maior que 100€ entre os dois.

Sem perceber o que se passava e o porquê da diferença liguei para a senhora simpática. Ela disse-me que provavelmente tinha sido outro departamento a fazer o outro orçamento e que teria de averiguar. E que se eu pudesse enviar o orçamento que não tinha sido ela a fazer para o email do chefe dela, que ela agradecia, e que depois entrariam em contacto comigo.

Naquela tarde toca o telefone e o senhor que fala do outro lado do telefone diz logo para começar: "Ora vamos lá ver..." e depois continua "o senhor [a referir-se a mim] agiu de má fé" e ainda disse "e o que o senhor fez não se faz."

Como????

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Primeira - Serviços em Portugal - Anedotas em Tempo Real

Vou começar uma série de Anedotas Reais sobre os nossos serviços. Espero que apreciem!

No outro dia estive no Registo Nacional de Pessoas Colectivas em Lisboa. Na zona de atendimento aos clientes, onde existem computadores e impressoras topo de gama, existe um senhor que está num computador por baixo de uma tabuleta que diz unicamente: "Organizações Religiosas Não Católicas".

(??????????????????)

Estamos a ser invadidos por seitas?
Será que o senhor só atende um utente de 3 em 3 anos?
Será que no fundo a placa só está lá para proporcionar humor a quem espera?

segunda-feira, 26 de junho de 2006

In(compatibilidades)

Há acontecimentos relacionais entre o homem e a mulher que, como já o disse muita vezes, não podem ser clarificados ou compreendidos, pelo menos por mim (mas continuo a tentar). Esse mistério é para mim fascinante. A facilidade como a comunicação entre duas pessoas se transforma em algo diferente, menos fluido e mais tenso.

Julgo que o que despoleta sempre essa tensão é um qualquer mal estar, seja sobre o que for, que sentimos cá dentro. E depois, rapidamente achamos um responsável. Claro que se essa tensão surge na relação entre duas pessoas do mesmo sexo, então tudo se resolve com uma piada, com uns dias de férias, ou com umas cacetadas (físicas ou emocionais).

Mas entre um homem e o mulher é diferente. Aquilo parece mais um trampolim, em que cada um quer saltar mais alto do que o outro: "O que queres dizer com sou sossegado?", "Então mas não me tinhas dito que querias desligar o telefone?", "Mas não estás sempre a dizer que precisamos de passar mais tempo juntos?"

E depois pronto... Parece uma afirmação, que se ouve como uma acusação. "Tás farto? Então tens bom remédio!", "Epá, sinceramente estou farta das tuas tretas...", "Ai é... Ontem era lindo, hoje sou horrível?"

E aquilo vai sendo uma catapulta de mal estares acumulados, guardados, armazenados até ao momento em que se podem arremeçar. Tudo com a vontade de saltar mais alto.

Mas o que assusta é ser tudo tão parecido...

Depois eles começam a ficar fartos, a não perceber o que se passa, porque é que elas estão a stressar. E elas começam a sentir que eles não estão comprometidos, que não são adultos, que não sabem o que querem.

E eles querem uma amante e não uma mãe (ou pelo menos, assim pensam). E elas querem um másculo e maduro amante e não um preguiçoso e acomodado (ou pelo menos, assim pensam).

Mas depois há a contradição dos objectivos, da forma de estar na relação, do sentimento, da participação, do empenho. E isso vai aumentando os saltos do trampolim. Até ao momento em que um salta fora.

E depois pensa: "Isto nunca mais." Mas em rigor, tenho que vos avisar. Vai ser sempre mais ou menos assim. Porque: não é o outro que transporta essas tensões. Somos nós que escolhemos os nossos parceiros a dedo. Que repetimos e repetimos os momentos e as tensões e as alegrias. Porque julgo que é isso que vimos aprender. A aprender a aprendermos com os outros. A viver em comunidade.

E por isso ando a experimentar praticar: menos saltos, mais compreensão.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Ver Para Crêr Como São Tomé

Ontem durante uma conversa animada, alguém disse: De S. Tomé todos temos um pouco...
Silenciosamente concordei que na nossa vida, há sempre momentos em que as nossas convicções são postas em causa, e em que presumimos que o que nos dizem/prometem pode não corresponder à verdade. Nessas alturas esperamos, mais ou menos pacientemente, pela prova do facto.

Claro que alguns mais inovadores até poderiam dizer: Eu preciso de ver, para querer! Depois de o olhar se convencer vem o corpo todo a seguir.

Mas voltemos à fé e a convicção...

Depois da minha amiga ter feito esta afirmação, pouco controversa, outra amiga vez uma muito mais polémica: Para mim nunca foi assim, foi mais ao contrário. Eu sempre vi mais do que o queria. E isso para mim era por vezes muito difícil.

Não estou a questionar o valor, a importância, ou as escolhas pessoais dela. Nem a veracidade do que disse. Aliás nem a ponho em causa. Muitas vezes vi e presenciei o que ela agora afirmava.

Mas realmente o que me pôs a pensar foi: se é preciso ver para crer para S. Tomé -> a minha amiga diz que sempre viu mais do que queria -> então ela nunca precisou de crer, porque já via e portanto acreditava nesses acontecimentos como verdadeiros e portanto não precisou de acreditar cegamente.

Ou seja, para descomplicar. É sempre fácil acreditar no que se vê, porque se crê no que se vê. O difícil, quer se veja muito ou pouco, é acreditar ou querer acreditar no que não se vê. No que não se sabe, mas apenas se vislumbra.

Em Barcelona li num cartão: Se já és tudo aquilo que queres ser, então é porque não te esforças o suficiente...

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Troca de Esposas (?!?)

Num destes dias em que andava no famoso "zapping" cruzei-me com um programa de deixar todos de boca aberta. No canal People + Art estavam a dar um programa chamado "Troca de Esposas".

http://tupeople.com/cambiemosesposas_regional/

Pensei que já tinha visto de tudo na TV mas afinal não. O princípio é simples, pegam em duas mulheres casadas e durante não sei quantos dias elas vão viver para a família da outra mulher. Claro que eles escolhem aquelas famílias que têm a certeza iram entrar em choque. Depois na primeira parte, elas cumprem as regras da casa, na segunda parte, são as novas esposas que definem as regras.

Eu não quero parecer demasiado crítico mas acho que estamos a dar início a uma moda perigosa.

A - como é que se define o grau de intimidade destas novas relações? Beijos, carícias, conversas cordiais? Porque pode ser confuso. Tás tu de manhã a sair da cama e de repente na casa de banho está a tua outra mulher. Bolas, que confusão.

B - As crianças também é complicado. Então esta semana quem é a minha mãe? Esta? Ah! Não, esta é a senhora da limpeza.

C - Depois é terrivelmente sexista. Porque é que não se troca de filhos, ou de maridos, ou de sogras (este acho que seria muito interessante).

D - Agora imaginem outro programa. A Troca de Chefes, ou A Troca de Vizinhos, ou a Troca de Médico. Era todo um mundo novo que se abriria.

Eles dizem que se aprende sempre muito com a troca. Eu acho que se aprende muito sobre o que é má televisão.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Passos Largos

Caminho a passos largos,
Por essas ruas indefinidas,
Ruas largas, ruas estreitas,
A passos largos e não estreitos,
A caminho de um horizonte,
Que não se alcança por que é sempre assim.
Caminho com o amor tombado nas mãos,
Um amor que morre, um amor que nasce,
Um amor incerto como as ruas que percorro,
Mas largo como os passos que teimo em dar.
Sonho um futuro de pôr do sol,
Um amanhã sorridente,
Com o sol por entre os tijolos e azulejos,
Nas ruas desta cidade também incerta.
Procuro encontrar um passo adiante,
O que teimo em não encontrar,
Ou que teima em não aparecer.
Caminho a passos largos e decididos,
Porque está calor e porque é bom,
Porque o amor que nas mãos carrego,
Cresce verde de esperança,
A cada dia e a cada passo.
Não vejo por certo o amanhã,
Nem a mim ele pertence.
Mas a esperança?
Essa é larga como os meus passos,
E luminosa como o sol desta cidade,
Em que não nasci,
Mas que é cada vez mais minha.
Caminho a passos largos...

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Sondagem sobre o post do peito das senhoras

Este foi o resultado final da sondagem antes de mudar o post:



Isto foi o que aconteceu depois, cada um que faça as suas interpretações ou comentários:



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Fantasma do Natal Futuro


Hoje fui acordado, ainda nem eram horas para os pássaros cantarem, pelo fantasma do natal futuro.


Não é de certo a primeira vez que me aparece, mas hoje foi mais nítido do que nunca. (Aliás ele já anda por perto faz algum tempo, mas isto só vê quem quer ver)


Para os que não conhecem a história, um homem muito "mau" é visitado por três fantasmas, na noite de Natal, cada um mostrando-lhe diferentes natais (passado, presente, futuro). Claro que o senhor resolve o seus problemas para mudar o futuro que se vislumbra tão negro.


Não é certo as razões pelas quais as pessoas se cruzam no mundo, ainda por cima, do tamanho que é. Ou seja, porque é que pessoas tão específicas vêm aparecer ao nosso lado, em determinado momento da nossa vida. Sinceramente, também não tenho explicação.


Mas esta visita de hoje, foi o espelho, mais ou menos distorcido, de um de tantos futuros possíveis da minha vida. Não que este espelho acidental seja uma má pessoa, ou injusta, ou cruel; é apenas uma pessoa, mas que para mim representou, pelo menos hoje, algo que eu poderei vir a ser e que me assustou.


Também não sei se podemos alterar em grande medida o que nos acontece, mas temos, e isso acredito, a força para mudar a direcção do nosso caminho, a determinação para recusar ou aceitar o que nos acontece e para não nos rendermos a um determinismo fatalista (acho que é mesmo o que mais me assusta nas pessoas).


Não quero este Natal Futuro para mim, quero coisas diferentes. Mais ternura, mais amor, mais harmonia e mais serenidade.


"Aprendi a lição senhor fantasma, prometo!"


PS: Para os que não conhecem a história podem lê-la aqui.


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sábado, 22 de abril de 2006

From Lisbon to the World

Last week I had some good friends from Denmark visiting me. It wasn’t the first time they had been here and it was, as usual, a wonderful experience.It is not a new feeling but it is a beautiful one. Being part of a multicultural and multicoloured world.

Since I was about 14 I realized the world wasn’t just Portugal and the others. Or just white, or black, or yellow people. It was made of a multiplication of different combinations. Wonderful combinations.

I have travel a bit, and I have met people from all over. And I must confess it is that variety that brings colour and happiness to my life. I am not a Portuguese, I am a worlduese. Part of this little circle where we all live and that we share, closer and closer together.

Having a Danish friend meeting a Chinese Swedish in a computer shop. Meeting a blond blue eyed African or some other amazingly interesting mixture.

And in that profound sense Lisbon is part of that small world, we Portuguese, sailors and discovers of the world. Home to some many and starting journey for such a large amount of people. I love Lisbon, I love the mystery of having such big differences and such similarities.

It is a mixture of beauty and poverty, of colossus buildings and little nothings. Of educated people, and of simple smiles.

Down some deep mysterious feelings I feel I belong here, my epicentre of the world.

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O peito daquela mulher é mais giro que o meu?

Não pode evitar. O Antunes, acompanhado da sua esposa, descia um elevador com uma vizinha decotada. E aquele ... ramo rubro de papoilas ... tirava-o do sério. Está preso a ele. A sua esposa, já incomodada apertava-lhe a mão com força.

Ao sair do elevador o Antunes olha para a esposa com um ar inocente e diz:

"Sabes amor, não sei se já percebeste, mas existe uma fixação existencial dos homens em relação ao peito das mulheres. Algo que não pode ser definido nem explicado em palavras, mas que todos os homens sentem.

A maior diferença é que uns disfarçam melhor que os outros, olham menos, comentam menos, pensam menos, mas a necessidade ou o desejo são idênticos.

Há quem diga que tem a ver com o facto de sermos alimentados, quando recém nascidos, através dessas admiráveis serras; que são elas que nos constróem e nos dão forma.

Num livro sobre a relação homem-mulher, li eu uma vez, uma investigadora dizia que era a única altura onde verdadeiramente o homem tinha a posição absolutamente passiva, e a mulher a activa.

Sabes querida, mesmo os homens que não tiverem ou o direito, ou a oportunidade, continuam fixados por esse pedaço de pele, cheio de tecido adiposo a que comummente denominamos mamas.

Não quero absolver a nossa responsabilidade, como namorados, comprometidos, maridos, pais de família, e até avós. Mas só te quero explicar que é algo genético. Algo inexplicável e instintivo.

Quase como que uma necessidade magnética. Precisamos de olhar para elas, de “lhes tirar as medidas”. De as ir juntando a nossa lista de “peitos visionados”. Ou com roupa, ou sem roupa. E a verdade é que tão depressa como surgem, depressa partem. (Nem todas, claro, como as tuas amor). Mas a necessidade, o desejo caprichoso, esses continuam.

E por isso não querida, não é por as tuas não serem as mais bonitas, é só porque nós homens nascemos todos assim. Por isso querida, não, o peito daquela mulher não é mais giro que o teu!


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sexta-feira, 14 de abril de 2006

Um Amor Feliz Não Tem História ...

... diz-nos David Mourão Ferreira.

Acho a frase forte e cheia de sentido. E hoje, no começo deste merecido descanso, achei que a devia partilhar convosco. Podemos analisá-la de muitas formas, mas para mim destaca-se em duas dimensões fundamentais.

Acho que os verdadeiros amores vivem-se, não se sonham, ou não se relembram com nostalgia. São momentos plenos e completos, em que vivemos da melhor forma que sabemos e conseguimos. São momentos onde nos sentimos completos, complementados, concordantes e construtivos.

Por isso são amor sem história, mas infinitamente presentes. São o agora do amor.

A outra possibilidade é pensarmos nas relações que passaram, no que recordamos delas, e feliz ou infelizmente, tendemos a construir uma narrativa das nossas relações que não correram bem, tentamos montar, adaptar, estruturar sentimentos que não resolvemos, que não entendemos, que nos foram dolorosos.

Num amor feliz, não há memórias assim, sou a doce lembrança das aventuras e dos momentos em comum.

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Já agora só mais uma nota sobre a memória. Um cientista que analisava crianças com memórias de passados violentos e de abusos concluíu duas coisas muito interessantes: Primeira, que quando mais falamos sobre o que nos aconteceu, mais alteramos e adaptamos e modificamos a nossa experiência vivida; a segunda, que na realidade, só cerca de 10% das nossas memórias correspondem ao que objectivamente aconteceu, o resto é uma colagem fantasiosa da nossa cabeça.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Os Amigos "Gato Fedorento"

Há humor tão bom, que mesmo quando não o estamos a ver, faz-nos rir. Ora leiam:

Mãe: Ouve lá filho, sabes aquele programa que dá na RTP1 a seguir ao Telejornal à sexta-feira?

Filho: Sim mãe, os Gato Fedorento.

Mãe: Tu consegues achar piada aquelas asneiras todas?

Lua Cheia de Verão


Hoje a caminho de casa cruzei-me com a lua. Estas quase noites de verão deixam-me ansioso por mar, areia, cerveja e boa companhia.

terça-feira, 11 de abril de 2006

Felicidade

Será que a felicidade é algo que surge na sequência de algo, como resultado das nossas acções, de um trabalho consciente e intencional.

Um será que a felicidade é apenas um estado que se escolhe ter, independentemente dos acontecimentos ou circunstâncias?

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Ora vejam aqui

"... a maravilha que deve ser escrever um livro: a invenção dentro da memória; a memória dentro da invenção; e toda essa cavalgada de uma grande fuga, todo esse prodígio de umas poligâmicas núpcias, secretas e arrebatadas, com a feminina multidão das palavras: as que se entregam, as que se esquivam; as que é preciso perseguir, seduzir, ludibriar; as que por fim se deixam capturar, palpar, despir, penetrar e sorver, assim proporcionando, antes de se evaporarem, as horas supremas de um amor feliz. Não há matéria mais carnalmente incorpórea; nem outra mais disposta a por amor ser fecundada."

(in Um Amor Feliz, p.229)

terça-feira, 4 de abril de 2006

Comentários aos comentários

No meu dia de anos foram dois os comentários sobre o meu blog que resolvi comentar.

LB disse que em alguns casos eu escrevia coisas grandes, fazendo aquele gesto com as mãos, palma contra palma, afastando-as largamente, tão grandes que nem sequer há tempo para ler.

Eu digo que ela tem razão, mas o desfiar do que me preenche não tem fita métrica, pode ser breve e simples, ou enorme e sem sentido. E por isso só os lê quem tem tempo/paciência/vontade para o fazer. E eu gosto assim, para cada gosto seu paladar.

A disse que estava surpreendido com o meu blog, que o achava muito interessante.

E eu digo que não o acho interessante, tantas vezes o acho repetitivo e monótono, ou pouco interessante na forma da escrita e dos conteúdos. Mas como espelho da minha vida que é, nem tudo é interessante, rico e cativante. Como a vida em si.

Sonhos e outras coisas que nos fazem sonhar


Estou a ler um livro apaixonante: "Um Amor Feliz" de David Mourão Ferreira. Confesso que ainda só vou a meio mas aconselho vivamente dois capítulos extraordinários de literatura portuguesa: o do Jantar em casa dos latino-americanos, e o outro o discurso exaustivo e realista da empregada da limpeza. São pérolas da escrita.

Ou melhor, para mim são pérolas da escrita. Talvez por que me identifique, não obviamente com a qualidade, mas de uma forma muito mais modesta (a minha claro) com uma escrita visual e cheia de humor, que nos preenche os sentidos.

Era assim que gostaria de ser. Um escritor de sentidos, de sentimentos, de humor e de encanto. Um escritor que pinta as palavras de forma encadeada, sem cuidados excessivos, nem intelectualismos gratuitos.

Sempre quis escrever. Desde que tinha idade para juntar letras. E ainda guardo religiosamente em casa esses pedaços de letras desalinhadas, cheias de erros de ortografia, gramática, mas cheios de mim:

"e o cão veiu salfar a selhora Ana do asidente."

Nunca foi pela qualidade da escrita, mas por algo que Richard Back descreve lindamente no seu livro Ilusões: algo que rebentando pela parede, te agarra no colarinho e diz, não te largo enquanto não me escreveres.

E assim é! Não que seja algo de vida ou morte. Mas diz St. Teresa d'Àvila: O único verdadeiro pecado é o que fica por fazer. E tantas vezes pequei. Por medo, por preguiça, por convicção de falta de jeito.

Hoje já não é tanto assim. Neste blog, vou encontrando um espaço de expressão dos meus amigos, que me apertam o colarinho. E vão tranquilamente tombando para as páginas de bites and bytes deste blog. E fico mais tranquilo e feliz de os ver expressos. E contente porque me trazem também espaços para outros sonhos.

Queria também cantar. Sempre quis cantar. Ser protagonista de uma qualquer banda. Sentir a música e encantar. Estar num palco intimísta, a desencadear palavras e sons em cadências românticas.

Sou um humanista, existencialista, romântico e sonhador.

E continuo cheio destes sonhos que parecem feitos de criança: ser bombeiro, pintor, rico, polícia, herói. Mas não é isso que nos faz avançar? Querer sempre mais?

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Grande Festa

Queridos amigos. Que grande festa, que grande encontro, que alegria.

Foi realmente a forma perfeita de dar início aos meus 32 anos. Não podia ter corrido melhor.

São nestes momentos que temos a certeza que parte fundamental da nossa vida são as pessoas que nos rodeiam. E eu tenho tanta sorte. Vivo rodeado de pessoas que me conhecem, que gostam de partilhar este projecto comigo. E eu gosto delas, e gosto da casa cheia.

Gosto de ter de me sentar no chão, de não haver jantar que chegue, de ter a casa cheia de sons e de sorrisos. Dos doces e dos salgados, das partidas e dos pequenos acidentes.

Foi realmente magnífico estarmos todos reunidos.

Obrigado a todos.

PS: as fotografias são o lado exterior do mealheiro onde se reuniu as verbas para mais um módulo para a sala. Faltou muito pouco para o valor necessário e assim sendo eu oferecerei a mim próprio o que ainda falta. Em breve prometo novidades sobre o mesmo.

Estamos a ficar velhos?

Diálogo entre amigos na festa de aniversário:

D: Eu gosto de homens mais velhos!
B: Eu já tenho 32 anos, o que achas?
D: No ponto!

J: Pois D, daqui a uns anos vais dizer antes: Eu gosto de homens, ponto!

quinta-feira, 30 de março de 2006

Aniversário, presentes e tantas coisas boas

Amigos, como a maioria de vós sabeis, faço 32 anos no próximo dia 1 de Abril (e por favor nem uma piada sobre ser mentiroso e afins).

32 anos já é uma idade á séria. Já exige atenção, respeito, responsabilidade, organização e tudo o mais necessário a um adulto (já nem posso dizer jovem adulto). Por isso, tenho estado a pensar no presente ou presentes de aniversários que gostaria de receber.

Tenho estado a mobilar a minha casa desde que me mudei para lá (e já lá vão 3 anos). E há já quase um ano comecei a comprar um conjunto de moveis do IKEA para montar na minha sala. A verdade é que a aquisição ficou-se pelo primeiro móvel, e gostaria muito que o projecto continuasse.

Nesse sentido, escrevo-vos com duas intenções:

A primeira, e a mais óbvia é convidar-vos para, no dia 1 aparecerem lá em casa para celebrarmos o aniversário. Segundo consta vai haver marisco, e sabem como o marisco é bom. A ideia é aparecerem a partir das 17. Como é Sábado, depois podemos ir sair e beber uma cerveja, ou dar um passo de dança (a decidir posteriormente).

A segunda, é dizer-vos que em minha casa estará um mealheiro onde, se assim entenderam, poderão colocar o vosso presente em dinheiro, para se acumular no sentido de adquirir mais uns moveis para a sala.

Claro que para os mais conservadores, para os mais reservados, ou para os que já me compraram o presente, fico muito satisfeito, seja qual for a escolha. Mas se não souberem o que fazer, então a vossa ajuda será preciosa na construção de uma nova sala de estar.

Para verem o meu bom gosto deixo-vos aqui o link e as imagens dos moveis do IKEA.


PS1: Já consegui pôr as fotos, como podm ver o tom não é branco, mas sim castanho :D

PS2: Também vou precisar de ajuda para os montar.

32 Anos de Uma Bela Vida

Estou certo que a grande maioria de vocês vai achar que 32 anos já são uma idade respeitável. E não sou eu que vos vou contrair. Afinal já é um terço.

Não sou muito bom a fazer grandes saldos, nem olhar para trás com nostalgia, com pedagogia, com alegria, ou qualquer outro fenómeno especial.

A verdade dos factos parece-me simples: nunca nos sentimos tão maduros como pensávamos que nos sentiríamos quando chegássemos a esta idade, e olhando para a malta mais nova, não nos lembramos de nos sentir tão jovens como eles parecem ser.

Lembro-me de olhar com respeito e admiração para as pessoas de 30 anos, jovens adultos, já com um tipo de humor diferente, com ar sério, com uma postura respeitável e considerada. Que pareciam ter a vida organizada, saber para onde queriam ir e de onde vinham.

Na realidade, chegado a esta bela idade, olho para trás e não sinto assim tão diferente. Tão mais maduro, mais velho, mais sábio. A única coisa que realmente me parece diferente é que olhando para os amigos com vinte anos, vinte e tal, eles me parecem tão novos. E eu não me lembro de me sentir assim.

Mas isto de se viver o presente acaba por ser um pouco assim. Não guardamos a memória do bom, nem do mau. Não remoemos o que se passou, e o que se irá passar.

Com toda a certeza que há planos que não se concretizaram, e outros que se tornaram realidade. Houve surpresas e desilusões.

Esta coisa de se viver é uma aventura extraordinária. Por a vivermos sem controlar o nosso destino, por a vivermos acompanhados. Por a vivermos com tantas cores, cheiros, paladares.

È uma jornada fantástica. E amanhã? Logo se vê. Por enquanto ainda só tenho 31.

terça-feira, 28 de março de 2006

Benficaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Estamos contigo! Para os mais cépticos no poder do Benfica, que tentem circular por Lisboa a esta hora e ver o que acontece. O país pára. Somos uma nação. A nação benfiquista.

terça-feira, 21 de março de 2006

Democracia ou Burocracia: ou o dilema da portugalidade

Sofremos de um infinito complexo de portugalidade. Como se ser português fosse uma doença grave. Seu..... português!!!

Este fantástico complexo ou doença mental grave provoca alterações profundas no nosso comportamento. Demasiadas até para enumerar aqui, no entanto, uma merece o destaque: a auto-crítica desproporcionada.

Esta portugalidade aguda provoca em todos nós um infinito complexo de que fazemos as coisas mal, ou melhor, pior do que os outros. Somos mais lentos, menos organizados, mais preguiçosos, mais burocratas do que o resto do mundo.

E por oposição queremos fazer as coisas iguais aos outros, ou pelo menos, igual ao que achamos que os outros fazem. E esta dicotomia nós/outros provoca graves déficites na nossa democracia e que passo a explicar.

Por considerarmos que demoramos demasiado tempo a fazer as coisas, que somos demasiado burocratas, e que comparativamente ao resto da Europa iluminada somos muito piores, vivemos apoquentados com esse grave problema.

Ora, como queremos processos céleres, desenvolvemos um processo quase ditatorial de tomar decisões. Mas muito mais rápido...

A título de exemplo, na passada semana ouvi na TSF uma problemática interessante. O governo vai fechar um conjunto de escolas por não terem número suficiente de alunos. Mas os cidadãos e os pais estavam muito chateados com as escolhas.

O que é que tinha acontecido?

O governo só contactou os conselhos executivos antes de deliberar. E a sociedade sentia-se lesada pelas decisões (também é verdade que as decisões causam sempre mal estar em parte da população). No entanto, estou convicto que estas estratégias são apenas formas que os órgãos de decisão arranjam para tentar acelerar os processos.

Mas o que ainda não perceberam é que está aí parte essencial do problema: a falta de capacidade para envolver todos os sectores da sociedade provoca neles sempre a possibilidade e a vontade de contrair decisões das quais não participaram.

E o que aparentemente parece ser um acelerador, porque não se perde tanto tempo a ouvir as pessoas, acaba por travar os processos, pois mal têm efectivo início a contestação começa e prolonga-se.

Acho que a diferença está aqui:

Em Portugal, planeia-se em 3 meses, constrói-se em um ano, e depois passam-se os 3 anos seguintes a corrigir os problemas da construção precipitada e mal estruturada.
Idealmente, podia passar-se três meses e três anos a planear. Para se construir num ano. Mas sabendo-se que se faz as coisas com qualidade, para durar, e acima de tudo, com consenso.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Sobre a Inveja

Foi me servida esta anedota ontem ao almoço:

"Dois amigos estavam a almoçar e ambos pediram bife. Quando os bifes chegaram um era um pouco maior do que o outro. O Pedro, logo para se desenrascar pega no bife maior e põe no seu prato. O Carlos não gostando da brincadeira diz logo: 'Mas houve lá, que eu saiba isso é falta de educação!' Mas o Pedro sem se atrapalhar pergunta: 'Se fosses tu a escolher, qual escolhias?' O Carlos cheio de moral e bons costumes responde: 'O mais pequeno claro!' Ao que o Pedro conclui: 'Então porque é que estás a reclamar?'"

Fim alternativo:
'O Carlos cheio de gula e malícia responde: 'Tirava o maior claro!' Ao que o Pedro conclui: 'Então só fiz o que ias fazer!'"

"Miudinho"

Existe um restaurante, na bela localidade de Carnide, denominado "Miudinho" e que nos últimos meses tem estado fechado em obras de reestruturação.

Ele antes já era bom, mas agora é ainda melhor. Recomenda-se uma visita. VALE A PENA!

Blues that make me happy

Para os mais distraídos e menos informados, a Couve Consultores Lda. (essa mítica empresa [para saber mais clicar link ao lado direito da página]) foi responsável pela reestruturação da imagem do Blues (ex-Blues Café).

"Tá bem... Mas e então o que é que isso tem de especial, e mais não sei quê?"

Se querem saber vejam www.bluescafe.pt

E comentários são sempre bem vindos. Não se esqueçam de dar os parabéns ao Bruno Silva e ao Pedro Ramos pelo trabalho fantástico.

Há variações

Depois do tempestade vem a bonança, e provavelmente, depois da bonança volta a tempestade.

Bem sei que tenho andado silencioso, mas já decidi que isto da escrita é por inspiração e não por normalização, ou por regras de conduta específicas.

Tenho andado ocupado com a vida real, com a gestão da vida do dia a dia, que tantas vezes nos consome mais do que gostaríamos. Mas neste caso foi bom estar ocupado, ter muita coisa a acontecer. Sentir-me a avançar e a vida a avançar comigo (ou serei eu que vou avançando com ela?).

De qualquer modo este primeiro post era só para vos dar novidades que estou bem e me recomendo.

:D

Mais já a seguir...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Pintainho


Estavam os dois sentados. Um no colo da outra. Pintainho no colo da avó galinha. Pintainho bebé ou bebé pintainho, afinal é Carnaval e ninguém leva a mal.
Avó galinha de rugas-tempo-idade. Com tanto tempo na cara que se confunde a eternidade no seu rosto. Rosto disfarçado de história, cheia de linhas e traços que ocultam como era há 60 anos atrás. Mas seca, mas vazia de amor. Será esse o tempo? Assim a apagar os afectos e a encher as linhas e os traços do rosto?
E o pinto tão bebé, tão infantil, tão doce.
O passado e o futuro, no colo um do outro.
Será que a avó galinha não se alegra com o pinto? Será que não vê que o pinto é o renascer do tempo que passou. A esperança de uma nova vida?
Ou será que eles se complementam: o que passou, e o que virá?
Avó galinha de todos nós, que histórias tem o teu corpo para contar? O pintainho bebé saiu de ti! Haja esperança!

Metro de Lisboa


Ultimamente tenho voltado a usufruir deste meio de transporte tão recorrente na vida de grande parte dos lisboetas. Confesso que o carro, como veículo particular, tem muitas comodidades, mas o Metro tem outras funções. Preenche uma lacuna que quem viaja de carro não consegue preencher: participar da vida social, do dia-a-dia, dos lisboetas.
O Metro acaba por ser a metáfora perfeita da sociedade em que vivemos. Do nosso tempo.
Por fora, passa muito depressa, sempre a correr, sempre a apitar para aqui, a apitar para ali. E mais e mais depressa, sempre a correr. E a música? Mas sempre a transitar entre estações, mais ou menos bonitas, e outros túneis bem negros e sujos.
Mas por dentro, limpo e cristalizado. Parado. Cheio de partes desconexas, a habitar um espaço cuidado esteticamente. Parados. Fisicamente?
É tão enorme contracenso. Mas não incomum. A pressa, a paralisia.
E até parece que as pessoas com que me cruzo, são as mesmas de há tanto tempo atrás, quando ainda nem tinha carta.
Até encontrei lá o rapaz do acordeão e do cãozinho, que costumava morar perto da Universidade Católica e que julguei, vejam a ingenuidade, que ou tinha sido comido pelo cãozinho ou estaria em qualquer estabelecimento para pessoas que usam cães e criancinhas para obter rendimentos adicionais.
Afinal estava no metro. Sempre com tanta pressa. Ele, os cegos, as Ucranianas part-time, com crianças full-time. Mas sempre parados, sempre tão distantes, por estarmos presos naquele espaço esteticamente desenhado para tranquilizar.
“Já falta pouco… Amanhã é outra correria.”
E se fosse ao contrário?
Se o Metro parasse, e fossemos nós a nos mexer? A ir em direcção uns aos outros?
Não chegará de música de elevador (ou neste caso metro)? Não?

Balancê - Sara Tavares


Há músicas que nos surpreendem, que nos maravilham, que nos transformam, que nos aproximam.
Duas coisas:
Ela é a prova viva que a música hoje é do mundo e que o mundo é da música.
Se eu soubesse cantar gostava de ser a Sara Tavares.

PS: CD cá vou eu comprar-te
PS2: Visitem www.saratavares.com

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

A Corrida de Canoa

Era uma vez a equipa portuguesa de canoagem, que pertencia a uma sociedade portuguesa.
Uma sociedade portuguesa e outra japonesa decidiram desafiar-se todos os anos numa corrida de canoa, com oito homens cada.
As duas equipas treinaram duramente, e quando chega o dia da corrida cada equipa estava no melhor da sua forma. No entanto os japoneses venceram com mais de um quilómetro de vantagem.
Depois da derrota, a equipa estava desanimada. O director Geral decidiu que no ano seguinte deveriam ganhar e por isso criou um grupo de trabalho para examinar a questão.
Depois de vários estudos, o grupo descobriu que os japoneses tinham sete remadores e um capitão.
No entanto, a equipa portuguesa só tinha um remador e sete capitães.
Face à situação de crise, o Director Geral fez prova de grande sabedoria: contratou uma empresa de auditoria para analisar a estrutura da equipa portuguesa.
Depois de longos meses de trabalho, os especialistas chegaram à conclusão de que na equipa havia capitães a mais e remadores a menos. Com base no relatório dos especialistas, foi decidido mudar a estrutura da equipa.
Haveria agora quatro comandantes, dois supervisores, um chefe dos supervisores, e um remador. Concluindo, introduziram-se uma série de novas medidas para motivar o remador: “Devemos melhorar o quadro de trabalho, motivá-lo e atribuir-lhe mais responsabilidade”.
No ano seguinte os japoneses venceram com dois quilómetros de vantagem.
Os responsáveis da sociedade despediram o remador por causa dos maus resultados no seu trabalho.
No entanto foi entregue um prémio aos restantes membros recompensando-os pela forte motivação que incutiram na equipa.
O director Geral prepara uma nova análise da situação, na qual fica demonstrado que foi escolhida a melhor táctica, que a motivação era boa mas que o material devia ser melhorado.
Neste momento estão a ponderar a substituição da canoa.

A pedido de um dos meus tios coloquei aqui o texto que me enviou num Power Point e que comento de seguida:

EM PORTUGAL
Primeiro: trabalha-se de menos, manda-se de mais;
Segundo: gastamos fortunas em coisas que não interessam para nada, e que não resolvem os problemas;
Terceiro: o pior cego é quem não quer ver.

Como já disse várias vezes o sucesso resulta, em minha opinião, de 95% de esforço, e 5% de criatividade.

PS: Espero comentários...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Só um conselho


Tenho estado a ouvir um grande compositor e cantor que vos convido a descobrir. Vale mesmo a pena:

http://www.jackjohnsonmusic.com

Cruzadas do século XXI?

Olho com alguma preocupação para as notícias que têm surgido nos últimos tempos. A forma como os media têm caracterizado os conflitos ocidente-oriente e a forma como os países e, mais em concreto, os indivíduos têm encarado esta problemática.

Em primeiro lugar, tenho de deixar bem claro que, para mim, tanto as caricaturas, que ainda não vi, como os actos de violência consequentes são de extrema gravidade e de igualdade influência nesta tensão crescente.

Tenho lido e visto muitas coisas nos meios de comunicação sobre a problemática, mas preocupa-me sinceramente a forma como as notícias continuam a ser vinculadas. Com apelos mais ou menos subliminares à violência, à raiva, ao ódio e ao separatismo.

Vivemos todos no mesmo planeta. Não tenho dúvidas disso, e julgo que ninguém as terá. No entanto, mesmo vivendo num planeta tão “pequeno” continuamos a julgar, analisar e agir, de acordo apenas com a nossa visão e perspectiva sem perceber uma verdade que parece universal: existem realidades, perspectivas, fés e comportamentos que não entendemos. Que pertencem a outro enquadramento social, cultural, religioso, onde coisas têm pesos diferentes. E sempre foi assim entre cristãos e muçulmanos.

Para os de memória curta, relembro-vos que há alguns anos atrás um programa de Herman José foi retirado do ar porque “brincava” com figuras históricas e religiosas. Alguns anos mais tarde, o cartoon do Papa e do preservativo trouxe ao de cima mais uma polémica. Além disso, por todo o país há histórias de violência associada a questões religiosas. Seremos assim tão diferentes?

Por outro lado, em França, um país ocidental, tivemos demonstrações de como um problema racial pode tomar proporções incontroláveis. Um exemplo de como a autoridade política, policial e até religiosa é incapaz de deter um crescendo de violência. Seremos assim tão diferentes?

Claro que toda a violência é reprovável. Sob qualquer perspectiva, mas por essa mesma razão temos de agir de forma responsável. E quanto mais audiência tiver a nossa mensagem, maior o cuidado que temos de ter. Os media têm então que equacionar essa questão com rigor. Perceber o mundo em que vivemos e a consequência dos actos e das palavras.

Sinto que vivemos numa pré-cruzada. Tenho a clara sensação do rastilho que se encontra acesso. Uma palavra no sítio “certo” poderá atear uma fogueira sem fim.

E não somos melhores ou piores que os muçulmanos. Somos diferentes. Não podemos avaliar, medir ou catalogar as civilizações sobre a nossa bitola. Temos de criar um quadro de valores universal onde possamos medir as sociedades, mas com valores e perspectivas tanto ocidentais como orientais.

Para nós parece ridículo a violência por causa da liberdade de expressão. Para os muçulmanos é inacreditável que a liberdade de expressão ofenda a sua fé e os seus valores.

O pedido que aqui deixo é particularmente dirigido aos meios de comunicação social. Sejam responsáveis. Sejam sérios e ponderados. Nem tudo é justificável para se conseguir audiências ou vendas. Há limites, principalmente se não queremos uma Terceira Guerra Mundial.

Tolerância, respeito e paz.

As notícias

Jack Johnson
"The News"

A billion people died on the news tonight
But not so many cried at the terrible sight
Well mama said
It's just make believe
You can't believe everything you see
So baby close your eyes to the lullabies
On the news tonight

Who's the one to decide that it would be alright
To put the music behind the news tonight
Well mama said
You can't believe everything you hear
The diagetic world is so unclear
So baby close your ears
On the news tonight
On the news tonight

The unobtrusive tones on the news tonight
And mama said

Why don't the newscasters cry when they read about people who die?
At least they could be decent enough to put just a tear in their eyes
Mama said
It's just make believe
You cant believe everything you see
So baby close your eyes to the lullabies
On the news tonight


Jack Johnson
"As Notícias"

Morreu um bilião de pessoas nas notícias esta noite
Mas nem tantas choraram com esse terrível suspiro
Bem, disse a mãe,
É apenas faz de conta,
Não podes acreditar em tudo o que vês
Vá bebé fecha os teus olhos para as histórias de embalar
Nas notícias esta noite

Quem é que decide que se pode
Colocar música por detrás das notícias esta noite
Bem, disse a mãe,
Não podes acreditar em tudo o que ouves
O mundo "diagético" é tão confuso
Por isso bebé fecha os teus ouvidos
Nas notícias esta noite
Nas notícias esta noite

Os tons desobstruídos nas notícias esta noite
E a mãe disse

Porque é que os apresentadores não choram quando leêm acerca de pessoas que morrem?
Pelo menos, poderiam ser decentes o suficiente e colocar apenas uma lágrima nos olhos
A mãe disse
É apenas faz de conta
Não podes acreditar em tudo o que vez
Por isso bebé, fecha os teus olhos às histórias de embalar
Nas notícias esta noite

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Desejo-vos felicidade

Ainda sobre o Richard Gere...

Ele disse ontem, que uma coisa maravilhosa é a de sempre que nos cruzarmos com uma pessoa pensarmos: "Desejo-te felicidade!" E deixar esse sentimento substituir o "O que é que tu queres?" ou o "O que é que eu quero de ti?" ou o "Porque raio é que me fizeste isto?" ou o "E agora como é que eu vou dizer-te aquilo?" que tantas vezes nos ocupa a cabeça.

Pensar só: "Desejo-te felicidade. Desejo-te felicidade."

E Gere dizia: "Fazer isto é importante? Sim. Fazer isto é importante? Não."

Mas pode ser que valha a pena (digo eu...)

Hipocrisia ou Esperança

Hoje, quando me deslocava no meu carro, ia a ouvir a rádio. Um programa que acompanho todas, ou quase todas as manhãs, pela simples razão que me diverte e que me deixa põe bem disposto.

Hoje, dizia um dos "animadores": "Mas não sabiam que o que mantém a sociedade estruturada é a hipocrisia?"

Achei interessante, mas discordo. Discordo porque a hipocrisia é apenas uma consequência e não a causa propriamente dita. Como já tantas vezes escrevi aqui, acho que todos queremos o melhor para nós, independentemente do conflito que esse desejo provoque na relação com os outros, ou na capacidade ou incapacidade de concretizarmos esse desejo.

Queremos o melhor, e gosto de acreditar que temos a esperança de o concretizar. Queremos acreditar que as coisas vão correr melhor. Temos esperança, pois acredito que sem esperança de uma vida melhor, poucas coisas restariam no nosso coração.

Por isso, e para mim pessoalmente, a hipocrisia resulta apenas da incapacidade de por vezes sentimos de concretizar o que esperamos. Ou de chegar onde queremos. Como dizia ontem na televisão o Richard Gere: "Nós achamos que se não levantarmos ondas, se formos boas pessoas, se fizermos tudo bem, as coisas difíceis não nos acontecem, mas infelizmente a vida não é assim". Não é decisão nossa, nem consequência da nossa acção directa. É a vida, a imensa vida.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Passeios pedestres por Lisboa


Uma amiga de longa data, juntamente com dois sócios, criou uma empresa em Lisboa, chamada Lisbon Walker. A empresa baseia-se no princípio simples, mas muito interessante, de fornecer, todos os dias, passeios por Lisboa. (quer chova, quer faça sol)

A ideia veio de fora, mas já fazia muita falta a uma das capitais europeias. Os turistas e os portugueses merecem a oportunidade de serem animadamente guiados pela história de Lisboa, sem ficar demasiado presos a factos chatos e desinteressantes, e conquistando os visitantes para a beleza e para a magia desta nossa cidade.

No Sábado, organizaram uma espécie de inauguração para convidados e apresentaram uma versão mais resumida de dois dos seus principais passeios: começando na Praça do Comércio fomos acabar perto do Museu do Fado, nos escritórios deles.

Não foi a primeira vez que percorri a pé aquelas pequenas ruas e aqueles edifícios de formas tão próprias, mas a verdade é que é preciso parar para ver, e ainda mais importante relembrar a beleza das nossas ruas, dos nossos passeios e dos nossos edifícios.

Re-apaixono-me sempre que por lá passo. Como se a história não fosse pesada, mas sim alegre e intemporal. Como se naquelas ruas também existisse um pouco de nós, das nossas origens, da nossa natureza.

Convido-vos a irem, com eles de preferência, vale bem a pena.

PS: No site deles podem consultar toda a informação sobre os passeios, e podem ainda contactá-los pois estou certo que serão bem atendidos.

Mas afinal é preciso Disciplina?


Tenho estado pacientemente à espera de celebrar as duas mil visitas ao meu site para escrever sobre este tema que surge na sequência natural de tanta coisa que tenho escrito anteriormente.

A questão da disciplina é uma de difícil análise. Não só pela própria natureza da palavra, como também pela proposta que representa na nossa vida.

Acho que pela sociedade ocidental em que estamos inseridos, somos formados com a convicção de que a disciplina é algo de desagradável, de duro, de militar, de escolar, que nos aborrece e nos incomoda. Os pais diziam: “Tens de ser mais disciplinado!” quando as notas não eram as que se esperavam, ou se não conseguíamos ter o quarto arrumado, ou se não conseguíamos pôr dinheiro de parte no porquinho.

Por outro lado, vivemos num mundo de dis-disciplinação. Hoje, ao contrário do que julgo fosse comum há algumas décadas atrás, as pessoas não são responsabilizadas. Não temos de assumir as consequências nos nossos actos. “Foi o cansaço… Foi a doença … Foi o chefe… Foi a mulher…” Foi sempre qualquer coisa. E apesar disso vamos vivendo, ou sobrevivendo.

Por outro lado, as pessoas com que nos deparamos como modelos de disciplina surgem sempre com um ar um pouco assustador. Como se representassem uma vida sem emoção, sem humor, e com muito, mas mesmo muito trabalho. Depois ainda tem a lata de dizer coisas do género: “A genialidade é 95% de trabalho e 5% de inspiração.”

Ora bolas, mas não haverá algo que dê menos trabalho?

Realmente sinto que a solução para este meu dilema é a constituição de uma nova disciplina, ou melhor, uma auto-disciplina, positiva e afirmativa, onde me “forço” a fazer o que sei ser o melhor para mim e não me refugio numa certa preguiça existencial. Amanhã, começo amanhã.

Apesar de todos os sentimentos incómodos em relação a essa disciplina, estou certo que esta representa o melhor para mim. Para todos, ou pelo menos quase todos, a força e a determinação para se fazer o melhor.

Porque se temos todas as ferramentas e condições (a maior parte das vezes) para sermos felizes, porque é que não o somos?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

A preto e branco, no sítio certo...

E pronto…


Estas eleições presidenciais não foram fáceis para mim. Não costumo envolver-me muito com a política, nem em particular com as eleições. Normalmente, sei, bastante tempo antes, em quem vou votar. Normalmente voto tranquilo, normalmente…

Desde as últimas eleições que as minhas dificuldades têm aumentado. Ando mais indeciso. Mais vacilante em relação ao que considero o melhor para o país. Sobre se a minha escolha neste ou naquele partido ou político vai alterar ou importar para o resultado final.

Estes dilemas tiveram significado ainda maior para as eleições presidenciais. Confesso que sempre fui anti-Cavaco e nesse sentido teria apenas a hipótese de escolher entre cinco candidatos e foi aí que se levantaram os meus grandes dilemas. Isto porque acreditei que não podia votar em branco, porque só votando num candidato de esquerda, permitia ou daria oportunidade para uma segunda volta.

Além disso sofro de um problema inverso ao que se diz normal. Em tempos idos ouvi dizer que na juventude todos são de esquerda, e na vida adulta de direita. Ora para mim parece que me ocorre o inverso, sinto-me progressivamente mais distante da direita.

Talvez também por isso, acabei por votar em Jerónimo de Sousa. Pela razão que reconheci nele uma força, uma vontade e uma sinceridade, sem exageros, sem retórica, sem pseudo-elitismo. Confiei que ele seria, na minha sincera opinião, o melhor presidente para o país. Um presidente comprometido, interessado, empenhado e sincero. Objectivamente, sabia que não seria presidente, mas foi acima de tudo um voto de confiança.

No entanto, a razãoque me levou a escrever esta crónica está na importância do que aconteceu, não antes, mas sim no fim da noite eleitoral. Acho que se tem de dizer as coisas pela positiva, as que realmente importam e têm valor. E por isso cá vai:

Primeiro, tenho de dar os parabéns a Manuel Alegre. Decidir avançar com a campanha, independentemente dos apoios. Mostrar a força e a determinação que mostrou, o amor ao país, e a capacidade para o materializar julgo que garantiram o resultado que obteve. Alegre mostrou que a democracia não é apenas partidária, é feita de pessoas determinadas, empenhadas e com confiança. Mostrou que o querer e a vontade individual têm peso no resultado final de umas eleições. Uma grande lição de civismo e de democracia. Julgo que esta ficará recordada na história.

Segundo, como eu, alguns portugueses acreditaram em Jerónimo de Sousa, e o resultado que obteve foi proporcional à força de carácter que demonstra. E maior ao que normalmente o Partido Comunista capta.

Terceiro, hoje, a ouvir o futuro Presidente da República Cavaco Silva descobri que o meu anti-cavaquismo se tinha diluído. Na realidade, acredito que pode ser um bom presidente. Que poderá ajudar o nosso país. E que, no mínimo, tem a vontade para o fazer.

Dou-lhe o meu voto de confiança, já que o outro não dei, e desejo-lhe competência, sinceridade, dedicação e, acima de tudo, muita imparcialidade.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Ainda sobre a Paternidade

Sem dúvida que independentemente dos acontecimentos e fenómenos das nossas relações com os membros paternais há algo que lhes temos de dar crédito: Eles sabem produzir crianças que se tornam pessoas de considerável qualidade :D

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Quem sai aos seus não degenera


Quando era pequeno, por razões próprias da minha estrutura familiar, acreditava que a minha mãe era Santa Maria, mãe de Bernardo, e o meu pai uma espécie de Mefistófeles exótico.

A minha família era eu e a minha mãe, e de alguma forma, isso era suficiente para me sentir seguro e feliz. Todas as virtudes assentavam que nem uma luva à minha mãe e, por essa razão, a sua companhia era fonte de grande alegria.

Durante muito e muito tempo foi assim que me senti, e pensei sempre que seguir os seus exemplos, transformar-me nela, seria o meu objectivo e propósito.

Com o avançar da adolescência fui descobrindo que as coisas não eram assim lineares. Que a minha mãe, como o meu pai, tinham qualidades e defeitos e era dessa combinação que eu tinha surgido. Qualidades e defeitos.

Depois destas constatações passei a uma nova fase de reflexão e de embirração. Olhando para os meus pais era fácil enumerar a lista de coisas que não gostaria que eu fosse quando “crescesse”. Não queria ser demasiado curioso, ou demasiado distante. Não queria ser demasiado depende, nem demasiado independente.

Nessa fase pós-adolescência e começo de vida adulta concluímos que quando crescermos não queremos ser isto, nem aquilo, baseado principalmente nos comportamentos de quais discordamos materializados nos nossos pais.

O que é curioso [parece sempre que tenho uma curiosidade a jeito para transmitir] é que com o passar o do tempo vamos confrontando-nos com algo estranho: fazer exactamente aquilo que criticávamos nos nossos pais.

Isso é particularmente assustador, quando despendemos tantas energias a negar essas características que agora parecem comodamente alojadas em nós. E se há umas menos assustadoras, há outras que não queríamos mesmo ter.

Para os mais interessados na questão da ciência, poderemos falar de como os nossos genes são preenchidos de código genético parental e familiar. E que por muito que se queira não os podemos remover, apagar, ou vender a quem os quiser. Nesse sentido, existe algo já programado em nós. Algo que vem deles, e que também nos tornamos.

Outros mais esotéricos poderão afirmar que temos os pais que escolhemos, tipo aquela lista de fotos policiais que vemos nos filmes: “Estes não... estes não... Sim! Quero nascer com estes pais.”

Confesso que seja qual for a versão a minha dúvida é a mesma: poderemos contrair essas características parentais que tanto nos incomodam? Dentro deste contexto houve quem me dissesse que se já temos consciência delas, claro que as podemos contrair, dissolver, gerir ou substituir.

Mas eu não tenho a certeza. Tenho apenas a certeza que somos filhos de quem somos, com as características que têm e que não se podem trocar. Mas uma vez mais fica a pergunta: somos fruto de um passado pré destinado, ou temos a possibilidade de escolher o que queremos ser? Podemos fazer os genes se tornarem recessivos, ou eles têm vontade própria?