segunda-feira, 14 de abril de 2008

Importa-se de repetir?

"Todos nós colaboramos no remate de uma única obra, uns ciente e inteligentemente, outros sem o saberem (...) Mas cada um colabora à sua maneira, mesmo por acréscimo quem critica e tenta contrariar ou destruir o que nele se faz. É que o mundo também tem necessidade desse género de pessoas. Além disso, vê de que lado entendes colocar-te. De qualquer modo, Aquele que governa o universo saberá empregar-te e reservar-te-á um lugar ente os seus colaboradores, mesmo se não estás disposto a colaborar." por Marco Aurélio

Que peso! Que leveza!


Desci as escadas aos tropeções, porque já não tinha forças nas pernas. Pé depois de pé, dor atrás de dor, carinho desejado a seguir de carinho desejado, querer perdoar, como patamar a atingir. Desci ou subi, sem a minha força mecânica. Obrigado, pela ajuda!
Aquilo que me fazia mover abriu a porta de um mundo novo dentro do nosso mundo. Não sei se era Paraíso, se era Inferno. Desci ao Inferno ou ao Paraíso? Indiquem por onde andei! Não sei como me encontrei, aqui. Aqui num sítio sem perigo!
Vi a copa da árvore a dar voltas e mais voltas, dançava e dizia-me:
"Bem vinda!". Sim, cheguei, isto é o Paraíso, presumo!? Bateu algo na cabeça confusa, no olhar não nítido, na certeza já não absoluta... Era a noção orientadora do mal. Ou se calhar, do bem. Que leveza! O que em mim é material, também se tinha tornado espiritual. Agora, era capaz
de flutuar por cima do rio de rochas brutas que são os seres humanos.
Sem ter bem a nitidez das minhas necessidades, quis o líquido que me banhou a testa quando houve alguém que me quis sacrificar a favor de uma religião, por ter fé no encontro de um espaço cósmico melhor.
Eu descobri, oiçam, fiz uma descoberta. Não sei se desci aos Infernos, se subi aos Céus.
No meu campo restrito de visão e audição, ouvia muitas vozes, até conseguia ouvir as perguntas que faziam, tudo por preocupação.
Acalmem-se, nada morreu, tudo renasceu, saiu de mim, talvez mesmo como uma revelação. Neste momento é mais fácil compreender-te!
Eu sei que estavas lá. Tu, que para mim significas o melhor que existe no território dos imortais, mostravas-te como uma coisa não desejada, eras o Diabo que despertava, em mim, a vontade de ser violenta. A ti, continuava a ver-te, claramente, como um Deus. Ouvi as gargalhadas que saíam de vocês. Estavam a ficar apavorados. Não se preocupem, o anjo aproximou-se. Abanaste-me com as tuas arrufadelas de ar fresco pelo caminhar. Ali não havia tempo, não sei quanto tempo demorou. Era tarde, porque já a porta estava fechada.
Houve algo, muito superior, que dizia "Vai pelas tuas próprias pernas". Anda, porque vais chegar lá. Sigam-me. Não fiz o gesto, nem proferi qualquer palavra, mas sentia que o meu poder passava por só pensar, pois as coisas materializavam-se. Depois, quando o papel se
inverteu, senti-me frágil e com necessidade de adormecer, tinha a sensação que se dormisse encontraria um espaço ou situação muito melhor, talvez mais virtual, mais esplendorosa...
Os meus lábios não se moviam, os membros retraíam-se... Apatia total! Deixei de ver pessoas, de ouvir sons, depois da voz do anjo dizer para encostar e descansar. Vocês guiavam-me! Quando tu, meu guia, dizias "Tens de ter forças, de resistir, não podes fechar os teus olhos!", eu ia buscar dentro de mim a garra mais escondida, para conseguir corresponder ao muro forte que sempre fui. O meu mundo já não era o vosso.
No meio disto, tive clarões de maior rigor naquilo que via, ouvia e sentia. Senti que, no Inferno ou Paraíso, tiraram-me a roupa para apanhar o ar que me trazia, muito lentamente, pouco a pouco, ao mundo real, sem sucesso, pois ainda me sinto lá, naquele sítio inatingível...
São sensações tão soberbas que fico extasiada com o ambiente e a potência de uma pequena escada, a seguir à outra. Ainda tenho o teu cheiro. Obrigado por esta iniciação!
Ana Filipa Silva - 1999

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Guerreiro da Luz

por Bernardo Ramirez

Há já uma vida inteira atrás, ou assim parece visto agora do século XXI, estava com outros alunos igualmente malucos a fazer um Intensive Summer Course na Califórnia Americana. Fui para lá num verão, para investir um dinheiro que tinha posto de parte para o Inter Rail, aprender mais sobre meditação, auras, energia e força de vontade.

Nessa altura já era especialista no difícil e os meus professores diziam que nunca tinham conhecido alunos que fizessem tudo parecer tão complicado. E diziam-me não podes entrar assim de rompante no espaço dos outros. (não conheciam os latinos).

Naquela noite fizemos directa, como acontecia algumas vezes, e participámos todos num peddy-paper. Uma das tarefas envolvia ganhar uma espada de plástico branco fluorescente. Disseram-nos que era a arma do Guerreiro da Luz. E eu quis ficar com ela e veio para Portugal comigo.

Ainda nas Américas, algumas semanas depois deste evento, assisti a um batalha onde presenciei a força dos guerreiros da luz. Uma pergunta pretensamente inocente despertou uma batalha entre o medo de um e a luz de outra (ou foi assim que vi). E nesse instantâneo instante percebi que participava dessa batalha silenciosamente e compreendi o que era ser um Guerreiro da Luz.

Desde que voltei nunca mais pensei muito nesse assunto. A espada foi sendo transferida de armário, em arrecadação, em gaveta e mais não sei quê. E eu relembrando-me do meu papel silencioso e adormecido.

Desde que recomecei a aproximar-me da minha alma (e de a receber de braços abertos no meu ser que age) percebi, como jardineiro, como curadeiro e como ser, que era um Guerreiro da Luz. Somos Guerreiros da Luz. Temos na alma a responsabilidade de trazer a nossa luz ao mundo. De iluminar serenamente o que nos rodeia e quem nos rodeia com a luz de um amor fraterno, generoso e abundante.

A semana passada sentou-se alguém ao meu lado que senti-a muito escura. E em vez de ficar aflito, ou incomodado senti do meu coração brotar uma brilhante luz branca que envolveu tudo o que me rodeava. E o resto foi paz. E desde que aceitei ser o que sou que sinto a responsabilidade acrescida de ajudar a iluminar.

Somos Guerreiros da Luz, com espadas fluorescentes de amor e de centramento, que temos a responsabilidade de sermos os melhores que podemos, de amar o nosso hemisfério direito, e de perceber que somos parte de tudo.

Como me lembrou alguém especial: Eu sou um outro tu.

Nota:
Tirei a imagem no site http://www.matrifocus.com/SAM04/rc-art.htm

Clínica Social - Constelações - 12 de Abril

Por favor divulguem:

http://www.bernardoramirez.com/constelacoes/clinica-social-constelacoes-12-de-abril/

Clínica Social de Constelações

12 de Abril

Sábado

14:30 ás 19:30

Espaço Psi

terça-feira, 8 de abril de 2008

Derrame de Consciência

Para todos aqueles que querem perceber mais sobre si mesmos não podem deixar de ir aqui http://www.bernardoramirez.com/constelacoes/derrame-de-consciencia/

Todos deviam ver este vídeo e ler a transcrição.

Não vos poderia dar um melhor conselho que este.

gratidão

O regresso ao trabalho provocou em mim um turbilhão de sensações... sendo a gratidão a maior de todas elas, pois não é comum contratar-se uma barriguita de quase 6 meses com tanta generosidade. Senti que o meu coração ficou mais brando com esta porta que se abriu de par em par.

Ultimamente dava comigo a questionar muita coisa, com tantos altos e baixos que por vezes quase me afogava em pensamentos... "é normal", dizia-me um amigo, "estás cheia de água dentro de ti". Mas mesmo assim havia uma inquietação que teimava em ficar. De repente, esta luz que invadiu os meus dias, iluminou recantos do meu coração e da minha alma, que estavam mesmo a precisar de algo nutritivo. Reacendeu-se algo em mim e ganhei coragem e alento para continuar esta parte da minha missão.

Regressei ao meu trabalho com genuíno intuito de tirar para mim uma parcela daquilo que dou aos outros. É que se nos esquecemos disso, acabamos por ficar estafados e tudo deixa de fazer sentido, quando dantes era 'aquilo mesmo'. É importante não nos esquecermos de quem somos, mesmo quando temos a sorte de fazer aquilo que mais gostamos.

Entretanto fiquei aqui sozinha, chove lá fora e eu tive vontade de vos falar...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Amor Abundante

por Bernardo Ramirez (Jardineiro e Curadeiro)


Sou estruturalmente solitário. Há um bichinho solitário que se passeia dentro de mim. Nos meus melhores dias ele está tão enterrado que nem sinto que ele existe. Nos piores ele andam tão à flor da pele que não sinto outra coisa.

Já aprendi que este sentimento é mais ou menos imune ao que acontece no mundo exterior. Objectivamente há muito amor à minha volta, mas tantas e tantas vezes ele não entra. Tipo porta fechada. Trancas na porta.

Esta semana foi a excepção. O meu dia de anos (1 de Abril só para os mais distraídos) foi maravilhoso. E a festa de aniversário que se seguiu ainda melhor.

No meu dia os telefones, emails e pombos correios não pararam de me bater à porta do coração. "Parabéns Bernardo". E eu ficava mais cheio um bocadinho. Tanta gente. Mesmo os que não tive ainda o prazer de conviver pessoalmente se lembraram de mim. Sinte-me abundantemente amado.

E na minha festa de anos - e na noite anterior com umas visitas meio surpresa, e nuns jantares de houve pelo meio - foi ainda a perfeita continuação desse sentimento. As pessoas passaram e ficaram todas por lá. A dialogar com alegria e com serenidade. Amigos velhos, amigos novos. Presentes novos (duas máquinas de pão [não há fome que não dê em fartura], máquina de cortar o cabelo, cheques Fnac, livros, filmes). Tudo sem nada em excesso e com muito prazer.

Não podia ter sido melhor. E esse bicho solitário quase morreu.

Sei que este é um prenúncio de muita alegria, de um ano cheio de vida, de novidades, de amor, de crescimento e queria agradecer-vos a todos. De coração escancarado. Por todo o amor que me oferecem, todos os dias. Mesmo quando teimo em não ver. Sei que estão aí. Honro e retribuo esse amor.

Obrigado