quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Peru de Natal

Chefe de família que se preze trincha um peru no Natal. Eu como já tenho uma família (bem pequena é certo, mas já é família) queria trinchar um peru. Mas, como é óbvio, para trinchar um peru precisa de ter o próprio do bicho.

Graças à Citroen recebi um peru enorme (empacotado e não vivo, graças a Deus). E assim pus-me na hercúlea tarefa de o preparar. Ora para estas missões megalómanas não há melhor que o Livro de Pantagruel. E lá foi o Bernardo...

Um dia e 4 supermercados depois estava pronto. Foram dois dias em salmoura (nem vos vou explicar que dá demasiado trabalho), um dia pendurado e outros dois no frigorífico.

Para o recheio foram bifes, e castanhas, e cebola, e pão e leite e sei lá mais quê. E cozer as castanhas, e preparar o recheio.

E achas que o peru cabe no forno? - perguntaram-me - Era só o que faltava pensei.

Mas cabia, mal e porcamente, mas cabia.

E no dia de Natal foi acordar às nove e rechear o bicho e meter-lhe a maça no rabo, e costurá-lo como se fosse uma meia rota. E metê-lo no forno por mais de 3 horas.

E quando ficou pronto foi outro sarilho. Para casa da mãe. Não cabia em lado nenhum. Derramou molho por cima das calças e dos sapatos. E foi embrulhado em alumínio, e aventais e sei lá mais quê.

Mas consegui chegar a casa da mãe com o bicho. Eu, a F., a mãe e o bicho. E... no momento solene... trinchei-o e estava maravilhoso. Macio e tenro no peito.

O que um gajo tem de passar para trinchar um peru.

Mas para castigo. Mesmo a meio da tarde, na TV o cabrão do Jamie Oliver fazia pouco do meu peru, mostrando os seus dotes com o peru dele.

Mas para o ano vingo-me. Há-de ficar tão bom, tão bom.

Que se cuide a família e os perus.


Jamie Oliver e o cabrão do peru dele