sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ao meu ser criativo



Querido eu;

Perdoa-me tantas vezes me esquecer de ti. Sabes bem que não é por mal. Não é por falta de amor. Não é por falta. Tantas vezes é por excesso. Excesso de coisas. Excesso de compromissos. Excesso de trabalho. Excessos...

Esqueço-me de ti. Esqueço-me do bem que me fazes. E tu, educado como sempre, deixas-te ficar tranquilo. No teu espaço.

E depois, quando me ponho a andar com a chuva na cara. Ou quando sinto a poesia em mim, lá me surges tu. Discreto e elegante a sorrir e a dizer: "Bem vindo!".

És o meu melhor bem sei. O eu criativo, belo, romântico e inteiro. Que faz o que sente e sente o que faz. E que não compromete nunca quem é.

E esse eu belo é poeta, é bailarino, é cantor, é criador, é facilitador. E é lindo, e é maravilhoso.

E não sei bem onde te perco eu. Não sei bem onde vais parar, ou onde vou eu.

Mas na viagem fico para trás, ou ficas tu. E quero-te perto. E quero-te em mim.

Abraça-me forte!


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Bom Conselho
(Chico Buarque)

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade