sexta-feira, 14 de abril de 2006

Um Amor Feliz Não Tem História ...

... diz-nos David Mourão Ferreira.

Acho a frase forte e cheia de sentido. E hoje, no começo deste merecido descanso, achei que a devia partilhar convosco. Podemos analisá-la de muitas formas, mas para mim destaca-se em duas dimensões fundamentais.

Acho que os verdadeiros amores vivem-se, não se sonham, ou não se relembram com nostalgia. São momentos plenos e completos, em que vivemos da melhor forma que sabemos e conseguimos. São momentos onde nos sentimos completos, complementados, concordantes e construtivos.

Por isso são amor sem história, mas infinitamente presentes. São o agora do amor.

A outra possibilidade é pensarmos nas relações que passaram, no que recordamos delas, e feliz ou infelizmente, tendemos a construir uma narrativa das nossas relações que não correram bem, tentamos montar, adaptar, estruturar sentimentos que não resolvemos, que não entendemos, que nos foram dolorosos.

Num amor feliz, não há memórias assim, sou a doce lembrança das aventuras e dos momentos em comum.

---------------
Já agora só mais uma nota sobre a memória. Um cientista que analisava crianças com memórias de passados violentos e de abusos concluíu duas coisas muito interessantes: Primeira, que quando mais falamos sobre o que nos aconteceu, mais alteramos e adaptamos e modificamos a nossa experiência vivida; a segunda, que na realidade, só cerca de 10% das nossas memórias correspondem ao que objectivamente aconteceu, o resto é uma colagem fantasiosa da nossa cabeça.