segunda-feira, 17 de outubro de 2005

2 Milhões de Pobres em Portugal

Por mais de uma vez já ouvi a notícia que, em Portugal, existem mais de dois milhões de pobres e que cerca de 20% dos mais ricos, possuem tanto como a metade dos mais pobres.

Só quem não conhece minimamente um Portugal menos urbano e litoral é que pode ter dificuldade em entender estes valores.

A realidade com que me deparo com regularidade é uma que garante esses mesmos valores.

Tenho uma pequena casa com um terreno perto de Coimbra que era dos meus avós. Desde que faleceram a terra foi ficando cada vez mais abandonada. Estivemos cerca de dez anos a tentar arranjar alguém que quisesse trabalhar o terreno, tomar conta dele e da mesma forma conseguir produzir bens para consumir ou para vender.

Nunca conseguimos. O melhor foi um homem que só bebia. Aliás quase todos bebem e bebem e bebem. A senhora que nos limpava a casa está no hospital com hepatite (depois descobrimos que tinha bebido grande parte da garrafeira centenária do meu avô). A mãe do rapaz com quem brincava, para além de esquelética, é alcoolatra também. O homem que trabalhava no nosso terreno e tantos outros: alcoolatras.

Pergunto-me como, no meio de tanta miséria, ainda há dinheiro para vinho e cerveja, e como continuam a preferir os mesmos ao trabalho e à possibilidade de recuperação...

Diria que se tornaram subsídio dependentes, de dinheiro mais fácil, que não custa e que lhes permite custear os vícios em troca da produção ou do trabalho. É extraordinário o quão baixo se consegue descer, e suportar. Não é só a falta de dinheiro mas a falta de alegria, falta de vontade, falta de motivação. Preferem a miséria ao amor próprio e ao trabalho.

Vivemos uma crise profunda e precisamos de agir para mudar já!