segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Ainda sobre as autárquicas

Não quero ser chato, mas ainda ando às voltas na cabeça com a razão que leva os eleitores a escolherem alguém que é indiciado pela prática de crimes contra a câmara municipal onde é presidente.

Claro que podemos evocar a popularidade, a obra feita, o carisma ou o charme. Podemos dizer que eles melhoram a qualidade de vida das pessoas dos seus concelhos. Que garantiram melhorias a nível do emprego, da saúde, da educação.

Não está em causa a sua qualidade como autarcas, mas a suspeita que sobre eles recai.

Acho que o problema aqui é também da própria forma portuguesa de ser. «Se ele "roubar" ao estado, para ajudar a gente, ainda melhor!!!», «Esses tipos do governo são todos uns corruptos, merecem que fiquemos com o dinheiro deles» e por aí em diante.

No entanto, amigos a regra matemática é simples: Cidadão -> Dinheiro -> Estado Estado->Autarquias->Cidadão

Se estão a tirar do estado, estão a tirar do vosso próprio bolso. Se estão a desviar de dinheiro da autarquia também vos estão a tirar. Veja como se vir é sempre mau, é sempre negativo para o bem estar das pessoas que elegeram esses autarcas.

Mas não quero vos cansar. E uma vez mais digo que não quero acusar ninguém indevidamente.

Mas pergunto-vos isto: Poriam os vossos filhos nas mãos de um alegado pedófilo? Poriam os vossos pais e avós num carro conduzido por um alegado alcoólatra? Deixariam dinheiro vosso em cima da mesa de casa de um alegado ladrão? Iriam procurar tratamento a um médico alegadamente negligente?

Então porque votam, com tanta franqueza num candidato indiciado de práticas ilegais? Talvez porque o tema não vos afecte? Estão enganados, afecta-nos a todos.