sexta-feira, 4 de abril de 2008

O Poder dos Sexos

Estava aquela aragem que restitui o bom ar aos pulmões. Ela descia a rampa sozinha, ia até lá abaixo à festa... a de Verão.
Sentia-se bem com ela própria. Notava-se no seu andar forte de tão leve que era.
A rampa era rodeada de noite; escuro. Os arbustos eram negros, nem se via os seus contornos. Dois panos pretos de um lado e de outro. No entanto, o ambiente daquela caminhada mostrava-se-lhe claro, branco de luz.

Era jovem e alegre. Ainda virgem; e a elas permitesse toda a leveza. Desejavam-na. Ela sabia-o. Namoriscava com bem queria e, assim, se divertia e gostava do poder que tinha. Era realmente uma época diferente na sua vida. Não tinha sido feliz na infância, agora era como uma espécie de vingança.
Não demorou tempo a que se prendesse a um rapaz mais velho e muito, mas mesmo muito, mais vivido do que ela. Considerava-o como sendo o seu primeiro amor. Pelo menos, foi o primeiro a possui-la.
Ele insistia várias vezes para que ela tivesse relações sexuais, no entanto a rapariga sabia que era cedo, achava que não era altura de se entregar. Não se entregou por bem... foi por mal.
Estendeu-a sobre o seu casaco e retirou-lhe a roupa bruscamente, enfiou o seu pénis erecto - de tanto desejo - e pediu que tivesse paciência. Ela, debaixo de um corpo ao qual pedia para que saísse dali, sentia dores tremendas, julgo que iria morrer de tanto sofrimento. Batia-lhe nas costas e gritava: “Sai! Sai!”, mas já era tarde e ele não saía. O sangue sujou as suas cuecas e calças. Agora, era o medo que a penetrava. As palavras que ele lhe disse a seguir ainda a fizeram sentir-se pior.
Arranjou maneira de entrar em casa sem ninguém se aperceber do que havia sucedido. Conseguiu. Mas antes não tivesse, pois assim alguém teria feito justiça, aquela que ela temia ser feita por seu pai, cujo temperamento era forte. Para proteger os outros, esqueceu-se de si. Nesse momento, para além do medo que a família soubesse, tinha o da humilhação que passaria quando ele começasse a vanglorizar-se do seu acto.

Quando chegou à festa, já havia muitas pessoas no recinto. Alguém pediu-lhe para dançar, o que aceitou. Dançou, riu... Até que um dia chorou, pois o seu poder acabou.

Ana Filipa Silva - algures no tempo