segunda-feira, 7 de abril de 2008

Amor Abundante

por Bernardo Ramirez (Jardineiro e Curadeiro)


Sou estruturalmente solitário. Há um bichinho solitário que se passeia dentro de mim. Nos meus melhores dias ele está tão enterrado que nem sinto que ele existe. Nos piores ele andam tão à flor da pele que não sinto outra coisa.

Já aprendi que este sentimento é mais ou menos imune ao que acontece no mundo exterior. Objectivamente há muito amor à minha volta, mas tantas e tantas vezes ele não entra. Tipo porta fechada. Trancas na porta.

Esta semana foi a excepção. O meu dia de anos (1 de Abril só para os mais distraídos) foi maravilhoso. E a festa de aniversário que se seguiu ainda melhor.

No meu dia os telefones, emails e pombos correios não pararam de me bater à porta do coração. "Parabéns Bernardo". E eu ficava mais cheio um bocadinho. Tanta gente. Mesmo os que não tive ainda o prazer de conviver pessoalmente se lembraram de mim. Sinte-me abundantemente amado.

E na minha festa de anos - e na noite anterior com umas visitas meio surpresa, e nuns jantares de houve pelo meio - foi ainda a perfeita continuação desse sentimento. As pessoas passaram e ficaram todas por lá. A dialogar com alegria e com serenidade. Amigos velhos, amigos novos. Presentes novos (duas máquinas de pão [não há fome que não dê em fartura], máquina de cortar o cabelo, cheques Fnac, livros, filmes). Tudo sem nada em excesso e com muito prazer.

Não podia ter sido melhor. E esse bicho solitário quase morreu.

Sei que este é um prenúncio de muita alegria, de um ano cheio de vida, de novidades, de amor, de crescimento e queria agradecer-vos a todos. De coração escancarado. Por todo o amor que me oferecem, todos os dias. Mesmo quando teimo em não ver. Sei que estão aí. Honro e retribuo esse amor.

Obrigado