terça-feira, 20 de setembro de 2005

Buzinas e Mercedes

Hoje, a caminho do meu local de trabalho, esse jardim no centro de Lisboa (parabéns ao casal de jardineiros), fui confrontado com algo demasiado comum na nossa cidade: a buzina de um Mercedes e neste caso (como na maior parte dos casos) pertencente a uma taxista.


- BUUMMM, BUUMMM, BUUMNMMMM.

A ecoar na minha cabeça. Logo cedo, antes do café e tudo. Sim senhor, já o vimos, muito prazer e claro que está com pressa.

Ao chegar ao meu local de trabalho, ao meu lado, mais dois Mercedes, estes simpaticamente silenciosos, entravam para o meu parque de estacionamento. Eram daqueles mini-mercedes, tipo mercedes-de-preparação. "Filho, hoje que já tens 18 anos e carta de conduzir vou dar-te algo para te preparar para os grandes carros que vais ter: este mini-mercedes." E a alegria inunda a família Mendes, ou Sousa, ou Esteves ou o que for.

Claro que os carros depois vão crescendo como os proprietários, e as buzinas com eles também.

Bum para aqui, bum para ali e bum para mais acolá. Sempre ao nosso lado ou atrás. Para não sabermos bem se a porcaria da buzina nos é dirigida. Mas sempre para garantir que num quilómetro quadrado todos sabem que vai ali um Mercedes e alguém ou com pressa, ou que gosta de chamar a atenção, ou então as duas coisas.

Por isso vinha aqui fazer uma proposta, que aumentaria bastante a nossa qualidade de vida. Ou proibir as buzinas nos Mercedes, ou arranjar um som tipo: pim, pim, ou piu, piu ou algo tão suave que nem se podesse garantir que se ouvia no carro à frente.

Isso sim!

Agora a questão resta: e se os modelos Mercedes deixassem de fazer barulho, será que continuavam a ser tão vendidos? E os taxistas? Se calhar escolhiam outro modelo ou então adaptavam buzinas triunfantes aos seus Mercedes e então passariam a buzinar por todo o lado, só para vermos como buzinam.