sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Realismo

Não sou apreciador do realismo. Não me refiro à corrente literária, mas àquele realismo ao qual as pessoas se agarram:"De um modo realista, tal e tal. Sejamos realistas, é preciso bla bla bla. Não nos acusem de falta de realismo..."

Não gosto! Acho que o realismo foi algo inventado pelos pessimistas deste mundo para se justificarem, para explicarem as suas posições ou para se desculparem quando as coisas correm mal.

Não gosto! Não aprecio essa forma calculista como analisam as situações, como escolhem estratégias ou posicionamentos. Claro que existe sempre um fundo racional e concreto a cada decisão que tomamos (ou é ideal que assim seja). Claro que a razão pode ser boa conselheira.

Não gosto! Porque tantas e tantas vezes o realismo acaba por pesar. Por desiludir, por deixar as escolhas meio abandonadas, já antes de iniciarmos os trajectos. Se não estamos convencidos, se realisticamente pode correr mal, então as forças faltam-nos, o amor e a vontade para o fazer.

Acho que o resultado final não depende só de nós. O meu amigo Data ( Star-Trek: Next Generation) recebe um conselho muito sensato do seu Comandante Jean-Luc Picard: “Às vezes podemos fazer tudo bem e mesmo assim não conseguir o que pretendemos!”

E para quem acredita nisso, que se convence que não basta só o que fazemos, que há muitas equações neste cosmo complexo, não poderá deixar de concordar que, se acreditar, se for convicto e cheio de esperança, se for bem disposto e alegre, pode não conseguir, mas de certeza que se diverte muito mais ao longo do caminho. E nem precisa de ser realista.