terça-feira, 6 de setembro de 2005

Quero tanto, tanto, tanto...

Tenho uma daquelas pulseirinhas dos desejos que me trouxeram do Brasil, da Nossa Senhora da Bahia. Elas são óptimas, fáceis de pôr, sem nenhuma espécie de regra, e se esfregarmos as mãos em rochas, facas, lixas ou qualquer outra coisa do género (natureza cortante) a mesma desfaz-se e lá se concretiza mais um desejo.

Acho óptimo!

Ainda por cima nunca ninguém sabe ao certo como funcionam. São três nós! Não basta um. E afinal dá para quantos desejos? Tantos quantos os nós. Então quero trinta. E depois atira-se para o mar? Não eu ponho na sanita... Mas olha que tem de ser na sétima onda.

Mas isto é como os jogos de azar, nunca ganhamos, mas vai-se lá saber o que se passa, o que vai se passar, se calhar até dá. Se calhar até ganhamos cinquenta mil milhões de euros e podemos comprar triliões de pulseirinhas e ainda ter mais sonhos concretizados.

Quero ter um carro novo, quero ter uma namorada nova, quero uma casa, um emprego, quero ganhar muito dinheiro, quero ter saúde de ferro, quero, quero, quero tanto...

Na realidade acho que isto é o sonho de todos os homens, aquela luta quase infantil contra os factos. Viver exige esforço, dedicação, trabalho, empenho. Se queremos um trabalho temos de nos esforçar, se queremos uma namorada temos de aprender a relacionar-mo-nos, se queremos saúde, não podemos passar a vida a rebentar o fígado.

Mas no fundo, o que era bom, era ser fácil, tipo instantâneo, tipo pulseirinha da bahia. Quero tanto, tanto, tanto...