segunda-feira, 24 de março de 2008

Bernardo, o Jardineiro

por Bernardo Ramirez

Há uns dias atrás debatia animadamente as diferentes dimensões do que faço na vida. E como me sentia um pouco perdido. Perdido não no que sonho fazer, mas na necessidade complicada e complexa de me caracterizar no que faço.

No trabalho que faço de dia, o qual dedico oito horas, é claro de onde venho e para onde vou. Mas mais importante ainda, é claro a legitimidade social para o que faço: tenho um currículo. E se alguém quiser saber eu posso mostrar. Por A mais B.

Mas a minha profissão e vocação é outra. Uma que pratico no fim de semana e aos fins da tarde. Por enquanto apenas... Esse sou eu, o meu ser, a minha verdade, o meu chamamento.

Mas para este trabalho não tenho currículo. Não estudei numa universidade, nem tenho documentos oficiais. Neste trabalho tenho a minha vontade e o meu desejo. Sinto-me como um Jardineiro. Profundamente Jardineiro. Mas isso não se escreve num CV, nem se apresenta numa biografia. Porquê? (perguntou-me a V.A. com muita leveza) Não lhe soube responder.

Mas é isso que sou. Ainda meio envergonhado e timidamente. Mas sou. Sou um Jardineiro. Do meu jardim, da minha vida.

Agora só falta colocar isto no meu currículo.