terça-feira, 18 de março de 2008

A relação familiar está em declínio!



"Hoje, vou contar uma história que infelizmente, para muitos e para mim, é visível em vários níveis de vida e diferentes regiões. E que aconteceu com alguém perto, muito perto de mim.
Baseia-se principalmente na liberdade que os pais dão aos filhos e da maneira como os pais tratam os filhos.

Sofia era uma rapariga cheia de ambições, queria a todo o custo ser: rica, logo independente dos pais, e actriz.
O senhor José e senhora Beatriz eram os seus pais que tinham um feitio especial ou até mesmo espacial. Mário era o nome do seu irmão, esse era mais velho do que ela oito anos, porém davam-se super bem.
Certo dia, estava a jovem a ler o jornal, quando viu em letras destacadas:

-Actrizes: Precisam-se para o maior e melhor filme português
T.: 9596519 Paula Sousa

Não fez mais nada; telefonou! Do outro lado, atendeu uma rapariga de voz meiga e calma, era a dita Paula.
-Olá, eu sou a Sofia Pires e gostava de saber mais acerca do anúncio que publicaram no jornal Roménia!-disse Sofia.
-Então, é assim! Eu sou assistente do realizador Manuel Fonseca e estou a registar todas as inscrições de meninas e meninos dos 14 ao 17 anos.-esclareceu Paula, porém interrompida por Sofia.
-Ah, assim está óptimo, pois eu tenho 16 anos. E quero mesmo ser actriz.
Palavra puxa palavra e ficaram a tagarelar horas e horas. Quando desligaram, Sofia disse:
-Já está no papo!
Ao mesmo tempo que Paula exclamava:
-Acho que não tem qualquer costela para actriz, mas bem...!

Passaram-se alguns meses, onde o convívio harmonioso entre o Srº José e a sua filha fazia-se sentir. O afecto que Sofia tinha pelo seu pai era grande e bonito, o mesmo não se via da parte do Srº José. Mal sabia ela o que se iria passar! Todavia este clima de muito e belo afecto só existia entre, ou melhor, de filha para pai, porque de pai para filha e de filha para mãe não se tornava visível tal sentimento.
Sofia, em pequenina, preferia o colo da mãe ao do pai. Mas quando atingiu os 10 anos, tornou-se, sem dúvida, muito mais amiga do pai; vendo-se, mesmo, um pouco de desprezo perante a Srª Beatriz, como mãe e pessoa com defeitos e qualidades. Às vezes, as trocas de preferências são bem casuais, mas esta teve um porquê.

A jovem rapariga esperava que a contactassem, porém nada havia acontecido. Por isso, tomou a liberdade de telefonar à assistente Paula, para lhe arrevivar a memória. Tornando-se regular o seu acto.
Paula, devido a tanta insistência, deu-lhe uma possibilidade de fazer um papel secundário. O que para Sofia já era uma felicidade.
Assim foi, trabalho a seguir de trabalho, todavia secundário. Porém Sofia não tinha vergonha, pois gostava de o fazer e tinha esperança de ser um bom passo.
Os pais da jovem sabiam que era realmente um prazer para ela o que essa fazia. Não compreendiam, mas aceitavam tal atitude.
Num determinado dia, lá por volta dos fins de Outubro, estava Sofia sozinha em casa, quando o telefone tocou. Era Paula, queria perguntar à jovem actriz se esse estava disposta a fazer uma peça naquela noite. Sofia sem mais nada, disse que sim, pois pensava (!) que seus pais não colocariam qualquer problema à sua saída.
Como o telefone da casa, onde seus pais estavam a passar alguns dias, encontrava-se desligado, Sofia tomou a liberdade de telefonar para casa dos amigos do Srº José e pedir-lhes que comunicassem o seu acto. Também, contactou Rosa a namorada de seu irmão e deixou na mesa da cozinha um papel que dizia a seus pais o porquê dela estar ausente e as suas desculpas por não os poder contactar antes.
Sofia tomou tal acto, porque calculava que seus pais iriam compreender porque partira algumas horas para o seu mundo ( representação ). Mas não foi assim que seus pais encararam a situação. Gritaram-lhes palavras que até hoje a adolescente guarda na memória, assim como tudo o que seus pais e familiares lhe fizeram.
A rapariga pensou mais de mil vezes no seu acto e não encontrou qualquer razão para que seus pais reagissem de tal forma. Ela era uma rapariga responsável que nunca tocou na Droga, no tabaco, na bebida... vivia para o seu sonho e para o futuro, pois queria que esse fosse sorridente e sem preocupações.
Como ela via estampado nos olhos de seus pais a infelicidade de não poderem ter mais, lutava para que isso não lhe acontecesse. Tratava de si e dos seus bens como ninguém já vira outro adolescente fazer.
Porém seus pais não viram que Sofia era realmente excepcional. Queriam mandar nela como que mandassem num cão, essa tomava tal acto por cobardia do Srº José e Srª Beatriz, pois é muito fácil obrigar alguém a fazer algo quando esse obrigatoriamente já vive sob as suas decisões.

Afinal, o que é uma relação? Cá para mim, é o acto de troca de amor, atitudes...
O mesmo pensava Sofia. Mas no fundo, no fundo não era o que acontecia, pois ela dava provas e mais provas de afecto, atitudes de responsabilidade e outros, no entanto seus pais só lhe davam abrigo e comida em troca de tanta felicidade que ela, muitas vezes, lhes provocava.
Ela não queria muito, só um pouco mais de liberdade, porque essa sabia até que ponto devia de ir. Não era como todos os outros jovens que aproveitavam essa liberdade para fazer tudo e mais alguma coisa. Ela aprendeu isso com alguma experiência de vida que não era muito longa, mas já dava para aprender os limites.
Bem, ela não conseguiu chegar a nenhuma conclusão e ainda hoje espera mais um pouco de liberdade, porém, mesmo sem os pais notarem ela lutava pela sua liberdade. E já mais acabará a sua luta.

A história não é muito bonita, mas dá para explicar através de umas pequenas cenas o que um jovem sente quando lhe querem cortar o seu sonho. Muitas vezes, por irresponsabilidade dos pais os adolescentes entram numa depressão tal que os levam a cometer actos terríveis, no entanto existem jovens que tentam encarar certas situações como mais um passo da sua vida, mais uma experiência...
Só peço uma coisa, aos pais lerem ou estão a ler:

Estimados pais:

Olhem para o que os seus filhos fazem; em todos os pontos de vista; do seu, do dele e do geral e estipulem as normas de convivência familiar pelas suas atitudes. Às vezes, a solução para muitos problemas estão nas vossas mãos. E vós o que fazeis? Nada ou então, tratais seus filhos como que prisioneiros, sem lhes mostrar o amor que ( eu sei ) vós tendes dentro do vosso coração.
Dêem mais tempo aos seus filhos, eles merecem. Não em todos os casos, mas em alguns.
Beijinhos e boa sorte aos novos educadores, futuros pais... desta vossa amiga. Só mais uma coisa: reflictam sobre a seguinte questão - o que é o amor? Uma relação? Qual é a vergonha de expôr os nosso sentimentos?"

Nota: Este texto foi escrito há largos anos. É muito interessante, como a árvore já está na semente. Por volta dos meus 14 anos, já escrevia sobre a família. Hoje, sou uma formanda de Constelações Familiares.